Revista Contra-Relógio
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Toninho “Massa”, um corredor zen

Edição 264 - SETEMBRO 2015 - VICENT SOBRINHO

Ele perdeu o baço, mas continua correndo muito, com meias-maratonas na casa de 1h30.

Nascido em Cícero Dantas, distante 330 km de Salvador, Antonio dos Santos é um dos mais frequentes corredores que treinam quase que diariamente no Parque do Ibirapuera, na capital paulista, sendo conhecido pela sua calma, que ele define estilo zen de viver. Nas redes sociais é Toninho "Massa" porque essa é sempre sua curta resposta contra as reclamações e informações negativas.
Começou a correr em Salvador, orientado pelo treinador Norval Batista Cruz, em 1990. "Eu gostava de correr na São Silvestre local organizada pelos capoeiristas, onde me destaquei em algumas edições. Fui apresentado ao Norval porque tinha um objetivo: participar um dia da São Silvestre de São Paulo."
Durante seis anos Toninho disputou várias provas baianas e do norte-nordeste sempre estudando e trabalhando como auxiliar de escritório.Em 1992 conseguiu bons resultados, correndo em pista de carvão - 10.000 m para 33:33 e 5.000 m para 16:10. "Eram outros tempos, não havia suplementos e nem repositores energéticos, eu tinha somente um par de tênis para competir, treinar e trabalhar, e a alimentação era na base da rapadura e cuscuz."
Por intermédio da corrida algumas portas se abriram, inclusive a possibilidade de ir morar em São Paulo. "Em 1994 vim participar da São Silvestre e consegui patrocínio da passagem, mas só de ida; o retorno era problema meu. Como tinha um contato por aqui, logo fui indicado por um amigo para treinar no PA Club - do Grupo Pão de Açúcar, e fui bem recebido pelo técnico Wanderlei de Oliveira".
Em 1995, ainda era dura a vida (para sobreviver entregava pizzas e fazia bicos), mas uma grande oportunidade surgiu no ano seguinte, ao começar a trabalhar na rede Pão de Açúcar. "A corrida sempre me deu forças para evoluir. De repositor de frutas logo fui promovido a chefe de seção, trabalhando em média 10 horas por dia, sendo depois transferido para Salvador onde fiquei por 3 anos, retornando a São Paulo em 2001, quando encerrei minha carreira em supermercados."
Durante todo esse tempo ele nunca deixou de treinar. "Eu queria aproveitar todas as oportunidades e tinha grande chance de ir a Nova York pelo PA Club. Não bastava ser bom atleta, tinha que ser também exemplar funcionário". Em 1998 Antonio estreou em São Paulo a sua primeira maratona e em seguida se qualificou para ir a Nova York, correndo lá em 1998, 1999 e 2000, tendo como melhor marca 3h01.

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SUSTO E FACULDADE. Em maio de 2003, dentro do ônibus em viagem rumo à Bahia para visitar parentes, Antonio foi surpreendido por uma crise de vômitos de sangue. Acabou em um pronto socorro na cidade de Itauvim/MG, ficando lá por uma semana, onde perdeu 9 quilos. Em função da gravidade, foi transferido por avião a Salvador com o diagnóstico de hipertensão devido à esquistossomose. Acabou tendo o baço retirado.
"Eu fiquei durante um ano esperançoso que retornaria às corridas, e fui seguindo todos os conselhos médicos. Voltei em 2004 para São Paulo e aos treinamentos em 2005. Me senti confiante ao completar a Meia do Rio em 1h24, mesmo sem o baço e com sequelas de hipotireoidismo, hipertensão portal e varizes no esôfago, além de uma enorme cicatriz no abdome."
Em meio a essa "tragédia" fisiológica, Toninho deu a volta por cima, retornou aos treinamentos e concluiu a Faculdade de Educação Física, e pós graduação em Fisiologia do Exercício, sendo desde 2007 árbitro da Federação Paulista de Atletismo.

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