Revista Contra-Relógio
// Brasileiros lá fora //

Maratona e Meia de Montevidéu

Edição 272 - MAIO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Ainda pequena, prova uruguaia sediou o Sul-Americano de 42 km neste ano, mas, novamente, o vento foi o grande adversário dos corredores.

Rosângela Faria conquistou a medalha de bronze no Campeonato Sul-Americano de Maratona, disputado em Montevidéu, no dia 11 de abril. A brasileira completou os 42,195 km do percurso, que teve largada em frente ao Palácio Legislativo e chegada na Prefeitura, em 2:48:31, longe do tempo que precisava para brigar por uma vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O evento contou ainda com a meia-maratona e, aos poucos, vai atraindo mais corredores brasileiros, principalmente do Rio Grande do Sul, pela proximidade e facilidade da viagem.
"Infelizmente o clima (muito vento) e a altimetria da prova não colaboraram para uma boa marca. Fiz o melhor dentro do possível. Saí para melhorar o índice olímpico, mas, no km 15, vi que não ia dar e então foquei em terminar a prova", comentou a atleta, que ocupa a quarta colocação entre as brasileiras qualificadas para a maratona os Jogos do Rio-2016, com 2:38:40 obtidos em Buenos Aires no ano passado.
As peruanas Gladys Machacuay (2:42:20) e Hortensia Arzapalo (2:46:28) foram as primeiras no pódio. O uruguaio de origem cubana Aguelmis Rojas foi o vencedor, com 2:17:32, assegurando qualificação para os Jogos do Rio. O chileno Matias Silva Lastra ficou em segundo lugar, com 2:22:40, seguido pelo uruguaio Lucas Villanueva, com 2:28:17.

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MUITO SATISFEITA. A assinante de Araraquara Ana Maria Minarelli Gaspar participou da maratona. "Não conhecia Montevidéu e viajei com meu marido e meus dois filhos. Gostamos muito da capital do Uruguai. Cidade relativamente pequena, fácil de andar e com um bom e eficiente transporte público. O mais interessante é que você paga proporcionalmente pela distância que percorre. Alugamos um apartamento pelo site www.airbnb.com, bem localizado, confortável e a experiência foi ótima", conta a corredora.
"Chegamos na quinta feira e fomos direto à Intendência, que é a Prefeitura, buscar o kit. Tudo muito tranquilo. O kit vinha em uma sacola com camiseta da Adidas (rosa para as mulheres e vermelha no masculino), sendo possível personalizá-la sem custo; e ainda duas garrafas de água com gás, um gel e uma barrinha de cereal. A feira é muito fraca, somente com um estande da Adidas e outros dois bem pequenos. Como antes de viajar li muito a respeito de Montevidéu, segui uma das dicas que é subir ao 22º andar da Prefeitura e visualizar a cidade do alto - dica excelente", afirma Ana Minarelli.
De acordo com a assinante, a cidade é bastante arborizada, com casas e prédios antigos, todos bem conservados. "De modo geral, muito sossegada, praticamente sem trânsito e ótima para se caminhar e explorá-la. O centro antigo possui edifícios de valor histórico e arquitetônico que vale a pena conhecer, como o Teatro Solis e a Plaza Independência. Através das ruas Sarandí e Pérez Castellano, você pode caminhar tranquilamente e conhecer a Plaza Matriz e os inúmeros museus que se encontram nessa região. Caminhando se chega ao Mercado Del Puerto, local rico em restaurantes e, nas imediações, lojas de artesanatos. A Assembleia Legislativa é um prédio virtuoso, local da largada da maratona, e a uns 2-3 quarteirões, há o Mercado Agrícola de Montevidéu - semelhante ao Mercadão de São Paulo, porém menor, mas muito limpo e organizado. A Rambla, avenida da praia, por onde ocorre a maior parte da maratona, é ótima para caminhar. Outra opção é alugar uma bicicleta e passear por ela. Há ainda o Cassino Carrasco (o ponto de retorno da maratona) e o Parque Rodó."
Para quem vai correr a maratona ou a meia, a gastronomia uruguaia também chama a atenção. "Come-se muito bem, com porções generosas. As cervejas e os vinhos são ótimos. O ponto negativo na cidade é o custo de vida muito alto comparado ao nosso. Sobre a Maratona, sem queixas. O trajeto é muito bom, com algumas subidas e descidas, mas a maior parte passa na Rambla, praticamente plano. A organização é ótima, com inúmeros pontos de água, três ou quatro de isotônico, dois de gel, um com barrinha de cereal e quatro de frutas. Da largada à chegada são quatro tapetes de cronometragem e fiscalização. Antes de passar por eles, pessoas anotando o número. Isso além de três pontos de música ao vivo. O tempo estava nublado e a temperatura começou em 17° graus e terminou em 19°. Realmente o que atrapalhou muito foi o vento, que no dia da maratona, medido na Ramblas, estava em 36 a 38 km/h. A sensação é de que você patina e não consegue correr, ‘joga' você para trás em inúmeros momentos. Eu tinha como objetivo baixar o meu tempo de maratona e treinei para isso, mas não indico a Maratona de Montevidéu para recorde pessoal, pois simplesmente o vento não permite...", analisa Ana Minarelli.


VENTO CONTRA E A FAVOR. "Estava assustada com o que me aguardava e o que me tranquilizou foi o conselho de um amigo, na véspera da prova, para não brigar com a natureza, e quando o vento fosse a favor, mandasse ‘bala'... E foi assim que corri, controlando meu ritmo, não me ‘matando' nos inúmeros trechos de vento contra. Durante a corrida, tentei ficar em grupo, mas nem sempre conseguia, pois a maioria eram homens e o ritmo deles estava mais forte...", conta a assinante. "A maratona termina em frente à Prefeitura, na Avenida 18 de Julho e, a uns 400 m da linha de chegada, tirei a bandeira do Brasil e foi muito emocionante... As pessoas gritavam: ