Revista Contra-Relógio
// Medicina Esportiva //

Problemas diversos; Joelho de corredor; Hérnia de disco; Bursite no fêmur;

Edição 196 - JANEIRO 2010 - JOSÉ MARQUES NETO


PROBLEMAS DIVERSOS
No verão de 2007 descobri que estava com esporão de calcâneo no pé esquerdo, justamente na época em que tinha resolvido começar a participar de corridas de rua. Quando fui fazer exames periódicos no meu ginecologista, que corre faz um tempão, eu reclamei para ele da dor no calcanhar, e ele falou que conhecia um monte de gente, inclusive seu irmão que corria com este problema. Eu pensei: por causa de um ossinho? A dor não vai me derrubar. Comecei a treinar e minha primeira prova foi de 10 km no Ibirapuera. A dor não passava; fiz infiltração e não adiantou. Depois fui a outro médico, fiz mais duas infiltrações e palmilhas especiais, exame de baropodometria e fui levando. Para piorar, acompanhada do esporão, uma fascíte plantar que não me abandona de jeito algum. Mas isso não é nada: quando corria, meus pés na área próxima aos dedos davam uma sensação de queimadura. Pedi uma ressonância para o médico, e adivinhem o que apareceu? Neuroma de Morton. Isso me deu uma desanimada e não quero operar, porque acho que é trocar seis por meia dúzia. Estou fazendo acupuntura, vamos ver se melhora. Vocês conhecem alguém que melhorou com algum tipo de fisioterapia para esses meus problemas
Janet Sanchez, São Paulo, SP


Vamos por partes: a formação do esporão de calcâneo, erroneamente denominado desta forma, pois na verdade é uma espícula óssea, é consequente ao processo de encurtamento da fáscia plantar e desenvolvimento da fasciite que você menciona possuir, que também tem um nome mais adequado atualmente: fasciopatia plantar. Definitivamente não creio que o tratamento com infiltrações seja o mais indicado, e sim um trabalho fisioterápico com alongamento de toda cadeia posterior do corpo e principalmente a fáscia plantar, além de massagens locais com gelo e fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé, tantas vezes orientados por excelentes matérias sobre o tema publicadas na Contra Relógio. Já o neuroma de Morton se constitui de um enovelado de tecido neurológico, provavelmente advindo de um processo degenerativo do nervo, que pode culminar com uma cirurgia para a retirada do mesmo. Uma tentativa é o uso de palmilhas com elevação da parte anterior, chamada de piloto metatarsal, que pode trazer algum alívio para o paciente. Na edição de novembro da revista o tema foi muito bem abordado, com orientações para o tratamento conservador e medidas preventivas.

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JOELHO DE CORREDOR
Tenho condropatia patelar, e meu joelho sofre uma crepitação (estalo) quando corro. Já fiz 40 sessões de fisioterapia e o crepitar não acabou, e a dor no joelho vai e volta. Faço muito alongamento e não sinto melhoras. Qual o melhor jeito de turbinar o tratamento?
Diogo Barbosa Godinho, Conselheiro Lafaiete, MG


Seja paciente, pois tratamentos ortopédicos não devem ser acelerados, e sim mantidos com dedicação e persistência. A condromalácia é uma situação de desgaste da cobertura de cartilagem dos ossos que compõem a articulação do joelho (tíbia, fêmur e patela), e difícil de ser controlada. A crepitação deve continuar, e seu objetivo deve ser o controle da dor. O aumento de peso por parte do paciente deve ser evitado a todo custo, pois este é o fator mais importante de piora da condropatia patelar. Além dos alongamentos, tente ingressar em um programa de fortalecimento muscular, principalmente para membros inferiores, mas superiores também, procurando desenvolver seus músculos para que você tenha um suporte adequado para seus joelhos. Também invista em atividades aeróbicas na água para poupar seus membros inferiores, alternando com sua corrida. Vale a pena tentar o uso de condroprotetores, como glicosamina e condroitina, para uma tentativa de proteção maior. Discuta com seu médico a respeito disso.


HÉRNIA DE DISCO
Gostaria de saber se conhecem algum caso de pessoas que depois de uma operação de hérnia, voltaram a correr normalmente. Fiz essa operação há 3 meses e num esforço mais forte sinto um pouco de dor no local. Sou maratonista e não aguento mais esse repouso. Peço uma luz, por favor. O meu médico não quer dizer se eu voltarei ou não a correr, não sei porque.
Aloysio Carvalho, Juiz de Fora, MG


A hérnia discal, imaginando ser este tipo de hérnia a qual você se refere, pois também existem outros tipos (inguinal, umbilical, hiatal...) representa um enfraquecimento do anel externo do disco intervertebral, cujas fibras se rompem e permitem o extravasamento do conteúdo gelatinoso de seu interior, denominado núcleo pulposo, que encosta nas raízes nervosas da medula espinhal, pressionando-as e causando as fortes dores que o paciente apresenta em seu quadro clínico. Conheço sim pacientes que retornaram à corrida após este tipo de cirurgia, mas também conheço outros que optaram pela mudança de atividade física. Seu médico é o profissional mais indicado neste momento para avaliar suas possibilidades de retorno ao esporte, pois realizou a cirurgia e constatou as alterações anatômicas que você apresentava. Enquanto isso, não permaneça parado, e discuta com ele quais atividades você pode realizar neste momento.


