Revista Contra-Relógio
// Especial //

OS HERÓIS DO BRASIL

Edição 274 - JULHO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

São 14 medalhas conquistadas pelo atletismo, sendo 4 de ouro, 3 de prata e 7 de bronze na história da competição.

O atletismo está presente desde o início da era moderna da Olimpíada, em 1896, na Grécia. Nesse período, o Brasil conquistou 14 medalhas na competição. Devido ao apoio e estrutura do esporte no país, chegar aos Jogos Olímpicos já é motivo de comemoração; atingir, então, o pódio, um feito para poucos e que vem diminuindo edição a edição.
Destacamos quatro atletas para publicar o perfil, pois não há como falar da história olímpica brasileira sem citar Adhemar Ferreira da Silva, o único bicampeão no salto triplo; Joaquim Cruz e a medalha de ouro inédita na pista nos 800 m e o bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima, na maratona. Em edições mais recentes, o Brasil destacou-se nas provas de velocidade, com o revezamento 4x100 m por duas vezes no pódio (prata e bronze) e o bronze de Robson Caetano nos 200 m.
A última medalha foi ganha por Maurren Maggi, ouro no salto em distância na Olimpíada de Pequim, em 2008. Nos Jogos de Londres, há quatro anos, não tivemos nenhum pódio no atletismo. Entre as modalidades, o salto triplo é a que mais pode ser destacada, com o trio formado por Ademar Ferreira, Nelson Prudêncio e João Carlos de Oliveira, o João do Pulo. Das 14 medalhas brasileiras, 6 vieram do salto triplo (dois ouros, uma prata e três bronzes), além de inúmeros recordes mundiais e olímpicos.

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Adhemar Ferreira da Silva
Simplesmente, único brasileiro bicampeão olímpico no atletismo. Apenas essa introdução já define o que foi Adhemar Ferreira da Silva, medalha de ouro no salto triplo em Hensinque-1952 (Finlândia) e Melbourne-1956 (Austrália). É também tricampeão dos Jogos Pan-Americanos: Buenos Aires-1951, Cidade do México-1955 e Chicago-1959. Superou inúmeras vezes o recorde mundial do salto triplo e, em Helsinque, criou a "volta olímpica" ao conquistar a medalha de ouro. Foi ainda pentacampeão sul-americano. Foi dez vezes ganhador do Troféu Brasil de Atletismo: seis vezes pelo São Paulo e quatro pelo Vasco da Gama. Inclusive, para quem gosta e acompanha futebol, as duas estrelas douradas na camisa do São Paulo se referem ao bicampeonato olímpico de Adhemar. Formou-se em Educação Física na Escola do Exército, em Direito na Universidade do Brasil e em Relações Públicas. Entre 1964 e 1967, foi adido cultural na embaixada brasileira em Lagos, Nigéria. Morreu em São Paulo em 2001, aos 73 anos, após receber a Comenda do Mérito Olímpico do COI.


Joaquim Cruz
Ouro na Olimpíada de Los Angeles em 1984, com direito ao recorde olímpico de 1:43:00 (marca que permaneceu por 12 anos) e vitória sobre o britânico Sebastian Coe, então recordista mundial e considerado "imbatível". Tinha 21 anos na época. Foi a primeira (e única) medalha de ouro de um brasileiro em uma prova de pista em Olimpíada. Quatro anos depois, em Seul-1988, na Coreia do Sul, novo pódio, desta vez com prata nos 800 m. Separando apenas as provas de corrida, Joaquim Cruz é o maior nome do atletismo brasileiro em Olimpíadas. Tem como recorde pessoal a marca de 1:41.77 nos 800 m, obtida no Meeting de Colônia, Alemanha, em 1984, uma das cinco melhores de todos os tempos até hoje. Natural de Taguatinga, no Distrito Federal, Joaquim Cruz foi ainda bicampeão pan-americano nos 1.500 m em Indianápolis-1987 e Mar del Plata-1995, além de bronze no Mundial de Helsinque, em 1983. Tornou-se técnico de atletismo nos Estados Unidos. Treinou a equipe norte-americana no Parapan-Americano de 2007 no Rio de Janeiro e nos Jogos Paralímpicos de Pequim-2008. De volta ao Distrito Federal, tem um projeto social e de atletismo em Sobradinho, sua cidade natal, onde auxilia crianças carentes a praticar o esporte.


