Revista Contra-Relógio
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Recordes pulverizados

Edição 276 - SETEMBRO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Com base no nível técnico, as duas principais provas do atletismo no Rio de Janeiro foram os 10.000 m para mulheres e os 400 m no masculino, com marcas mundiais antigas sendo batidas.

Logo na manhã de abertura, no primeiro dia de disputas (12 de agosto) e na primeira final, os 10.000 m para mulheres foram os mais fortes da história, com o recorde mundial sendo superado após 23 anos. Na sequência, dois dias depois, caiu o tempo de Michael Johnson nos 400 m, que já durava 17 temporadas.
A etíope Almaz Ayana corria pela segunda vez a prova de 10.000 m. Ela partiu sozinha a partir da metade, em uma briga literalmente contra o relógio, acelerando volta após volta para vencer com o recorde mundial de 29:17.45. Inclusive, essa foi a competição da distância mais forte da história, com as quatro primeiras colocadas correndo abaixo de 30 minutos e do recorde olímpico anterior.
A melhor marca do mundo na distância era da chinesa Wang Junxia, 29:31.78, estabelecida em 1993 e motivo de muita desconfiança, por possível doping, quando Ayana tinha apenas dois anos de idade. Permaneceu imbatível por 23 anos. Ao todo, das 35 atletas que cruzaram a linha de chegada, 18 quebraram recordes nacionais ou ao menos estabeleceram as melhores marcas da carreira.
A segunda colocada foi a queniana Vivian Cheruiyot (29:32.53), com o bronze ficando com a também etíope Tirunesh Dibaba (29:42.56). Em quarto lugar chegou a queniana Alice Aprot Nawowuna (29:53.51), que liderou a primeira metade e fez um tempo mais baixo do que o recorde olímpico vigente até então, estabelecido por Dibaba em Pequim-2008 (29:54.66). Para se ter uma ideia do nível, as quatro corredoras têm agora o primeiro, o terceiro, o quarto e o quinto tempos mais rápidos nos 10.000 m da história. Única brasileira na prova, Tatiele Roberta de Carvalho foi a 31ª colocada, com 32:38.21.

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400 METROS - No dia 14 de agosto, um domingo de calor no Rio, outra marca antiga foi batida. A expectativa era de que o recorde olímpico, que já durava 20 anos nos 400 m, caísse, o que realmente ocorreu. O que poucos esperavam é que o melhor tempo mundial fosse superado. Inclusive o ex-recordista, o norte-americano Michael Johnson, o "Pato", estava no Estádio do Engenhão como comentarista de televisão e parecia não acreditar no resultado.
Com impressionantes 43.03, o sul-africano Wayde Van Niekerk baixava em 0.15 o tempo de Johnson (obtido no Mundial de Atletismo de Sevilha em 1999) para ser medalha de ouro. O pódio teve Kirani James, de Granada (43.76), e o norte-americano LaShawn Merritt (43.85). Novamente, o nível técnico foi excelente, com os três primeiros correndo abaixo dos 44 minutos e o quarto colocado, Machel Cedenio, de Trinidad e Tobago, fazendo 44.01.


BALANÇO - A competição de atletismo dos Jogos do Rio contou com 200 equipes - 199 países e uma dos refugiados. Além dos 10.000 m para mulheres e dos 400 m no masculino, houve a quebra do recorde mundial do lançamento do martelo pela polonesa Anita Wlodarczyk. No total, foram oito recordes olímpicos, dez de área e 95 nacionais estabelecidos na Olimpíada.
De acordo com o presidente da IAAF, o inglês Sebastian Coe, foi uma "semana notável no Rio de Janeiro, com o atletismo em seu melhor nível". "O canto da torcida de ‘Usain Bolt, Usain Bolt', que reverberou ao redor do Estádio Olímpico, ecoará para as próximas décadas. Os historiadores não deixarão de fazer a comparação com a multidão louvando outra lenda nos Jogos de 1952, com ‘Zatopek, Zatopek'", comparou Coe, referindo-se ao tcheco Emil Zatopek, a Locomotiva Humana, único competidor a vencer os 5.000 m, os 10.000 m e a maratona em uma mesma edição do evento.
No atletismo, os norte-americanos se destacaram, com 13 medalhas de ouro, 10 de prata e 9 de bronze. O segundo lugar foi disputado por Quênia e Jamaica, com desempate nas medalhas de prata (6 a 3), pois ambos ficaram com seis de ouro. Os jamaicanos brilharam na velocidade, com ouro nos 100 m e 200 m (masculino e feminino), nos 110 m com barreiras e no revezamento 4x100 m, ambos para homens. Já os quenianos foram muito bem no meio-fundo e fundo, além da maratona. Os ouros vieram nos 5.000 m (Vivian Cheruiyot), 800 m (David Rudisha), 1.500 m (Faith Kipyegon), 3.000 m com obstáculos (Conseslus Kipruto) e nas duas maratonas.



Pódio triplo inédito
O pódio dos 100 m com barreiras foi todo das norte-americanas. Pela primeira vez na história, três corredoras de um mesmo país foram ouro, prata e bronze. Até então, por cinco vezes, houve duas da mesma nacionalidade no pódio da distância. Brianna Hollins ganhou com 12.48, seguida por Nia Ali (12.59) e Kristi Castlin (12.61).


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