Revista Contra-Relógio
// Brasileiros lá fora //

Novo recorde em NY: 51.388 concluintes!

Edição 279 - DEZEMBRO 2016 - FERNANDA PARADIZO

A Maratona de Nova York confirmou seu papel de destaque mundial, no dia 6 de novembro, quando 51.388 corredores passaram pela linha de chegada, entre eles 519 brasileiros, superando a antiga marca de 50.530, em 2014.

A 46ª edição da prova coroou a vitória do eritreu Ghirmay Ghebreslassie (2:07:51), de apenas 20 anos, e o tricampeonato da queniana Mary Keitany (2:24:26), que se iguala em número de vitórias à britânica Paula Radcliffle. A maratona contou com a presença de vários atletas que disputaram os Jogos do Rio 2016, incluindo a campeã olímpica de triatlo, a norte-americana Gwen Jorgensen, que completou em 2:41:01, e a paraatleta Tatyana McFadden, detentora de quatro ouros no Rio (400, 800, 1.500 e 5.000 m) e que venceu pela quarta vez consecutiva em NY na categoria cadeirante.
Foi uma semana repleta de comemorações e eventos, como a feira da entrega do kit, a corrida Dash 5k, a Parada das Nações, e com a celebração do 40º ano desde que o trajeto deixou o Central Park para tomar as ruas de cidade, passando pelos cinco distritos de NY (Staten Island, Brooklyn, Queens, Bronx e Manhattan). A edição de 2016 marcou também a despedida da Asics como patrocinador esportivo oficial; a partir do ano que vem, é a New Balance que assume esse papel.
Ainda que a prova apresente um percurso não tão favorável para bons resultados, como Chicago, Berlim e Londres, a mais famosa entre todas as maratonas continua o sonho de consumo dos corredores. E quem acredita que não dá para estabelecer recorde pessoal na Big Apple, devido a seu trajeto repleto de subidas e descidas, está enganado, como se pode ver a seguir.

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ENFIM SUB 3H. O analista de sistemas Sandro Cabral, de 47 anos, não apenas conseguiu sua melhor marca, como ainda quebrou pela primeira vez a barreira das 3h, fechando a prova em 2:59:47. Natural de Senador Firmino (MG), o corredor, que mora em Maringá, completou em Nova York sua sexta maratona.
As expectativas eram as melhores possíveis, mas Sandro confessa que nada se compara a viver de perto a experiência. "Ouvia muitos amigos falarem, mas sinceramente não me davam a ideia da realidade que vivenciei. Nunca vi nada igual. É sem dúvida o maior e melhor evento de corrida do planeta", comenta Sandro, que ficou impressionado com a feira e a rápida e organizada entrega de kit. "É impressionante que em meio a tanta gente tudo funcione perfeitamente."
Disposto a viver ao máximo a experiência, Sandro participou de todos os eventos que ocorrem ao longo da semana e mais uma vez se surpreendeu. "A corrida festiva na véspera é impressionante e deixa você já no clima da prova. O jantar de massas também me surpreendeu pela organização", comenta o mineiro, que destaca também a ida para a largada como algo bem organizado, apesar de assustar à primeira vista por causa do tamanho da fila que se forma para pegar o ônibus em frente à Biblioteca Pública, uma das duas formas de ir para Staten Island, onde acontece a largada. A outra é de ferryboat.
"A princípio fiquei preocupado com o fato de a largada ser às 9h50 e o horário do ônibus ser às 6h00. Uma fila enorme dava voltas no quarteirão, mas fluía sem parar. Foi pouco mais de uma hora de viagem para chegar ao lado da Ponte Ferrazano." Os corredores são obrigados a esperar por mais de 3 horas para começarem.


CASAL RÁPIDO. Thiago e Kamilla Pontes também tiveram o privilégio de carimbar uma sub 3h naquela que é considerada a rainha das maratonas. Casados há 15 anos e pais de dois filhos, eles, que vivem em São Paulo e são administradores de empresa, possuem várias maratonas no currículo. "Sempre ouvi dizer que Nova York era a maratona mais desafiadora e difícil das Majors. Como fizemos Boston e Porto Alegre no primeiro semestre, onde tivemos excelentes resultados, procuramos nos inscrever para tentar mais uma sub 3h."
O casal diz que não esperava que Nova York superasse Boston, considerada o xodó da dupla. "Isso por causa de toda a mística que envolve Boston, como a obtenção do índice, a história da prova, o número de peito dos corredores ser com base no tempo de qualificação, a chegada na Boylston Street, a feira e todo o clima profissional que envolve o evento", lembra Thiago. "Porém, Nova York conquistou um lugar em nossos corações, pois existem vários pontos que se assemelham a Boston, como logística pré-largada, ônibus até a largada e a energia do público. Porém, Boston tem um clima mais sério e NY mais festivo."
O casal "sub 3h" largou junto na primeira onda, às 9h50, na cor verde, que segue pela parte de baixo da ponte. Um dos pontos negativos da prova, segundo Thiago, é a longa espera para a largada, uma vez que o curral de acesso fecha 50 minutos antes. "Diversos corredores da primeira onda perdem a entrada e ficam para a segunda, que larga às 10h15", conta Thiago. Com o plano de fazer a prova em 2h57, eles perderam alguns segundos para se livrar do encaixotamento na primeira milha, em subida. Tentaram tirar a diferença nas duas milhas seguintes, em descida, acabaram se separando, só se encontrando na chegada.
Mesmo sem grandes expectativas de recorde pessoal, principalmente pela dificuldade técnica da segunda metade da prova, o resultado acabou vindo. "Respeitamos demais a prova e acredito que esse foi o segredo do nosso sucesso. Fomos crescendo ao longo do percurso, conseguimos enfrentar as subidas de uma forma consistente. Quando entramos em Manhattan, estávamos com a maratona administrada e certos de que teríamos um grande dia", comemora Thiago, que terminou em 2:56:15. Kamilla também conseguiu sua melhor marca, com 2:57:18.


