Revista Contra-Relógio
// Retrospectiva //

Retrospectiva dos 24 anos da revista

Edição 290 - NOVEMBRO 2017 - TOMAZ LOURENÇO

Nesta edição, a segunda matéria da série, abordando os principais fatos e artigos publicados na CR, de outubro 1995 a setembro 1997.

No mês passado, terminamos falando da inserção de um anúncio da Maratona de São Paulo, na edição de setembro 95. Era a volta dessa corrida, agora organizada pela Koch Tavares, e que premiava com um carro os melhores brasileiros. Com recursos da Prefeitura e forte divulgação na TV Globo, a prova reuniu 5 mil corredores, com listagem completa publicada em novembro e dezembro.
Também a publicidade da 1ª Maratona de Curitiba, organizada pelo Santa Mônica Clube de Campo, e a da Extramaratona de 100 km, promovida pelo Extra Hipermercados, em Campinas. Começam os anúncios da Kamel Turismo, da loja Ironman, de Curitiba, e da Polar, que se manteriam por vários anos, assim como a participação da primeira marca de tênis na revista, a Asics.
Nas coberturas, o bicampeonato de Valmir Nunes no Mundial de 100 km e a Corrida de Jacobina, com sua profusão de troféus (410!). Ainda na edição de novembro, o novo sucesso do Revezamento Pão de Açúcar. A revista decide participar ativamente da organização e promoção da Maratona de Ribeirão Pires, em março 96.
Na revista de janeiro 96, cobertura especial da Maratona de Nova York, publicando-se os resultados dos 300 brasileiros presentes. Na de fevereiro a grande vitória de Carmem de Oliveira na 71ª São Silvestre, a primeira de uma brasileira, depois de ficar em segundo lugar por 4 vezes (85, 90, 92 e 93). No masculino, Paul Tergat começaria sua carreira de vitórias na prova e que motivaria a revista a abordar a ascensão meteórica dos quenianos pelo mundo.
A CR apresentou uma avaliação dos participantes na SS, mostrando que eles estavam correndo mais rápido, na comparação de 92 com 95, com exemplos, como o 1000º classificado, que terminou em 1:04:40 e 59:43 nos dois anos citados. Novamente, resultados completos (559 mulheres e 7.244 homens) em um caderno especial, com outro papel e passível de ser descartado da revista.
Como reflexo da atuação da CR para a melhora e valorização das provas e seus participantes, a Confederação Brasileira de Atletismo - CBAt decide implantar o Cadastro do Corredor de Rua, concedendo a carteirinha correspondente aos solicitantes.
Na edição de março 96, o Ranking de Maratonistas, pelo terceiro ano, com a classificação geral e por idade, sem limitação de tempo. Em função das poucas e modestas provas por aqui, o Ranking também considerava os brasileiros em Nova York, Santiago, Paris e Boston.
Em abril, a publicidade da volta da Maratona do Rio, no final desse mês. No editorial, um puxão de orelha nos corredores, pelo lixo que deixavam após as provas, assim como nos organizadores, que não faziam a medição precisa dos percursos, e entregavam medalhas e camisetas apenas aos primeiros 50 ou 100 colocados, com a desculpa de falta de recursos, já que cobravam pouco ou nada na inscrição.

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COBERTURAS E ANÚNCIOS DE CORRIDAS. Cobertura das provas e muitos anúncios de corridas continuam ocupando o maior número de páginas, até porque a CR era a única mídia no segmento. Também começamos a chamar atenção para os "cortadores de caminho", comuns naquela época em que havia premiação em dinheiro nas categorias, por vezes denunciando e nomeando tais corredores.
Na CR de junho 96, cobertura da 1ª Volta à ilha (Florianópolis), que abordaríamos por vários anos e que transformou essa prova organizada por Carlos Duarte em enorme sucesso. Destaque também para a publicidade de banheiros químicos, decorrente de uma das bandeiras da revista, para que tal conforto fosse oferecido aos participantes das provas.
E no editorial dessa edição, o chamamento para que se estabelecesse um calendário para as maratonas brasileiras, que estavam concentradas no primeiro semestre (Ribeirão Pires, Brasília, Rio, Porto Alegre, SP, Floripa, Dourados, Recife e Blumenau) e apenas uma (Curitiba) no segundo. A Asics passa a patrocinar o Caderno de Resultados, que tem grande importância para os corredores, na medida em que era o único lugar em que saíam as marcas alcançadas.
O português José Gonçalves começa, em setembro, sua colaboração na revista, com a seção "Isto é história", abordando principalmente pista e campo. Em outubro, o logo da revista se altera, por criação do então editor de arte, Eduardo Príncipe, substituído por Márcia Gregori a partir de dezembro.
O empenho da revista para a evolução das corridas de rua no Brasil, com críticas e sugestões aos organizadores, ganha o apoio da CBAt, ao criar, em parceria com a CR, normas para que as provas tenham seus resultados homologados, notadamente o percurso aferido (pouquíssimas o tinham, mesmo as tradicionais e importantes).


