Revista Contra-Relógio
// Fisioterapia //

Síndrome do Piriforme! Conhece?

Edição 172 - JANEIRO 2008 - ALESSANDRA ARKIE E KENIA GUERRA BAUMANN

Se você sente dor na região glútea (nádega), quadril, lombar, membro inferior e também formigamento ou dormência, que podem irradiar em direção à perna do lado acometido, dê uma lida nesta matéria


As lesões esportivas são comuns e específicas de acordo com a natureza do esporte. No caso da corrida, o toque repetido do pé no solo transfere as forças mecânicas dos membros inferiores até a coluna. E se algo não está harmônico neste "caminho das forças", as lesões podem aparecer com mais freqüência.

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Quando falamos em lesões pensamos logo nas que são causadas pelo esporte ou atividade física praticada. Porém, existem lesões que são decorrentes de nossas atividades do dia-a-dia ou as que são provocadas pela junção de maus hábitos posturais mais o esporte.


É o caso da Síndrome do Piriforme, que é uma patologia que pode acontecer por associação de fatores presentes no nosso dia-a-dia e na prática esportiva.


O QUE É? A Síndrome do Piriforme é uma irritação do nervo ciático provocada pelo aumento da tensão ou espasmo do músculo piriforme.


O piriforme é um músculo pequeno e profundo, localizado na nádega, sob os glúteos e tem como função a rotação externa da coxa, que é quando o joelho "olha" para fora, além de auxiliar na abdução (abertura da coxa). Sua localização vai do sacro (porção final da coluna) até o fêmur (osso da coxa). O nervo ciático passa debaixo deste músculo, mas em algumas pessoas (10%) ele passa através dele, o que aumenta a predisposição para a síndrome (veja figura). Se o músculo se tensionar pode haver compressão do nervo ciático o que causa dor, com irradiação para a perna.


Alguns estudos relatam predominância maior de casos em mulheres numa proporção de 6:1.


O QUE CAUSA? A causa mais comum é a tensão e encurtamento do músculo piriforme. Porém tensão e encurtamento da musculatura próxima a ele (coluna, nádega e quadril) também geram tensão neste músculo, predispondo à compressão do nervo ciático.


É comum em esportes que requerem corrida, mudança de direção ou descarga de peso excessiva. Os seguintes fatores podem também favorecer o aparecimento da síndrome: corrida em terrenos duros ou irregulares, subir escadas, atividades que exijam muito agachamento e uso de calçados inapropriados para o tipo de pisada ou gastos demais.


No caso de pronação excessiva, o membro inferior sofre uma rotação excessiva, o que sobrecarrega a tíbia, joelho, quadril e coluna. Por isso é importante a utilização de calçados adequados para o tipo de pisada.


Quem anda e principalmente corre com a ponta do pé muito aberta, para fora (tipo dez para as duas) tem mais chances de tensionar o piriforme, pois fica o tempo todo estimulando o músculo na sua função, que é rodar a coxa para fora juntamente com o pé quando o joelho está esticado.


O aumento rápido na intensidade ou duração dos treinos pode contribuir para o aparecimento da síndrome por sobrecarga do piriforme. Traumas diretos podem provocar edema na região do piriforme ou causar uma tensão e conseqüente compressão e irritação do nervo ciático.


Um desequilíbrio muscular entre os rotadores internos e externos do quadril, como no caso de rotadores externos mais fortes que os internos, contribuem para encurtar o piriforme, além de desequilíbrios da pelve. Os distúrbios na biomecânica dos membros inferiores e coluna, incluindo distúrbios na marcha, vícios (maus hábitos) e alterações posturais também podem causar a síndrome.


Manter a postura sentada por longos períodos, principalmente com a coxa em rotação externa (como ao dirigir) diminui o aporte sanguíneo para a região do músculo e altera a fisiologia do piriforme (e dos músculos próximos à ele também) e provoca encurtamento.


Como esta é uma patologia causada por um aumento na tensão do músculo (ou espasmo), a falta de alongamento irá contribuir para que a musculatura envolvida se tensione ainda mais e piore os sintomas.


