Revista Contra-Relógio
// Brasileiros lá fora //

Margeando o Douro, a Maratona do Porto

Edição 291 - DEZEMBRO 2017 - TOMAZ LOURENÇO

Prova tem ótima organização, percurso bonito e quase todo plano, e os brasileiros se sentem em casa.

No dia 5 de novembro, um domingo com belo sol no céu azul e temperatura na casa dos 12 graus às 9 horas, foi dada a largada para a 14º EDP Maratona do Porto, a segunda cidade mais importante de Portugal, depois da capital Lisboa. Aproximadamente 8 mil corredores saíram para os 42 e 15 km, sem atropelos, circundando o Parque da Cidade.
Por volta do km 12, novamente perto da largada, havia a separação entre os dois grupos, mas ao contrário de outras provas semelhantes, os maratonistas eram maioria e, dessa forma, seguiram em frente para os 30 km restantes, sempre com bom número de corredores, o que é fator estimulante nas maratonas.
Em todo esse trecho corre-se ao lado do Rio Douro, portanto em percurso praticamente plano, e quase sempre em asfalto, ou seja, em alguns pontos o piso não é muito liso (um tipo de paralelepípedo), o que se resolve subindo para as calçadas. Pouco depois do km 20, passa-se para o outro lado do Douro, por uma pontezinha metálica e que fica em baixo da famosa e belíssima Ponte D. Luís, em direção à cidade de Vila Nova de Gaia, onde estão as cantinas do vinho do porto.
Sempre beirando o rio, volta-se ao Porto pelo mesmo caminho, quando se encontra a marca dos 30 km. É hora dos 12 km finais, retornando ao trecho inicial, depois da separação das duas provas.
Como na absoluta maioria das maratonas, inclusive as lá de fora, não há muito público nas ruas, fora as áreas de largada e chegada, que eram praticamente no mesmo local, dentro do Parque da Cidade. Também muita gente nas proximidades da ponte que liga as duas cidades.

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ATÉ MARMELADA. O abastecimento é correto, com água e isotônico, mas também banana, gel de carboidrato, uva passa e até marmelada. Chama a atenção o número de franceses, não só na maratona, como entre os turistas, talvez neste caso só perdendo para a presença de brasileiros, que nos últimos anos têm invadido Portugal. Aliás, foram 43 corredores do país terminando a maratona, 24 a prova de 15 km e ainda mais 42 na fun race, que começou às 10h30.
Chamou a atenção a passagem dos marcadores de ritmo para conclusão em 3h30, 3h45, 4h00, 4h15 e 4h30, seguidos por bom grupo de corredores, o que não é corriqueiro, mesmo em provas com muito mais participantes, como a revista já comentou. Uma possível explicação para essa situação talvez seja a questão do vento, que está sempre presente, a favor ou contra, daí que correr junto a um grupo torna esse detalhe menos importante e o rendimento melhor.
Em relação aos resultados, a prova repetiu o procedimento de outras que contratam atletas africanos para vencer com tempos rápidos e, assim, melhorar o "currículo" da maratona. Neste ano, a vitória foi do queniano Jackson Limo, em 2:11:34, 6 minutos à frente do segundo colocado, o português Daniel Pinheiro. Já a também queniana Monica Kepckoch conseguiu efetivamente uma grande marca (2:26:58 - recorde da competição), com a portuguesa Carla Salomé fechando em 2:31:01. O que chama a atenção na classificação final é o reduzidíssimo número de corredores sub 2h30, bastando ver que a campeã foi a 11ª geral, enquanto a vice ficou em 17º lugar!
Na chegada, um bom lanche em sacola, uma camisa de manga comprida que quase todos já colocavam, pois a temperatura continuava agradável (em torno de 18 graus), mesmo com o sol pleno, e chope para comemorar, apesar que é bom ficar em apenas 1 copo, pois o corpo está precisando se recuperar e o álcool só atrapalha.


FEIRA E CLIMA. A entrega dos kits aconteceu na sexta e sábado, sem filas, em função do amplo espaço em um edifício histórico (Alfândega), ao lado do rio, e pela perfeita organização. O kit consistia de camiseta, número com chip, pochete, sacola plástica para entrega no guarda-volume, revista da prova e folhetos, tudo dentro de uma mochila.
Este editor participou da feira, fazendo uma palestra sobre a evolução das corridas no Brasil, além de ter corrido os 42 km, sua terceira maratona este ano, depois de Boston e Porto Alegre, como parte das comemorações pelos 70 anos, assim como pela recente dupla cidadania (Brasil-Portugal).
O maior apelo para se correr no Porto, assim como na Maratona de Lisboa (em outubro), é sem dúvida estar em Portugal, tornando agradável e fácil a comunicação, apesar do jeito um pouco rude de alguns locais. Também ajuda o custo de vida bem mais em conta do que no restante da Europa, tanto na hospedagem como e principalmente na alimentação. O preço do vinho, por exemplo, chega a ser 1/3 do que pagamos pelos mesmos rótulos por aqui, nos supermercados e restaurantes. Mas é preciso cuidado com a imensa e saborosa variedade de doces, para não voltar com alguns quilinhos a mais.




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