Revista Contra-Relógio
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Tribuna de Santos: cada vez mais nacional

Edição 285 - JUNHO 2017 - ANDRÉ SAVAZONI

Maior e mais rápida prova de 10 km no Brasil, corrida santista recebe participantes de todo o país.

A 10 Km Tribuna FM-Unilus , em Santos, chegou à 32ª edição no último dia 21 de maio. Segue como a maior da distância no Brasil e uma das principais da América do Sul (no país, só perde para a São Silvestre em total de participantes, no critério de prova única). Foram 20,6 mil inscritos e 17.874 concluintes neste ano. Além disso, plana, com poucas curvas e ao nível do mar, é uma das mais rápidas e com certificação internacional. Mas todos esses fatores não são novidade. A maioria das pessoas conhece a história do evento. O que chama a atenção é o quanto a Tribuna vem se tornando "nacional" ano após ano.
A melhor forma de comprovar o fato de a prova superar os limites da Baixada Santista, se espalhar pelo Estado de São Paulo e partir para outras regiões brasileiras, é ficar caminhando e conversando pelo calçadão e jardins da Praia do Gonzaga após a chegada. Basta observar para ver camisetas de provas diferentes, do Brasil e exterior; sotaques de sul a norte; costumes diferentes, grupos grandes e pequenos, ou seja, uma amostra clara de como a corrida pode, sim, misturar pessoas totalmente diferentes, mas unidas por essa paixão pelo esporte.
O casal Francisco e Rosely Apoloni, de São José do Rio Preto, assinantes da Contra-Relógio, exemplifica bem. Vieram para correr a prova e trouxeram cinco amigos para estrear na Tribuna. "Como sempre, é uma prova especial, muito festiva e bem organizada. Este ano em particular o clima ajudou muito e foi possível melhorar os tempos individuais. Corri a Tribuna pela décima vez, juntamente com minha esposa e a cada ano a prova apresenta alguma novidade. Estaremos de volta em 2018", afirmou Francisco, referindo-se à quebra na tradição: geralmente, faz calor e céu azul nos 10 km (disputados sempre no terceiro domingo do mês de maio), mas nesta edição estava nublado, sem vento e até com uma leve garoa no momento das largadas.
Já o treinador Murilo Ugolini Klein, da V8 Assessoria, de Curitiba, veio para Santos ao lado da esposa, Natacha, e de dois alunos atraídos pela fama da Tribuna. E pretende voltar no próximo ano em "excursão", como brincou, com um grande número de corredores. "Além do atrativo do percurso e do objetivo da prova, ficamos muito contentes com as distribuições em pelotões para largada o que, mesmo com 20 mil pessoas, não gerou desconforto, ao menos para nós, no desenvolvimento da prova", disse Murilo, que por nunca ter feito a Tribuna, largou no pelotão amador A (os tempos para a elite B, sub 46 minutos para os homens e sub 55 para as mulheres, têm de ser feitos na própria corrida santista e valem para o ano seguinte).
"Sinalização, bloqueio do trânsito, as pessoas na rua torcendo, as bandas no meio do percurso foram pontos muito positivos e que não esperávamos encontrar, o que gerou um entusiasmo e um encantamento ainda maior pela prova. Além disso, destaco a atenção e educação do staff, desde a entrega do kit até a chegada, em orientar os participantes; foram pontos muito positivos, algo fora do comum nas provas de 10 km que estamos acostumados", completou Murilo.