SINTOMAS. As queixas incluem dor que pode acontecer em alguns locais como: na região glútea (nádega), quadril, lombar, membro inferior e também formigamento ou dormência, que podem irradiar em direção à perna do lado acometido.


A dor pode ser reproduzida na rotação externa do quadril resistida, que é quando tentamos impedir o movimento de afastar os joelhos, ou seja, o joelho vai para fora e o pé para dentro, como ao cruzar uma perna sobre a outra. Ou quando se força o movimento contrário (rotação interna), isto é, quando forçamos o movimento de levar o joelho para dentro e o pé para fora.


Numa avaliação postural, o membro inferior acometido pode apresentar uma rotação externa maior que o não acometido (com o joelho esticado o pé roda para fora e sentado, o joelho "olha" para fora).


MEDIDAS A SEREM TOMADAS. Procurar um médico para que o diagnóstico seja estabelecido, descartando a possibilidade de outras patologias que têm sintomas parecidos com a Síndrome do Piriforme é a primeira atitude a ser tomada. Deve ser feito um exame físico detalhado para descartar a possibilidade de hérnia discal, problemas associados à compressão nervosa na região lombar (estreitamentos de forames), artroses ou patologias da região sacro-ilíaca.


Como é uma condição patológica que não se comprova em exames de imagem, o diagnóstico é estabelecido com base no exame físico e nos sintomas, o que pode acarretar em erro no diagnóstico e dificuldade no tratamento, ao se focar em coluna quando o problema está na região do quadril.


Depois de confirmado o diagnóstico, podem ser prescrito medicamentos para auxiliar no alívio da dor e relaxar a musculatura. Pode ser orientado repouso relativo (parar corrida ou qualquer outra atividade física por um tempo) ou apenas a redução no ritmo da corrida. Porém é importante a realização da fisioterapia, onde será orientado um programa de exercícios para equilibrar a musculatura, além de técnicas diversas para alívio dos sintomas, de acordo com cada quadro apresentado. Com isso, a prática esportiva acontecerá sem riscos de retorno dos sintomas.


TRATAMENTO. O tratamento tem como objetivos a redução da dor, melhora da flexibilidade e força e diminuição da tensão do músculo piriforme e dos músculos próximos à região, através de técnicas de massagem. Poderão ser utilizados aparelhos como ultra-som e TENS para o alívio da dor e formigamento/dormência e deve ser orientado um programa de alongamentos e fortalecimentos para que o retorno ao ritmo de corrida seja seguro e com boa performance.


A utilização de ultra-som e massagem são técnicas efetivas para remover metabólitos e tecido cicatricial (evita fibrose), além de acelerar a resolução da lesão.


A aplicação de gelo deverá ser feita para diminuir a dor, pois o gelo tem efeito analgésico e antiinflamatório. Pode ser feito da seguinte forma: coloque várias pedras de gelo num saco plástico e amarre. Coloque este saco dentro de um tecido fino e úmido e coloque na região glútea, mantendo por 20 minutos. Repetir 3 vezes por dia e não tomar banho logo após a aplicação, para não interromper o efeito do gelo.


Os exercícios devem ser iniciados assim que houver algum alívio da dor, de acordo com o quadro apresentado pelo paciente. Os alongamentos devem ser feitos no início de forma leve e os fortalecimentos devem ser introduzidos gradualmente.


Todos os músculos envolvidos, além do piriforme, devem ser alongados e fortalecidos para que funcionem em harmonia sem causar nenhum transtorno ao atleta no futuro. Porém, nesta matéria, deixaremos sugestões de alongamentos mais voltados ao piriforme (e músculos com a mesma função que a dele). É importante salientar que estes exercícios não devem ser utilizados como forma de tratamento, e sim apenas como auxiliares.


O retorno ao esporte deve ser um processo gradual. O tempo de retorno dependerá da extensão da lesão e do nível de atividade praticada.


Veja mais:
Alongamento e Relaxamento
Dicas e Prevenção

13 Respostas para “Síndrome do Piriforme! Conhece?”

  1. De 6 meses para cá tenho sentido algo muito estranho quando
    jogo futebol.

    Após 20 minutos de jogo com o corpo quente, começo a sentir um
    dormência no tornozelo direito que logo passa também para o esquerdo
    e logo em seguida não sinto mais os meus pés e acabo caindo por
    este motivo.

