Revista Contra-Relógio
// Cobertura //

São Paulo City Marathon

Edição 276 - SETEMBRO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Primeira edição da maratona paulistana foi realizada no dia 31 de agosto, juntamente com uma prova de 21 km, com pontos positivos e negativos.

Em julho, houve a estreia da Maratona de Uberlândia no começo do mês (com cobertura na Contra-Relógio de agosto) e, no final do mês passado, a primeira edição da São Paulo City Marathon, juntamente com uma prova de 21 km (Asics Golden Run), em São Paulo. Duas novidades no calendário brasileiro.
A largada das duas distâncias foi em frente ao Estádio do Pacaembu, com chegada no Jockey Club. O trajeto passou pelo Centro velho, subida da Brigadeiro (famosa pela Corrida Internacional de São Silvestre), Parque do Ibirapuera e dois túneis (Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros) como pontos comuns e de dificuldades na meia e nos 42 km. A maratona percorreu ainda a região do Parque Villa-Lobos e a USP (em um trajeto após o Jockey muito parecido com o da antiga Golden Four de 21 km, que teve cinco edições).
Foram três ondas de largada (às 6h, às 6h10 e às 6h20), com baias de ritmo entre elas (com fiscalização na entrada, mas desrespeitada por muitos corredores). Houve hidratação com água a cada 3 km, além de postos de isotônico. Dois pontos de gel de carboidrato, um de Pepsi com amendoim salgado, um de bala de goma, três de banana completaram o abastecimento. Grupos musicais foram espalhados pelo percurso (ouvir a melodia de Sampa, de Caetano Veloso, ao cruzar a Avenida Ipiranga com a São João foi um dos pontos altos). A organização disponibilizou vários banheiros químicos ao longo do trajeto, principalmente na região do Obelisco (em frente ao Parque do Ibirapuera).
Entre os pontos turísticos, os corredores passaram pelas avenidas Rio Branco, Ipiranga e São João, Largo do Arouche, Praça da República, Praça da Sé, Teatro Municipal, Viaduto do Chá, Prefeitura e Largo São Francisco, além de cruzar a Avenida Paulista, Ibirapuera, Jockey Club, Praça Pan-Americana, Parque Villa-Lobos e Universidade de São Paulo (USP).
"Consegui correr bem, apesar do percurso pesado, muitas subidas. Acredito que todos estavam preocupados com a subida da Brigadeiro, mas fomos surpreendido com a do túnel (Jânio Quadros). Para quem fez os 21 km, como eu, essa parte da prova foi muito difícil, mas falando sobre a corrida, acredito que ela veio para ficar. Organização teve algumas falhas? Sim, mas nada que ofuscasse o sucesso", afirmou Welington Barbosa, de Araraquara.

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GUARDA-VOLUME LENTO. Houve filas e demora na entrega dos pertences nos guarda-volumes na largada, com corredores ficando mais de 40 minutos, porém, na chegada, tudo funcionou com agilidade. Com largada e chegada em pontos diferentes, não houve a montagem das tendas de assessorias na região do Pacaembu (apenas no Jockey), o que ampliou o uso do guarda-volumes, com a demanda não sendo bem dimensionada pela organização (seriam necessários mais ônibus e mais gente trabalhando no staff).
A organização instalou vários tapetes de controle ao longo do percurso. Entretanto, faltaram na área do Centro velho e nos dois vaivéns dentro da USP (a reportagem da Contra-Relógio flagrou dois corredores cortando caminho nesse ponto, por exemplo, além de um terceiro em outra parte do trajeto). Tanto que, depois, houve problemas na divulgação dos resultados, que precisaram de análise e acerto durante alguns dias.
Um dos pontos mais positivos do evento foi a largada mais cedo do que o habitual (entre 6h e 6h20 para os amadores), o que garantiu que os atletas começassem a correr com uma temperatura amena, com o termômetro marcando 14°C. Durante o percurso a temperatura subiu pouco, alcançando a casa dos 17°C no momento da chegada da meia e 18°C na maratona. Como exemplo, mesmo alguém que tenha largada às 6h20 e concluído a maratona em 5 horas, terminou a prova às 11h20. A largada bem cedo foi exigência do departamento de trânsito da cidade.