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ONDAS E BAIAS - Já há alguns anos, a largada da Tribuna é separada por quatro ondas e pelotões, sem contar o início antecipado de cadeirantes, deficientes físicos e visuais, e da elite. O público em geral tem cinco opções: pelotão premium, que é pago, e elite B, que partiram às 8h13; depois amadores às 8h15, 8h35 e 8h45, onde se encaixam os declaradamente caminhantes. Há toda uma verificação para a entrada nas baias, com cores de números e acessos por ruas diferentes Mesmo com todas essas medidas, como é uma prova cheia, o primeiro quilômetro, até a passagem pelo túnel de entrada em Santos, é um pouco apertado, mas depois vai dispersando e melhorando por causa das avenidas largas e longas retas.
Neste ano, também, ao longo dos 10 km, que são ponto a ponto (partem no centro velho da cidade e terminam na Praia do Gonzaga), houve um tapete de controle de passagem no km 7 e uma verificação da organização a partir do km 8, no trecho da orla, para a retirada dos "pipocas" que foram em pequeno número, mas existiram.
Hidratação com água a cada 2 km (com faixas informativas 100 m antes) e uma ótima atenção do staff (inclusive, oferecendo água sem gelo na chegada para lavar o rosto, por exemplo) completam os pontos positivos da Tribuna. Um último detalhe são as camisas oficiais com cores diferentes para homens (azul) e mulheres (amarelo).
Outra tradição da Tribuna são os "pelotões", a maioria de Santos e São Vicente, ou seja, as equipes uniformizadas formadas por academias, universidade e empresas, garantindo um colorido e muita animação no percurso. Entre eles, o da UP! Fitness Academia contou com 1.205 integrantes, incluindo o judoca medalhista de ouro olímpico em Barcelona, Rogério Sampaio, que largou entre os amadores e aproveitou a corrida para comemorar os 25 anos da conquista do ouro na Olimpíada de Barcelona, na Espanha, em 1992. "Essa prova é uma congratulação da atividade física, da saúde. Para mim, foi um desafio pessoal e uma grande alegria. Completo 25 anos do ouro e continuo em boa forma", ressaltou o diretor da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem.


TATIELE EM PRIMEIRO - Em termos de resultados, a festa foi ainda maior, pois uma brasileira voltou a ser a primeira colocada após oito anos. Tatiele Roberta de Carvalho, representante do país nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro nos 10 mil metros, garantiu a primeira colocação, para a alegria de grande torcida presente no percurso e, sobretudo, na área de chegada. Ela é assinante da CR e fez 33:30.
"Vinha para cá e pensava: será que um dia estarei no lugar mais alto do pódio? Agora, sonho realizado! Na América Latina, em todos os lugares que eu viajo, as pessoas falam dessa prova e agora elas falarão o meu nome como campeã. Entrei para a história", disse. "As quenianas são as favoritas sempre, mas consegui quebrar essa hegemonia. Agora, pode passar 20, 30 anos de Tribuna, mas em 2017, a Tatiele de Carvalho foi a campeã", comemorou.
No masculino, o queniano Paul Kipkorir Kipkemoi confirmou o favoritismo, vencendo com 28:27, a melhor marca pessoal dele na distância. Quem se destacou também foram os brasileiros Altobeli da Silva (que disputou a final dos 3.000 m com obstáculos nos Jogos Olímpicos do Rio) e Ederson Vilela Pereira, que fizeram uma grande "briga" pelo segundo lugar até a linha de chegada. Altobeli levou a melhor por um segundo: 28:59 contra 29:00.
Os vencedores recebem R$ 24 mil cada, de um total de R$ 90,4 mil de premiação, dividida entre os dez primeiros colocados do masculino e feminino.
O diretor-presidente de A Tribuna, Marcos Clemente Santini, fez um balanço positivo de mais uma edição realizada. "Foi uma prova muito boa. Tivemos sorte no tempo. Para os atletas foi perfeito, porque começou a chuviscar bem na largada e não ficou tão quente para correr. A população veio para a rua para motivar os participantes e uma brasileira ganhou depois de nove anos. Importante para o atletismo brasileiro", disse o também maratonista Santini, assinante da CR.
Os resultados completos da 32ª edição dos 10 km Tribuna FM-Unilus podem ser conferidos no site www.triesportes.com.br.



A São Silvestre santista
Participei mais uma vez da principal corrida de minha cidade de nascimento, desta vez saindo atrás, na companhia do amigo, de longa data, Zeca. Apesar da multidão, largada tranquila, não enfrentando congestionamento, mesmo com muita gente caminhando já no começo. Aliás, o clima é mais de festa do que de corrida, pelo menos para essa turma de trás, mas que na verdade representa a maioria dos participantes.
De qualquer forma, para viabilizar o crescimento da prova acima de 20 mil participantes, com bom fluxo no percurso, será necessário um controle mais rigoroso das baias e espaçar em maior tempo o intervalo das saídas dos pelotões gerais, assim como, e principalmente, se avaliar o desmembramento da elite amadora em dois bolsões. Assim, por exemplo, no primeiro sairiam os que tenham conseguido ser sub 42 e sub 50 minutos (homens e mulheres) no ano anterior, e no segundo os sub 46 e 55.
Fato curioso é que muita gente vai para a largada (no centro da cidade) já correndo ou andando, desde os bairros perto da praia, o que significa fazer uns 3 a 5 km, além dos 10 km da prova.
(Tomaz Lourenço)


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