Vanderlei Cordeiro de Lima
A história de Vanderlei Cordeiro de Lima está ligada diretamente à maratona e à Olimpíada de Atenas, na Grécia, em 2004, curiosamente, onde teve início a lenda da prova. Mas a relação com os 42 km começou dez anos antes, em 1994, com um fato inusitado. Foi contratado como "coelho" na Maratona de Reims, na França. Deveria dar ritmo para o pelotão de elite. Porém, foi abrindo vantagem, se sentindo bem, ninguém o acompanhou e, assim, partiu para a primeira colocação na prova. Na carreira, tem vitória na Maratona de Tóquio em 1996 e vice em 1998; e terceira colocação em Fukuoka, em 1999; além do recorde da Maratona de São Paulo em 2002 e do ouro no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá, também em 1999. Brilhou também em distâncias curtas, como a vitória com 28:01 nos 10 km da Tribuna, em Santos, em 1997. Mas foi realmente, em Atenas-2004, que escreveu seu nome na história olímpica. Liderava a prova quando, no km 35, foi agarrado e derrubado por um padre irlandês. Foi ajudado por torcedores e retornou à prova, mas obviamente abalado pelo incidente. Acabou superado pelo italiano Stefano Baldini (ouro) e pelo norte-americano Meb Keflezighi (prata), mas foi buscar o inédito bronze para o Brasil na maratona. Entrou no Estádio Olímpico de Panathinaikos fazendo o famoso aviãozinho e comemorando a principal conquista da carreira desse atleta natural de Cruzeiro D'Oeste, nascido em 11 de agosto de 1969. Recebeu a medalha Pierre de Coubertin do COI. Em 2008, criou o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, em Campinas, que utiliza o atletismo para ajudar no desenvolvimento e formação de crianças e jovens.


Robson Caetano
O carioca Robson Caetano representa uma geração de velocistas que se destacou pelo Brasil, principalmente no final da década de 1980 e na seguinte. Foi medalhista olímpico nos 200 m em Seul-1988 e no revezamento 4x100 m em Atlanta-1996, nas duas vezes com a medalha de bronze. Nos Jogos na Coreia do Sul, correu contra os principais velocistas do mundo e ganhou a medalha com 20.04. Nascido em 4 de setembro de 1964, ainda foi bem nos 100 m: quinto lugar, com 10.11. Esteve em quatro Jogos Olímpicos: de Los Angeles-1984 a Atlanta-1996. Em Barcelona-1992, foi o quarto nos 200 m, com 20.45, mesma posição no 4x400 m. Em 1988, foi campeão ibero-americano dos 100 m com 10.00 na Cidade do México, tempo que até meados de agosto de 2015 se constituía em recorde sul-americano.



MEDALHAS DO BRASIL EM JOGOS OLÍMPICOS*
OURO

Atleta Modalidade Marca Olimpíada
Adhemar Ferreira da Silva Salto triplo 16,22 m Helsinque-1952
Adhemar Ferreira da Silva Salto triplo 16,35 m Melbourne-1956
Joaquim Cruz 800 metros 1:43.00 Los Angeles-1984
Maurren Maggi Salto em distância 7,04 m Pequim-2008


PRATA
Atleta Modalidade Marca Olimpíada
Nelson Prudêncio Salto triplo 17,27 m Cidade do México-1968
Joaquim Cruz 800 metros 1:43.90 Seul-1988
Vicente Lenilson, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino Revezamento 4x100 m 37.90 Sydney-2000


BRONZE
Atleta Modalidade Marca Olimpíada
José Telles da Conceição Salto em altura 1,98 m Helsinque-1952
Nelson Prudêncio Salto triplo 17,05 m Munique-1972
João Carlos de Oliveira Salto triplo 16,90 m Montreal-1976
João Carlos de Oliveira Salto triplo 17,22 m Moscou-1980
Robson Caetano 200 metros 20.04 Seul-1988
Arnaldo de Oliveira, Robson Caetano, Edson Luciano e André Domingos Revezamento 4x100 m 38.41 Atlanta-1996
Vanderlei Cordeiro de Lima Maratona 2:12.11 Atenas-2004


*Fonte: Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt)


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