Revista Contra-Relógio
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Ultramaratonas: acessíveis a quase todos

Edição 222 - MARÇO 2012 - TOMAZ LOURENÇO

Participar de provas longas não é um bicho de 7 cabeças, como alguns apregoam. Basta ter tempo e disposição para treinar.

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O que leva as pessoas a fazer ultramaratonas? As razões são diversas, mas duas costumam aparecer com mais freqüência: a busca de novos desafios e o prazer de enfrentar a longa distância. Mas existe uma outra, que é certa massagem no ego, pela sensação de superioridade em relação aos demais corredores. Quantas vezes em entrega de kits fui abordado por corredores que se apresentavam como "eu sou ultramaratonista", ao que eu respondia, "eu sou jornalista".


A razão primeira para se ir para a ultra é relativamente óbvia e coerente para quem já fez algumas maratonas e quer saber como é passar dos 42 km. Só que, curiosamente, muitos não procuraram melhorar suas marcas na distância clássica, o que requereria treinos de velocidade, mas sim optam por aumentar apenas a quilometragem. Por outro lado, existem aqueles que sequer fazem uma maratona e logo pensam em uma prova de 24 horas. É verdade que esta ou as de 48 horas têm a vantagem de não exigir qualquer distância mínima a ser percorrida, bastando participar correndo, caminhando, descansando etc.


Me lembro quando, há 20 anos, comentei em uma reunião social que iria fazer uma maratona. A reunião parou e todos me olharam surpresos, não acreditando que eu enfrentaria tão longa distância. Hoje em dia, com a popularização das maratonas e o ingresso em provas "apenas para completar", este fato acabou se banalizando, daí talvez certo crescimento do interesse pelas ultras.


A MARCANTE COMRADES. De qualquer forma, ser capar de fazer percursos longos é mesmo muito legal, como constatei quando decidi que iria correr a Comrades, na África do Sul, para comemorar meus 60 anos. Na verdade, queria, como jornalista, verificar na prática a dificuldade de se preparar para uma ultra e, naturalmente, saber como era a sensação do desafio vencido.


Durante 4,5 meses (janeiro a meados de maio) treinei para os 89 km da mais famosa ultra do mundo, seguindo um planejamento bastante simples. Fazia apenas rodagem, ou seja, treinos em ritmo confortável, três vezes por semana, aumentando em 20 minutos meus longos a cada domingo, o que significou começar com 2 horas e chegar ao meu último de 8 horas, realizado sem grande dificuldade. Mas durante todo o treinamento uma coisa foi fundamental: eu coloquei na cabeça que queria muito completar a Comrades (que tem tempo máximo de 12 horas) e dessa forma, saía para treinar sempre muito animado.


A participação na Comrades é mesmo sensacional, pela multidão correndo (quase 20 mil, a absoluta maioria completando) e assistindo, e alguns dias depois de ter completado (em 10h50) já havia decidido fazer o percurso em subida (87 km) no ano seguinte, quando fechei até melhor, em 10h10. Ao final, a sensação é mesmo de superioridade, o que acabou se reforçando nos meses (e anos) seguintes, durante entregas de kit, em que era obrigado a falar aos leitores como tinha conseguido tal feito, mesmo sendo eu um sexagenário. Explicava, então, que não tinha sido difícil, que era uma questão de ir aumentando a quilometragem aos poucos etc, e apesar da maioria não acreditar nessa facilidade, convenci dezenas a ir à África do Sul.


E continuo com a mesma posição de que fazer ultras é mais fácil do que melhorar a marca em uma determinada distância. É deixar de treinar qualidade e trocar por quantidade. Quem tem 4 horas em maratona como melhor resultado, sabe o quanto será difícil baixar para 3h45, enquanto fazer várias provas de 42 km ou de maior distância em ritmo confortável representa uma meta muito mais acessível. Apenas como exemplo, nas semanas finais para a Comrades, fazia praticamente três maratonas por semana: na terça 30 a 35 km, na quinta 35 a 40 km e no domingo de 50 a 70 km. E na segunda, quarta e sexta, 1 hora de musculação geral e mais meia hora de esteira. Meus únicos treinos fortes foram a participação nas maratonas de Floripa e Porto Alegre, quando aproveitava que eram "só" 42 km, para treinar um pouco de ritmo.


7 Respostas para “Ultramaratonas: acessíveis a quase todos”

  1. nao sei os demais ultramaratonistas mais eu quando corria provas curtas senpre procurei fazer o meu melhor conseguir fazer uma maratona para 2h 32 em 1991 blumenau hoje faco ultra e digo com orgulho sou ultramaratonista nao para inpresionar ninguem mais sim porque treino muito para que isto seja verdade senpre tentando melhorar as minhas marcas pessoais e tenho a felicidade de ter uma marca de nivel mundial mais nem por isto me acho melhor do que qualquer outro atleta que apenas esta comecando

  2. Infeliz seu comentário sobre o ego e superioridade dos ultramaratonistas. Talves seja por isso que sua revista fale tão pouco
    sobre o assunto. Acho que vc sabe que correr é o movimento natural do ser humano como predador. E prá mim não existe PHD em corridas, cada um que cuide da sua, portanto guarde essa opinião para vc.

  3. Eu Adoro participar das Ultramaratonas….vou pelo desafio de permanecer numa pista por 24 horas,sorrindo…brincando….e sempre terminando inteira….não vou para fazer kilometragens e sim para ficar ao lado de tantos amigos e amigas Ultras que sempre vou apoiar….porque Ultras, é só para quem é realmente determinado !!!Ultras é para quem tem CABEÇA, e anda…caminha…trota….corre… eu sou a maior incentivadora para as Ultramaratonas. Esta aí a razão porque tenho muitos afilhados….

  4. Quando li a matéria me senti ofendido, pois não sou profissional e trabalho o dia todo e realizo meus treinos a noite e nos fins de semana e garanto não ser melhor que ninguém e sei que como eu muita gente rala bastante para atingir suas marcas independente da distância. Eu faço ultra para chegar no dia da prova e poder encontrar os amigos, sempre falo que a ultra é uma grande família.

  5. Tomaz,
    Sua matéria acerca da realização de Ultramaratonas é muito oportuna, sobretudo quando ao ponto de vista ortopédico. Nosso corpo não possui peças reservas como nossos carros. Se desgastarmos nossas cartilagens precocemente, vamos ficar no “ferro velho”. Em Ultras é justamente isso que ocorre. Uma espopsição do corpo em algo anormal à anatomia humana. No neu caso pretendo fazer ultras no ano de 2013, mas deixo meu depoimento. Baixar um tempo em provas de 10k, meia e maratona é muito mais complicado mesmo.
    O importante é que cada um saiba onde está se metendo e proteja seu corpo, pois ele é único, dádiva de Deus, singular. Façamos tudo para superar os nosso limites, não ultrapassá-los.

  6. Não acho que ultra é para quem não consegue baixar tempo em corridas menores, até porque meu tempo em corridas de 10 até 42 km é muito superior a muitos corredores, e consigo chegar na frente de gente que faz 10 ou 42 km em tempos invejados por muitos.

  7. Por falar em baixar tempo, acho que precisa treinar mais para baixar o seu, pois 10:10 hs na conrades é um péssimo tempo.

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