Revista Contra-Relógio
// Brasileiros lá fora //

EM CHICAGO, MINHA MAIS SOFRIDA MARATONA

Edição 170 - NOVEMBRO 2007 - MARCOS DE OLIVEIRA

A Maratona de Chicago deste ano (30ª edição) foi inusitada e merece um relato. Foi a minha 18ª (e mais sofrida) maratona.

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O domingo de 7 de outubro amanheceu ensolarado com uma temperatura de 24 graus às 7 da manhã; às 10h30 horas já tínhamos 31 graus e 98% (pasmem) de umidade relativa do ar. Larguei no pelotão D, na turma das 4 horas (previstas) de prova. Passei pelo tapete da largada com 13 minutos de prova, mas, a partir dali não tive mais problemas, pois, como mágica, todos começaram a correr já no seu ritmo.

Lá pelo km 8 eu estava literalmente ensopado e com muita sede. Achei estranho, pois estava num ritmo confortável (5:30 p/km). No km 10 comecei a ver algumas pessoas andando, o que me surpreendeu. A sensação de calor ia aumentando, pois não havia o famoso vento de Chicago, vindo dos grandes lagos. Resolvi reduzir o ritmo para 5:50 p/km e fui correndo, ou melhor, derretendo.

Passei a marca da meia-maratona com 2h05 no meu relógio e mais ou menos 2h15 no oficial. Pensei, tudo bem, no final dou uma apertadinha e fecho em 4 horas. Ledo engano. No km 25 já não agüentava o calor intenso, agravado pela quantidade de pessoas correndo juntas. Havia, felizmente, postos de água e Gatorade a cada duas milhas (3,2 km) o que, creio, salvou algumas vidas. O problema é que quanto mais devagar eu ficava, menos água fresca encontrava pela frente, sendo que depois do km 30 a água era escassa e quando tinha estava quente.

Desde o km 25 comecei a andar, porque estava com uma bolha em cada pé (nunca tive bolha em maratonas), creio que devido ao excesso de água dentro do tênis (suor e água mesmo, pois em cada parada era um banho). Aliás, creio que um dos motivos de faltar água foi o fato de cada corredor praticamente tomar um banho com os copinhos que eram servidos.

Procurei andar o mais rápido possível, até para não demorar muito. Estava fazendo entre 8:30 a 9 minutos por km. No km 30 havia uma concentração de ambulâncias que eu jamais havia visto em provas, e todas em atividade. Os postos de água e as tendas de ajuda médica pareciam um cenário de guerra com muita gente deitada nas macas ou sentadas pelo chão, aguardando atendimento.

A partir das 11h30, notei que vários hidrantes estavam abertos, para refrescar os participantes, mas deixando nossos tênis e meias encharcados, favorecendo as bolhas. Meu ritmo subiu para 13 p/km e com dificuldade. Fiz um lanchinho rápido com umas bolachinhas que a população que assistia a prova oferecia gentilmente aos soldados, digo, aos atletas. Nessa hora eu lamentei não ter levado uns dólares para poder comprar uma água gelada, uma Coca ou, porque não, uma cervejinha.

Vários carros de polícia com seus megafones ligados pediam para os corredores pararem de correr e irem andando até a chegada. Todo mundo obedeceu (me dê motivo...), pelo menos quem ainda estava correndo. Após 5:52:32 (meu tempo) 6:03:24 tempo oficial eu consegui cruzar (correndo para sair na foto) a linha de chegada. Valeu pela inusitada experiência. E o lado bom é que, como optei por andar a me arrebentar, na segunda-feira já estava batendo pernas por Chicago, que é uma cidade maravilhosa.

Marcos Antonio Mendes de Oliveira, 55 anos, é assinante de São Paulo.

8 Respostas para “Por que os quenianos ganham todas?”

  1. Acredito que há um equívoco na informação de que Marílson, com o 21º tempo, têm o melhor tempo não queniano. O correto não seria o melhor tempo não africano? Estão esquecendo os outro países como a Etiópia e Eritréia por exemplo.

  2. Lógico que não existe razões específicas para o dominio queniano e etíope na corridas de longa distâcia seria o mesmo que estudarem os jogadores de futebol brasileiro e argentinos querendo encontrar razões do por que de tanta habilidade nos dribles como é o caso do Pelé,Ronaldo fenômeno, Ronaldinho gaucho,Neymar, Messi,Maradona atc…
    Isso com certeza está na genética de cada povo e acredito eu que nenhum estudo será capaz de desvendar tal mistério.

  3. sou corredor desde os 15 anos e meu melhor tempo nos 10km é de 33:13 e a três anos sou coletor de lixo e se quanto mas quilômetros corressemos mais melhorariamos eu seria um grande corredor! Corro de 25 a 30 quilômetros por dia no serviço e ainda pedalo 8 indo e vindo! Treino todos os dias após tudo isso! Será q quanto mais distância melhor correria?

  4. Frediano… mas vc é um grande corredor com esse tempo… parabéns!

  5. é pelo ue eu entendi altitude não quer dize nada , na minha opinião eu não precise sair do brasil eu era o rei do morro na minha epoca ninguem subia que nem eu eu trenei com uma equipe boa uma vez um perueiro me puchou já estava chegando na ultima subi cheguei a imprimir um ritmo á 30 por hora nos trabalhos que a gente fazia nun circuito de morro eu saia la tras e ia bucar todos unclusive os melhores da equipe nivel internacional como explica isso já veterano consegui baixar u percurso de morro em 8 minutos

  6. Interessante o “mundo branco” fazer tanto barulho assim! Os caras são tops pois treinam muito e melhor do que outros, assim como acontece em qualquer esporte. Olhem o futebol, o Brasil é (era) a potência neste quesito, aí os europeus começaram a aprender e colocar profissionalismo nisso tudo, e hoje o futebol Europeu é tão bonito quanto ao nosso! Os Quenianos treinam muito, com qualidade e foco e por isso são tops. Quando começarmos a fazer o mesmo, sem reclamar das condições, teremos as mesmas chances. Mas é claro, canela fina ajuda e muito!!!!!!!

  7. Você está generalizando tudo para queniano, prezado Beltrami. Você deveria se referia a africanos, onde a maioria dos quenianos ganha quase tudo. Mas os etíopes, marroquinos e outros, estão ganhando também.
    Afinal, quem ganhou a maratona de Londres, jogos olímpicos de 2012. Foi um marroquino, não?

  8. que nada a maioria foram pegos em dopping tem que pegar estes quenianos e tirarem do nosso pais e o aldo rebelo dando esmola para os atletas uma vergonha não existe incentivo no atletismo aqui no brasil.

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