Revista Contra-Relógio
// Comrades //

Por 35 segundos, perdi a medalha de prata/bronze

Edição 175 - ABRIL 2008 - ANA MÁRCIA BORGES GOMES

Sempre gostei de desafios e por essa razão participar da Comrades pelo menos uma vez estava em meus planos. E em dezembro de 2005 recebi um convite do meu grande amigo Wilson Bomfim, de Brasília, para irmos correr a Comrades de 2006, “em subida”, com a distância de 87,5 km. É evidente que topei na hora.


Treinei bastante. Treinava todos os dias, incluindo dois treinos de 30 km por semana e ainda fazia musculação. Nunca tive problemas de dores musculares, acredito pela musculação que pratico há 15 anos e que me deixou bastante resistente.

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Fiz também um treino de 60 km e outro de 70 km onde moro, Campo Grande (MS), acompanhada por alguns amigos que se revezavam correndo comigo, bem como, com a ajuda de meus dois irmãos que me acompanhavam de carro, com água, isotônicos e gel. Corri ainda três maratonas antes da Comrades, duas nos Estados Unidos nos meses de janeiro e fevereiro de 2006 (com intervalo de três semanas) e outra em Porto Alegre, em maio.


No dia da Comrades, acordei por volta de 3h00 e sentia-me muito bem e feliz, confiante em não só conseguir completar a Comrades, como em terminar abaixo de 9 horas. Larguei no pelotão C, juntamente com o Wilson e corríamos na média de 5:50 a 6:00 minutos por km. Consegui acompanhá-lo até o km 30, depois "fiquei". Não caminhei, não parei para ir ao banheiro, corri direto. Além de água, tomei isotônicos e gel; não comi nada.


Após o km 70 corri de olho no relógio/cronômetro, para conseguir terminar abaixo de 9 horas. Lutei muito, aliás, nunca havia lutado tanto para atingir um objetivo. Em nenhum momento fui fraca, fui positiva até o fim. Quando faltavam aproximadamente 10 km para completar a Comrades, não acreditei no que estava acontecendo comigo, porque corria na média de 5 minutos por km quando não tinha muita subida e estava com energia e disposição. Não estava cansada, corri os últimos quilômetros como se estivesse correndo uma prova de 10 km.


Apesar disso, não alcancei meu objetivo. Fiz de tudo, senti orgulho da minha raça e força de vontade, mas não consegui; completei em 9h35. Faltaram apenas 35 segundos.


Quando me entregaram a medalha de bronze (que se ganha ao completar entre 9h00 e 10h59), e não a de prata com bronze (quando se termina entre 7h30 e 8h59), fiquei muito triste e chorei bastante. Achei que merecia ter conseguido e pensei: não volto mais aqui!


Mas, no dia seguinte, com a cabeça fria, já estava fazendo planos com o meu amigo Wilson para retornar em 2007 e conseguir a sonhada medalha. Porém, em 2007 mais uma vez o meu objetivo não foi alcançado: completei a Comrades em 9h1. Não treinei tanto como em 2006 e ainda fiz a besteira de sair forte, na média de 5 minutos por km e daí, no final, não tive energia e comecei a correr mais lento.


Enfim, como nunca desisto de atingir os meus objetivos, este ano retornarei à Comrades, com a ajuda e orientação do treinador Branca, para tentar terminar abaixo de 9 horas!

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