CORTADORES DE CAMINHO. Como no ano passado, novamente, devido à premiação da medalha top 100 (para os 100 primeiros homens amadores) e top 20 (as 20 mulheres amadoras mais rápidas), tanto na maratona quanto na meia, teve gente cortando o percurso ou não fazendo o trajeto completo, principalmente nos 42 km, sem contar os casos de homens correndo com chip de mulher e alterando a classificação final.
O maratonista Adriano Bastos, por exemplo, postou nas redes sociais que terminou em 10º lugar na classificação geral, porém, na primeira divulgação de resultados, aparecia como 99º colocado (o que foi corrigido posteriormente com a atualização e verificação dos dados dos concluintes). Apesar de proibido pelo regulamento, nos dez dias que antecederam a prova, bastava acessar as redes sociais (principalmente o Facebook) para encontrar um verdadeiro anúncio de venda de inscrições.
Os "pipocas" também estiveram presentes em grande número (até porque as inscrições se encerraram rapidamente), sendo que um corredor dos 21 km (com a camisa da prova, mas sem número de peito/chip), saiu da fila da meia-maratona a 5 metros do pórtico (eram duas filas) e entrou na frente do ganhador da maratona, cortando a fita de chegada e estragando a festa de Raphael Magalhães, ganhador dos 42 km com 2:22:55. A cena foi filmada por fotógrafos presentes na chegada e disponibilizada pelo site Webrun (www.webrun.com.br). Entre as mulheres, a queniana Nelly Jepkurui foi a primeira colocada. Na meia-maratona, dobradinha brasileira, com Marilson Gomes dos Santos (1:04:41) e Valdilene Silva (1:17:40).


LOGÍSTICA E NÚMEROS. Um fator que mereceu muita discussão entre os corredores diz respeito à logística da prova, com o evento contando com três pontos muito distantes entre si, complicando principalmente para quem era de fora de São Paulo (mas que também não beneficiou os moradores da cidade).
A feira de entrega dos kits (dois dias, sexta-feira e sábado, com palestras e alguns estandes, além de produtos oficiais da prova) teve como local o Transamérica Expo Center (Santo Amaro), distante quase 2 km do metrô/trem e com o estacionamento custando o preço único de R$ 46! Isso se juntou à largada no Pacaembu e chegada no Jockey, com o ônibus disponibilizado pela organização no valor de R$ 20. Ou seja, só nesses três itens, o total chegou a R$ 216 (R$ 150 de inscrição, R$ 20 do ônibus e R$ 46 do estacionamento).
Em termos de números, com base na atualização dos resultados disponívelis no fechamento desta edição, foram 3.366 concluintes na São Paulo City Marathon (2.806 homens e 560 mulheres). Já nos 21 km, 9.204 corredores (5.698 homens e 3.506 mulheres) na Asics Golden Run. No total, 12.570 pessoas cruzaram a linha de chegada oficialmente. Mais informações em www.asicsgoldenrun.com. A terceira e última etapa do ano será a meia-maratona de Brasília, no dia 13 de novembro.
Se os resultados nos 42 km forem homologados pela CBAt, como deverá acontecer, eles valerão para o Ranking Brasileiro de Maratonistas, elaborado pela CR com base nos tempos em provas oficiais do país, e publicado na edição de janeiro, com direito ao Diploma de Maratonista para aqueles que conseguem entrar nessa listagem seletiva.



CONCLUINTES
Modalidade Total Fem. Masc.
Maratona 3.366 17% 83%
Meia 9.204 38% 62%


TEMPO MÉDIO DE PROVA
Modalidade Geral Fem. Masc.
Maratona 4h18 4h37 4h14s
Meia 2h07 2h15s 2h01


PERFIL ETÁRIO (21 km e 42 km)
Faixa Geral Fem. Masc.
Até 29 anos 11% 13% 10%
De 30 a 39 anos 42% 43% 43%
De 40 a 49 anos 31% 31% 31%
De 50 a 59 anos 12% 11% 12%
Acima de 60 anos 4% 2% 4%

FAIXA DE TEMPO DOS CONCLUINTES NA MEIA
Tempo (h:min:seg) Ritmo (min/km) Geral Feminino Masculino
De 1:03:18 a 1:15:00 De 3:00 até 3:34 22 (0,2%) 1 (0,001%) 21 (0,4%)
De 1:15:01 a 1:30:00 De 3:34 até 4:16 219 (2,4%) 17 (0,5%) 202 (3,6%)
De 1:30:01 a 1:45:00 De 4:16 até 4:59 1045 (11,4%) 123 (3,5%) 922 (16,2%)
De 1:45:01 a 2:00:00 De 4:59 a 5:42 2513 (27,3%) 669 (19,1%) 1844 (32,4%)
De 2:00:01 a 2:15:00 De 5:42 a 6:24 2384 (25,9%) 1017 (29%) 1367 (24%)
De 2:15:01 a 2:30:00 De 6:24 a 7:07 1795 (19,5%) 948 (27%) 847 (14,9%)
De 2:30:01 a 2:45:00 De 7:07 a 7:50 775 (8,4%) 460 (13,2%) 315 (5,5%)
De 2:45:01 a 3:00:00 De 7:50 a 8:32 293 (3,3%) 177 (5%) 116 (2%)
Acima de 3:00:00 Acima de 8:32 148 (1,6%) 93 (2,7%) 55 (1%)