    O que pode ser isso?

    Rodrigo

  2. muito legal o post..parabéns para quem o postou, explica tudo direitinho e corretamente.

  3. sinto dores na virilha direita e agora a esquerda tambem com os mesmos sintomas

  4. Gostei do post. Tenho dor na nádega que vai aumentando para a parte posterior da coxa e também na parte anterior do joelho, tudo na perna direita. A dor aumenta com o tempo que fico sentado e é maior dirigindo o carro. Fui no médico e ele me sugeriu pesquisar sobre Síndrome Piriforme. Também me deu relaxante muscular e fiz hoje exame de ressonância magnética, exatamente como sugegido neste post., para descartar problemas de coluna. Parabéns e acredito que o que tenho é exatamente Síndrome Piriforme.

  5. estou com sindrome do piriforme, faço tratamento com médico ortopedista, especialista em coluna e faço fisioterapia nos piriforme, não estou tendo melhora, gostaria de mais informações de exercícios, alongamentos e outras formas de tratamento, pois já fiz vária e continuo com muitas dores na região do piriforme, nas coxas e nas pernas, chego a não poder me mexer de um lado para outro. Obrigada.

  6. muito boa a matéria. estava precisando desses esclarecimentos.

  7. parabéns pelo conteúdo sobre sindrome piriforme,me ajudou muito.
    obrigado.

  8. Parabens pela materia muito esclarecedora. A dor que tenho realmente tenho realmente bate com a Sindrome do Piriforme. Já fiz ressonância e aguardando resultado. O dificil é parar de correr. Mas como quero correr até 83 anos vou fazer o meu melhor para isso

  9. Prezados, a 6 meses estou tratando da Síndrome do Piriforme. Infelizmente o diagnóstico não é claro nos exames de Ressonância, o que dificulta mto. Fiz do quadril, região sacro-ilíca e da lombar e não apareceu nada. Tomei mtos antinflamatórios e já fiz 30 sessões de fisio. Ainda sinto dor, principalmente quando dirijo por mto tempo e fico sentada. Voltar a fazer musculação é minha vontade primordial, mas no momento fica só na vontade…

  10. Ola, tem um ano que venho sofrendo com esta sindrome do piriforme, mas someone ha um mes que fui diagnosticada, a dor e muito intensa, doi demais , estou na fase aguda , ate para os afazeres domesticos doi, Tenho uma vida intensa, faco atividades fisicas todos os Dias ha mais de tres anos, treinava corrida 4vezes por semana, tudo sob orientacao profissional. A sensacao que Tenho e de que nunca mais vou poder correr, estou deprimida, a corrida e minha Vida, Tenho que me preparar para TTT(travessia Torres Tramandai) nao Tenho condicoes. Temporariamente vou suspender os treinos, vou substituir as corridas por deep running e os treinos de musculacao vai ser so abdome e braco. Existe algum tto revolucionario para este tipo de patologia? Se souberem me avisem, estou desesperada, nao aguento mais senator dor.

  11. Comecei sentido meus 3 dedos menores do pé esquerdo dormentes, agora já esta tambem na pte da frente na planta do pé. Algumas vezes sinto, uma pulsação como batida do coração que começa nestes dedos vai subindo pela perna até a cintura é uma sensação muito ruim e com dor, só passa quando chega na cintura

  12. Parabéns pela matéria, sinto exatamente os sintomas desta síndrome.
    Seria muito interessante se o autor indicasse alguns profissionais ou cita-se as especialidades necessárias para encontrarmos um profissional adequado para orientar no tratamento.

  13. Há dois meses venho sentindo esses sintomas. Pesquisei na internet e comecei a fazer os alongamentos específicos para a síndrome. Hoje só consigo sair da cama depois de fazer esses alongamentos. Parei com a natação e com o Pilates porque realmente não tenho condições nenhuma. Estou imprestável, triste, irritada, essa sensação de cãimbra não passa nem por um minuto, nem com remédio, não se tem sossego. Resolvi ir ao ortopedista e ele pediu raio X da bacia. Como já esperava, não apareceu nada. Agora vamos para a ressonância. E assim continuo …

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