BURSITE NO FÊMUR
Estou com uma bursite troncariana, fiz 4 infiltrações e nada de resultado. Fisio também não resolve. Estou com o problema desde fevereiro do ano passado, quando estava aquecendo para correr uma prova no Paraguai. Não sei mais o que fazer; minha região é fraca de médicos para medicina esportiva. Poderiam indicar alguém para me ajudar? Sou atleta desde os 14 anos (hoje tenho 31), com vários pódios importantes e me acho novo para ficar parado como estou; não consigo nem caminhar direito.
Gilmar Debus, por e-mail


A bursite trocanteriana é uma inflamação crônica de uma estrutura chamada bursa tocantérica, localizada na parte lateral do fêmur (osso da coxa), palpável ao exame físico e dolorosa quando se distende pela acúmulo de líquido na inflamação, cuja função é diminuir o atrito entre as estruturas miotendíneas e os relevos ósseos que estão presentes nesta região. O trtamento inicial é conservador, ou seja, medidas fisioterápicas para a melhora da dor, e após esta fase exercícios de alongamento e fortalecimento da musculatura regional. Não creio que deva insistir nas infiltrações no local, já que o medicamento utilizado normalmente é um corticóide, e, portanto, com efeitos colaterais importantes. Procure um fisioterapeuta para lhe ajudar no caso.


ESCLEROSE NO QUADRIL
Desde agosto de 2007 estou procurando a causa da dor lateral no meu quadril esquerdo, com visitas freqüentes ao ortopedista. E sempre recebi a mesma resposta: "Você não tem nada". Fiz RX, TC e REM, mas o médico continuou dando o diagnóstico que não tinha nada. Recentemente fui a outro ortopedista, que solicitou outro RX, feito em hospital, e o laudo foi o seguinte: esclerose marginal das articulações do sacro ilíacas, e degeneração da bacia, mas os desníveis não foram mencionados. Este ortopedista também me informou que não tenho nada, recomendando apenas fisioterapia para bursite. A minha pergunta é a seguinte: o que é esclerose marginal das articulações do sacro ilíacas? E quanto ao desnível acredito que tenha a ver com a escoliose que tenho e a bursite. Já passei por um erro médico em 2002, ao ser ignorada a causa da minha hipertensão; o laudo do médico foi estresse, que não procurou a causa através de exames complementares (creatinina); resultado: meus rins atrofiaram e precisei fazer hemodiálise com urgência. Gostaria de umas dicas; não vou mais ao ortopedista, irei agora ao reumatologista.
Cláudia Maria Romeiro, por e-mail


Bons e maus profissionais existem em qualquer área da atividade humana, e portanto não creio que deva basear sua opinião em relação aos ortopedistas após consultas com dois profissionais diferentes. Talvez o que procuraram dizer a você foi que seu problema não é "nada de grave", mas certamente você apresenta alguma alteração no quadril esquerdo, seja estrutural ou funcional, responsável pela sua dor. A esclerose marginal das articulações sacro-ilíacas mencionada no laudo de seu RX representa um desgaste desta articulação, que pode ser palpada na região lateral lombar, um pouco afastada do local de sua dor. Já a degeneração da bacia também representa um desgaste da cartilagem presente na articulação do quadril, entre os ossos do fêmur (coxa) e acetábulo (bacia), e pode explicar seu quadro clínico. Você menciona ter escoliose, que representa uma alteração importante do eixo de sua coluna vertebral e necessita ser investigada e acompanhada por um ortopedista, pois pode contribuir para suas dores. Você sofreu algum trauma direto no quadril? Quedas? Acidentes? Outra hipótese diagnóstica a ser considerada é a bursite de quadril, ou trocanteriana, inflamação crônica de uma estrutura chamada bursa trocantérica pela sua localização na parte lateral do fêmur, palpável ao exame físico, e visualizável ao exame de ultra-som, que pode auxiliar o médico a determinar seu diagnóstico e instituir o melhor tratamento possível. Não desista!


CALOR E FRIO
Água quente e depois gelo dá um choque térmico. Isso é bom para torção no tornozelo? De preferência água quente ou gelo depois de 72 horas?
Cesar Augusto Alves, Rio de Janeiro, RJ


O entorse de tornozelo representa a lesão esportiva mais frequente em nosso meio, e deve ser tratada com a devida importância, pois pode trazer sequelas importantes e duradouras. A abordagem inicial feita pelo médico se baseia nos princípios do acrônimo PRICE, ou seja, proteção, repouso da articulação, gelo (ice em inglês), compressão e elevação do membro. O gelo normalmente é utilizado no período inicial, entre 48 e 72 horas do advento da lesão, e muitas vezes também no período crônico. O contraste térmico, que é a alternância do uso de calor e gelo no tratamento da lesão, possui indicações precisas que são melhor avaliadas pelo seu fisioterapeuta. Continue com o gelo em sessões de 15 a 20 minutos algumas vezes ao dia, e busque ajuda para o completo reestabelecimento de sua lesão

2 Respostas para “Problemas diversos; Joelho de corredor; Hérnia de disco; Bursite no fêmur;”

  1. oi sou maria eu fui no medico ele madoleu fazer rx deu esclerose pe esquerdo quema muito doi BOUDA caucanio

  2. Olá, doutor José Marques!
    Estou aqui, apenas para agradecer ao amigo pelo apoio e orientação que me deu em 2006, lhe mandei meus exames de coluna, porque havia sido excluído do concurso dos Correios, o senhor analisou e aconselhou que eu entrasse na justiça, porque o que eu tinha “era o esperado para minha faixa-etária”, não impedindo em exercer o cargo de Carteiro. Segui sua orientação e ganhei o processo, inicio nos Correios agora dia 14 de março de 2011. Gostaria de agradecer sua atenção e orientação, muito obrigado e tudo de bom ao amigo e aos seus!

    Marcelo Aguiar da Silva
    Triathleta e Corredor de Rua
    Porto Alegre – RS

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