FAIXA DE TEMPO DOS CONCLUINTES NA MARATONA
Tempo (h:min:seg) Ritmo (min/km) Geral Feminino Masculino
De 2:15:01 a 2:30:00 Até 3:34 4 (0,1%) 0 4 (0,1%)
De 2:30:01 a 2:45:00 De 3:34 a 3:55 10 (0,3%) 0 10 (0,4%)
De 2:45:01 a 3:00:00 De 3:55 a 4:16 53 (1,6%) 4 (0,7%) 49 (1,8%)
De 3:00:01 a 3:15:00 De 4:16 a 4:38 101 (3%) 3 (0,5%) 98 (3,5%)
De 3:15:01 a 3:30:00 De 4:38 a 4:59 233 (6,9%) 14 (2,5%) 219 (7,8%)
De 3:30:01 a 3:45:00 De 4:59 a 5:20 361 (10,8%) 19 (3,4%) 342 (12,2%)
De 3:45:01 a 4:00:00 De 5:20 a 5:42 528 (15,7%) 56 (10%) 472 (16,9%)
De 4:00:01 a 4:15:00 De 5:42 a 6:03 393 (11,7%) 72 (12,9%) 321 (11,5%)
De 4:15:01 a 4:30:00 De 6:03 a 6:24 447 (13,3%) 95 (17%) 352 (12,6%)
De 4:30:01 a 4:45:00 De 6:24 a 6:46 389 (11,6%) 79 (14,1%) 310 (11,1%)
De 4:45:01 a 5:00:00 De 6:46 a 7:07 298 (8,9%) 78 (14%) 220 (7,9%)
De 5:00:01 a 5:15:00 De 7:07 a 7:28 174 (5,2%) 34 (6,1%) 140 (5%)
De 5:15:01 a 5:30:00 De 7:28 a 7:50 155 (4,6%) 41 (7,3%) 114 (4,2%)
De 5:30:01 a 5:45:00 De 7:50 a 8:11 103 (3,2%) 32 (5,7%) 71 (2,5%)
De 5:45:01 a 6:00:00 De 8:11 a 8:32 55 (1,6%) 12 (2,2%) 43 (1,5%)
De Acima de 6:00:01 Acima de 8:32 49 (1,5%) 20 (3,6%) 29 (1%)



OS PÓDIOS
42 km - Masculino
1 - Raphael Magalhães - 2:22:55
2 - Antonio Santos - 2:28:49
3 - Marcio Silva - 2:28:51
4 - Cesar Martins - 2:29:07
5 - Tiago Silva - 2:34:57


42 km - Feminino
1 - Nelly Jepkurui (Quênia) - 2:49:44
2 - Simone Ferraz - 2:58:09
3 - Noeme Pereira - 2:58:30
4 - Conceição Oliveira - 3:01:13
5 - Grazeille Pedroso - 3:04:12


21 km - Masculino
1 - Marilson Gomes dos Santos - 1:04:41
2 - Giovani dos Santos - 1:04:42
3 - Damião Ancelmo de Souza - 1:04:54
4 - Kiprok Mutai (Quênia) - 1:06:36
5 - Antonio Lima - 1:06:36


21 km - Feminino
1 - Valdilene Silva - 1:17:40
2 - Noreen Kimutai (Quênia) - 1:20:28
3- Giovanna Martins - 1:21:56
4 - Dione Chillemi - 1:22:23
5 - Larissa Moreira - 1:24:00



OPINIÃO
Ana Maria Minarelli Gaspar, de Araraquara
"As minhas impressões sobre a São Paulo City Marathon foram algumas positivas e outras nem tanto:
Positivas: kit razoável; organização em relação ao envio de mensagens sobre como seria a prova; horário e consequente temperatura favorável; grupos de música muito bons; bom apoio no trajeto, como água, Gatorade, fruta etc; medalha bonita.
Negativas: local para buscar o kit longe, com poucas alternativas de transporte e estacionamento caríssimo; largada e chegada em locais diferentes com logística difícil, mesmo a organização disponibilizando ônibus pago; sistema de guarda-volumes no Pacaembu muito deficiente - o meu ônibus era o segundo e havia uma única pessoa para guardar e uma fila única gigantesca; já o guarda-volumes no Jockey era no lado oposto ao da chegada e da arena do evento... uma dureza para quem fez uma maratona e, para piorar, o ônibus para ir embora estava no lado oposto ao do guarda-volumes. No ônibus que tomei, por exemplo, o motorista não sabia como chegar ao Pacaembu e os corredores auxiliaram no trajeto - quando chegou na Pacaembu, o motorista ficou dando voltas ao redor da praça ao invés de estacionar onde todos os outros estavam; má vontade das pessoas que entregavam a medalha. Caramba, realmente as pessoas não sabem a dureza que é completar os 42 km, e o mínimo que se espera é um sorriso no rosto e um parabéns... Ficaram devendo.
Sugestões: Pode-se pensar em locais diferentes de largada e chegada, mas que a organização planeje ônibus que leve os corredores à largada, como ocorre em diferentes corridas no exterior, como Boston, ou aqui no Brasil, como a Subida da Graciosa ou a Maratona e Meia do Rio de Janeiro."