RECORDE PESSOAL. Quem também saiu de Nova York com recorde pessoal foi o administrador paulista Fernando Flumian, de 33 anos, que fechou a prova em 3:28:55. Natural de Tupi Paulista, o corredor, que tinha três maratonas na bagagem, todas elas disputadas em São Paulo, escolheu correr na Big Apple para iniciar com o pé direito sua caminhada rumo às seis Majors. "Já que Nova York é a 'major das majors" resolvi começar por ela", conta Fernando, que já esperava uma cidade respirando a prova.
"A cidade e especialmente Manhattan se voltam totalmente para o evento. A organização é top. Por qualquer rua que você passa, todos perguntam e querem saber se correrá a maratona e ficam felizes e honrados em ter maratonistas visitando a loja", conta Fernando, que largou na segunda onda, em cima da ponte, onde se pega um pouco mais de vento, mas também compensa pelo visual.
Apesar de ter conseguido o recorde pessoal, Fernando tinha 3h20 como meta. "Minha estratégia era uma meia um pouco mais forte para garantir uma gordura para a metade final. Tudo foi perfeito até o km 35, quando comecei a sentir cãibras e precisei segurar o ritmo para levar a prova até o final. No Central Park foi na garra, na força da galera e principalmente o fato de ter visto minha esposa, que estava no último quilômetro."


CONFIANÇA NOS TREINOS. A advogada paulista Heloisa Meyer, de 37 anos, quer fazer todas as Majors e completou em Nova York sua quarta maratona. "Vibro muito com o público nas ruas. Gosto de comemorar durante o percurso, gritando, levantando os braços e tocando nas mãos das crianças", comenta Heloisa, que sempre ouviu falar que Nova York era a grande campeã em público. A corredora finalizou com 3:39:09, recorde pessoal.
As lembranças da prova são as melhores possíveis e nada se compara à largada ao som de "New York, New York", na voz de Frank Sinatra. "Naquele momento, foi uma emoção enorme, junto com aquele friozinho na barriga. Tive a sorte de largar na parte da Verrazano, onde o visual é bonito, mas bate muito vento e isso atrapalha um pouco no começo. A primeira milha já é uma bela subida, mas a euforia da largada é tão grande que a maioria dos corredores nem percebe que está subindo", conta Heloisa, que diz ter vivido um momento mágico atravessando a ponte. "Fiquei encantada com a vista de Manhattan de longe e senti muita gratidão por estar ali."
Com o objetivo de terminar a prova abaixo de 3h40, batendo o tempo obtido em Chicago no ano anterior, quando fechou em 3h42, a advogada não se intimidou com o fato de Nova York ser considerada um prova mais difícil. Sabendo que a segunda metade do trajeto é mais complicada, ela decidiu fazer a primeira em um ritmo conservador. "Passei a meia com 1:49:49 e percebi que teria um grande desafio pela frente: na segunda metade, tinha que igualar ou diminuir o tempo para conseguir meu objetivo", lembra Heloisa.
"A subida da Queensboro Bridge, que fica na altura do km 25, foi um momento duro. O percurso é cheio de pequenas subidas e 'falsos planos' e isso desgasta muito. É preciso ter técnica para saber não forçar demais nessas subidas." Na longa reta da Primeira Avenida, a corredora diz ter encontrado força na energia contagiante do público, que se aglomera ali para aplaudir os corredores. Os quilômetros foram passando e veio a dificuldade no Bronx, no km 35, um momento muito crítico da prova.
Mas as dificuldades não terminam por aí. Há ainda os últimos 6 km no Central Park, cheio de aclives e declives. "É sem dúvida a parte mais difícil porque o cansaço já está batendo forte. Fiz muita força nesse ponto. O tempo todo eu comemorava com o público e mentalizava que ia conseguir, porque tinha treinado muito", conta Heloisa, que só colocou os olhos no relógio poucos metros antes da chegada. "Quase não acreditei quando vi que marcava 3h39. Me emocionei demais."


3 MAJORS ESTE ANO. Outra que está em busca de completar as seis Majors é a médica goiana Mara Roberta Neves. Só neste ano, ela já acrescentou, na sua lista de oito maratonas, Berlim, Chicago e agora Nova York, em sequência. "Sou meio agoniada e quero concluir o mais rápido possível", conta ela, que tinha a expectativa de completar em menos de 5h, tempo acima do seu melhor, que é de 4h30, mas esperado devido às três maratonas disputadas em menos de 45 dias.
Mara, que mora em Brasília, passou a meia em 2h13 e fechou a maratona em 5h10, com a sensação de dever cumprido. "O esforço foi compensador. Como fui desencanada de tempo, nem vi grande dificuldade nas pontes", explica a corredora, referindo-se aos pontos mais complicados da prova, que são as cinco pontes que ligam a entrada de cada um dos cinco distritos.
Da viagem, Mara só guarda boas lembranças e, se tivesse que dar alguma dica para alguém que vai encarar NY no futuro, ela comenta: "Reserve um pouco mais de tempo para conhecer melhor a cidade. É um local cosmopolita. É gostoso ver o lado cultural e as divergências entre os bairros. O centro financeiro é legal. Há muitos mercados e parques. Os espetáculos à noite são fantásticos. E vale a pena gastar o inglês para conhecer pessoas. Os corredores são sempre gente boa e possuem uma bagagem cultural enorme".

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