RANKING SELETIVO. O Ranking de Maratonistas passa a ter tempos-limite e a considerar apenas as provas oficiais brasileiras, que seguissem o critério de idade (no último dia do ano) da CR. A listagem agora é por faixa etária. Na SS, terminam 663 mulheres e 8.045 homens. Apesar da melhora gradativa da organização de provas, em muitas ainda acontecem filas antes da linha final, tornando os resultados absolutamente sem sentido. O chip ainda estava em seus primórdios, daí esses finais caóticos. Nesse sentido, em março publicávamos a matéria "Como fazer um funil correto". E nos 10 Km Tribuna de Santos, a estreia da apuração eletrônica.
Em abril, a CR lançava, em parceria com a Kamel Turismo, a promoção de sorteio de 4 pacotes para a Maratona de Nova York, entre seus assinantes. A Corpore passa a ter uma página mensal informativa na revista. Ayrton Ferreira se mantém como o principal colaborador, assim como o fotógrafo Tião Moreira. A seção de "Cartas" (nada de internet ainda...) é uma das mais expressivas, com inúmeras participações de leitores, com suas dúvidas, queixas e relatos. A revista continua cumprindo bem o seu papel de informar, valorizar e defender os corredores brasileiros, em setembro de 1997.



Principais colaboradores
Ayrton Ferreira - Treinamento e história
Benê Turco - Pista e campo
Lísia Kiehl - Nutrição
Jeferson Vianna - Fisiologia
Lauro Vargas - Atletismo veterano
Derrick Marcus - Notícias do mundo
José Clemente Gonçalves - História
Rodolfo Eichler - Medição de percurso
Ana Maria Pestana - Psicologia
José Carlos Seixas - Monitoramente cardíaco
Marco Antonio de Oliveira - Técnica de corrida
Elizabet Olival - Turismo e viagem
Henrique Viana - Treinamento e medicina



Campeões das corridas mais importantes no período
Dez Milhas Garoto 95: Adalberto Garcia (47:21); Viviany Anderson (56:24)
10 Km Pontal do Gragoatá (RJ) 95: Delmir dos Santos (29:01) e Viviany Anderson (34:21)
Maratona de SP 95: Luiz Antonio dos Santos (2:17:11); Sibélia Vasconcelos (melhor BR-3ª)
Mundial de Meia-Maratona (França) 95: Delmir dos Santos (6º, em 1:02:32)
Meia de Buenos Aires 95: André Luiz Ramos (1:02:03); Delirde Bernardi (melhor BR-3ª)
Brasileiro de Meia-Maratona 95: Valdenor dos Santos (1:01:54); Roseli Machado (1:13:37)
Maratona de Fukuoka 95: Luiz Antonio dos Santos (2:09:39 - recorde sul-americano)
Maratona de Curitiba 95: Odiles Marçal (2:19:32); Maria Auxiliadora Venâncio (2:50:40)
Corrida de São Silvestre 95: Carmem de Oliveira (50:53); Vanderlei Cordeiro (melhor BR-5º)
Maratona de Tóquio 96: Vanderlei Cordeiro (2:08:38 - recorde sul-americano)
Maratona de Brasília 96: Neilor Pazin (2:23:12); Berenice Meira (2:49:19)
Maratona do Rio 96: Elisvaldo de Carvalho (2:16:55); Márcia Narloch (2:44:56)
Maratona de Porto Alegre 96: Luís Carlos Ramos (2:18:39); Maria Lourdes Bizoto (2:44:30)
Maratona de São Paulo 96: Janete Mayal (2:41:40); André Luiz Ramos (melhor BR-4º)
Maratona de Blumenau 96: Edson Pereira Souza (2:16:13): Nercy Freitas da Costa (2:44:30)
Brasil é bronze nos 4x100 m da Olimpíada de Atlanta 1996
Corrida de São Silvestre 96: Roseli Machado (52:32); Vanderlei Cordeiro (melhor BR-3º)
Maratona de Brasília 97: Valdenor dos Santos (2:16:56): Viviany Anderson (2:44:12)
Maratona do Rio 97: Elisvaldo de Carvalho (2:19:38): Luciene de Deus (2:49:34)
Maratona de Porto Alegre 97: Valmir Carvalho (2:15:09); Lídia Karwowski (2:43:57)
Maratona de SP 97: Viviany Anderson (2:42:13); Diamantino dos Santos (melhor BR-2º)
Maratona de Blumenau 97: Valmir Carvalho (2:18:36); Nercy Freitas da Costa (2:47:06)
Dez Milhas Garoto 97: Ronaldo da Costa (47:21); Rizoneide Vanderley (56:43)

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