Revista Contra-Relógio
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Para melhorar sua corrida, PILATES

Edição 282 - MARÇO 2017 - YARA ACHÔA

A modalidade trabalha o corpo como um todo, ajuda a corrigir a postura e a melhorar a estabilidade dos músculos e a mobilidade das articulações, o que resulta em maior desempenho esportivo e boa forma.

Corredor gosta de correr. Mas incluir outras modalidades na rotina de treino pode contribuir muito para aumentar a força muscular e prevenir lesões. Ok, você corre três vezes por semana e quando dá, vai para a academia. Pois saiba que o Pilates - até mesmo apenas uma vez por semana - pode otimizar os resultados, ajudando seu corpo a ganhar tônus, seu core (o cinturão de músculos ao redor do tronco) a ficar muito forte e, consequentemente, suportar melhor o tranco do impacto da corrida, contribuindo para o aumento de performance.
"Além de fortalecer e alongar para melhorar as condições na execução do exercício, o Pilates tem ainda como foco a estabilização de tronco e o equilíbrio, fundamentais para quem pratica corrida. A diferença entre musculação e Pilates é que na primeira modalidade o músculo é trabalhado de forma isolada, na segunda, o trabalho é mais intenso e global. A musculação é importante e ajuda no ganho de força, sem dúvida. Só que não adianta apenas ser forte, se o músculo não for ativado na hora certa, como o Pilates ensina", explica a fisioterapeuta Denise Pripas, da Zuz Fisioterapia e Pilates, de São Paulo.

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POR QUE ATENÇÃO AO CORE? O core é um dos principais estabilizadores da coluna - e para quem corre essa região é muito importante, principalmente quando a quilometragem aumenta e o cansaço aparece. "Além dos músculos abdominais e da coluna, ele compreende ainda o assoalho pélvico e o diafragma, como se fosse um cubo. Ou seja, é importante para sustentar a parte muscular e óssea e ainda para proteger órgãos vitais, fazendo com que o corredor tenha mais controle sobre a postura, mais conforto, fluidez e economia nos movimentos", fala Denise. Tudo isso ajuda tanto para prevenir lesões e problemas musculares associados ao impacto do exercício, como para potencializar o desempenho esportivo.
Quer mais motivos? Como a técnica exige muito da respiração, contribui para aumentar a capacidade respiratória e, por trabalhar os músculos de dentro para fora, a definir o abdome - ou seja, a barriga tanquinho pode vir de "brinde". Fora que, por deixar os músculos mais "ativos", ajuda a turbinar a queima calórica e a acelerar o metabolismo.
O tempo para sentir os resultados do Pilates é variável de pessoa para pessoa. Para quem já faz atividade física, o corpo costuma responder mais rápido - em quatro semanas nota-se melhora do tônus muscular e da postura. Para sedentários, pode demorar um pouco mais. Mas, mesmo assim, alguns benefícios (como bem-estar de modo geral) são percebidos desde as primeiras sessões.
Se você já mantém uma rotina regular de exercícios, pode se beneficiar da técnica praticando uma vez por semana. "Para quem está parado, o indicado é duas a três vezes por semana, lembrando que para perda de peso é necessário fazer também uma atividade aeróbica", diz Fernando Pripas, também fisioterapeuta da Zuz.


COMO COMEÇAR. O Pilates faz um bom trabalho de correção da postura e do gesto esportivo. Mas como saber o que está "errado" e o que pode prejudicar na hora da corrida? O indicado, antes de começar, é fazer uma avaliação postural. Trata-se de uma ferramenta importante para mensurar os desequilíbrios musculares e articulares de cada pessoa e é amplamente utilizada para avaliação e tratamento clínico e prescrição de atividade física, visando detectar e prevenir dores e lesões. "A curto prazo, essas disfunções podem representar apenas um incômodo ou até mesmo nem apresentar sintomas. Porém, com o tempo, podem levar a lesões mais sérias", explica Fernando.
Uma avaliação postural convencional é realizada através da observação clínica, e fornece dados globais e subjetivos, que dependem muito da capacidade de interpretação do profissional. Já a avaliação postural por fotogrametria é mais detalhada e permite diagnosticar precisamente as alterações da postura para cada articulação, com dados quantitativos. "É realizada por meio do registro de fotografias do indivíduo em diversos planos e posturas, e determina a posição relativa dos pontos anatômicos, simetria corporal e ângulos articulares, comparando-os com valores-padrão", completa o especialista.



Principais benefícios do Pilates
• Fortalece e estabiliza os músculos do core
• Tonifica a musculatura e dá resistência
• Reduz o impacto nas articulações
• Aumenta a flexibilidade
• Ajuda na concentração e na respiração
• Melhora a performance na corrida
• Previne lesões



Experimentei e estou correndo melhor
"Meu ponto fraco é o core e sei que, para correr melhor, tenho que estar com essa região forte. E isso é muito mais do que fazer abdominais na academia. Por isso, resolvi encarar a modalidade com assiduidade para ver se algo realmente acontecia - já que uma de suas promessas é trabalhar intensamente o core, encaixando uma seção de Pilates por semana, na minha rotina, a partir do começo de novembro passado.
Passei por uma avaliação postural e começamos com um trabalho de consciência corporal, para eu ir conhecendo o método. Mas logo senti que não era muito fácil coordenar respiração, movimentos, postura. Ao mesmo tempo, essa dificuldade me desafiava e exigia total concentração para fazer direito os exercícios.
Como o fisioterapeuta detectou que me faltava mobilidade na coluna - que é tão importante quanto a força e a flexibilidade para o bom funcionamento do corpo - muitas sessões tiveram esse foco. Afinal, não adianta ter força e flexibilidade muscular se as articulações não se movem adequadamente. E deixar de trabalhar a mobilidade articular e só ficar em força; seria como investir em um motor potente para um carro com as rodas travadas. Mas também fiz atividades para melhorar estabilidade do quadril, equilíbrio, força e alongamento, entre outras coisas.
Constatei que o Pilates me tirou da zona de conforto. Um mês e meio depois de começar, já dava para notar bons resultados, como abdome mais tonificado e forte. Nesse mesmo período, mudei um pouco a alimentação - basicamente reduzi as porções nas refeições, aumentei a ingestão de proteína e diminuí o carboidrato e os doces - e continuei seguindo direitinho minhas planilhas de corrida, fazendo musculação (uma ou duas vezes por semana), além de pedalar quase todos os dias, como meio de transporte. Parece que, com tudo isso, consegui dar um 'choque' no metabolismo e fui emagrecendo e definindo, como nunca tinha acontecido antes. Consequentemente, a corrida foi ficando muito mais fácil e melhor.
Em três meses, eliminei oito quilos, reduzi medidas (de quadril foram quase 10 cm a menos), trinquei o abdome e meu ritmo de corrida aumentou. É incrível quando você percebe que, insistindo, seu corpo obedece a seus comandos e tudo se encaixa! Vou continuar com o Pilates, agora visando a Maratona de Porto Alegre, em junho, onde espero conseguir (mais uma vez) a qualificação para Boston 2018." Yara Achôa


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