Revista Contra-Relógio
// Como funciona //

CORRIDA COM OU SEM MÚSICA

Edição 240 - SETEMBRO 2013 - AULUS SELLMER

A resposta para essa questão é direta e muito particular. Inclusive, você já deve ter respondido. E a reflexão se torna ainda mais interessante quando desmembramos suas variáveis.

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Se respondeu "Corrida com música, sempre", chegará naturalmente a outra pergunta: "Mas se eu correr sem música, melhorará meu desempenho?".
Pesquisas apontam que não utilizar os fones de ouvido aproxima as pessoas dos sons produzidos pelo ato de correr, como respiração, batimentos cardíacos, tensão muscular, impacto das passadas. Essas são informações preciosas, pois fornecem retorno imediato sobre seu esforço. Geralmente, pessoas que optam pela opção "sem música" têm a performance nos treinos e competições como prioridade.
Mas voltando aos questionamentos iniciais, temos a corrente dos que preferem "corrida sem música". Será que esse grupo melhoraria seu desempenho se corresse ouvindo música?
Estudos que defendem o uso de fones de ouvido colocam a música como um "anestésico", isto é, a corrida parece mais fácil, reduzindo a percepção de intensidade do exercício em cerca de 10%. Um estímulo externo como a música é capaz de literalmente bloquear alguns dos estímulos internos que tentam chegar ao cérebro, como mensagens sobre fadiga enviadas por músculos e órgãos do nosso corpo. Quando essas mensagens são bloqueadas, a percepção de esforço do corredor é reduzida e se tem a sensação de que é possível correr mais rápido e por mais tempo. Por isso, a música pode ajudar no desempenho, já que trabalha na questão emocional do corredor.
A música também eleva o humor, trazendo entusiasmo e felicidade, enquanto reduz aspectos negativos, como tensão, cansaço e confusão. Dessa forma, ela poderá ajudar no desempenho, trabalhando a questão emocional do corredor.
Só existe uma situação em que a música não exerce nenhuma influência. Isso se dá em níveis extremos de esforço, quando o organismo trabalha somente com estímulos internos. Nessa situação, que geralmente é a partir de seu limiar anaeróbio, correr com música não é recomendado.
Em minha opinião, os benefícios da música tendem a se manifestar em corridas de intensidades leves e moderadas. Minha sugestão é contar com ela nos dias de treino mais leves, caso precise de um estímulo. No meu caso, sinceramente, sem música, tenho grandes chances de abortar a corrida. Nessas ocasiões, a intensidade não é maior do que 60% do meu máximo, uma intensidade que não prejudica meu nível de atenção com o mundo exterior.
Já para intensidades médias e fortes, a atenção precisa ser redobrada e a música pode atrapalhar. Ainda mais se for uma corrida na rua, onde os carros transitam livremente, o que não aconselho de forma alguma. Opte em correr com música em parques, na praia ou em locais em que o risco de acidentes seja praticamente zero.
Outra situação que não indico é correr ouvindo música quando estiver treinando com um grupo. Aí é uma questão de educação, pois nada melhor do que jogar conversa fora em uma corrida leve com seus colegas.

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