Fernando de Faria Rocha, de Osasco
"Valor da inscrição (R$ 150) foi normal para o padrão que temos em São Paulo. Na feira, um absurdo o estacionamento a R$ 46 e completamente distante dos locais de prova. Deveria ser em um ponto mais centralizado. A retirada do kit foi ótima e rápida, mas os estandes estavam muito ‘amontoados' na expo e a loja da Asics sempre com problemas de fila para o caixa. No dia da prova, quase me atrasei para a largada devido ao guarda-volumes. Apenas uma pessoa para receber as bolsas e outra jogando dentro do ônibus. Fiquei mais de 30 minutos para deixar a mala. A organização das baias foi furada, não consegui entrar no Pelotão A, que era o meu. Estava lotado e com gente pulando após ficar no guarda-volumes. Hidratação perfeita, tanto do isotônico em saquinho quanto da água. Só fiquei perdido na chegada, pois não vi as tendas de massagem, que estavam bem distantes do local onde estacionaram os ônibus do guarda-volumes. Horário da largada muito bom."


Alessandro Antônio Guimarães, de São Paulo
O assinante fez uma comparação entre as duas provas de São Paulo:



"São Paulo City Marathon
Vale cada R$ 1,00 gasto, preço adequado ao tamanho do evento.
Guarda-volumes péssimo na ida e na volta.
Medalha bela, grande e tem a top 100 (masculino) e top 20 (feminino).
Abastecimento: tive a sensação de ter almoçado na prova, tamanha a fartura de itens.
Kit da prova básico, mas com boa qualidade.
Horário de largada perfeito, mesmo tendo que acordar de madrugada. Acredito que o café da manhã foi um pouco complicado para quem estava hospedado em hotéis.
Banheiros químicos em grande quantidade na largada e no percurso.
Trajeto agradável, não tão fácil, mas um verdadeiro passeio pela cidade de São Paulo. Muito ousado fechar tantas ruas, mas havia trechos para cortar caminho com facilidade.
Arena pós-chegada enorme, com agito, e os ônibus do traslado funcionando bem, mas a chegada não é tão emocionante. Na reta final, a gente faz uma curva e não sente aquela sensação de ver o pórtico a certa distância, a ponto de se emocionar e lembrar de tudo o que foi treinado.
Boa animação no percurso.


Maratona de São Paulo
Vale cada R$ 1,00 gasto. Preço adequado ao tamanho do evento, mas tem valor promocional para inscrições antecipadas, além de desconto para os assinantes da CR.
Guarda-volumes ótimo na ida e na volta.
Medalha bela.
Abastecimento bom e útil.
Kit da prova básico, mas também de boa qualidade, além de ter bastante brinde.
Horário de largada ruim, devido ao calor e poluição, porém facilita a hospedagem de hotéis na região e estacionamento em diversas ruas na região do Ibirapuera (ponto de largada e chegada dos 42 km, além da entrega dos kits).
Banheiros químicos em grande quantidade na largada, mas poucos no percurso.
Trajeto um pouco duro, mas boa parte agradável.
Arena pós-chegada de fácil dispersão.
Linha de chegada bem emocionante. Boa animação no percurso."



O desafio de duas maratonas em São Paulo
A cidade de São Paulo passa a contar com duas maratonas, uma em cada semestre. Início de abril (dia 2 ou 9) e final de julho (dia 30) de 2017, pelo calendário divulgado pelas organizadoras (Yescom e Iguana, respectivamente). Um desafio não enfrentado pelas principais metrópoles com provas de 42 km. Chicago, Nova York, Tóquio, Rio de Janeiro, Berlim, Barcelona, Paris, Buenos Aires e Londres, entre outras, podem até ter provas "menores", mas a maratona da cidade é apenas uma e, todas, sem exceção, reunindo um número muito superior do que somadas as duas na capital paulista, com referência nos números deste ano: 4.532 na Maratona de SP e 3.366 na SP City Marathon.

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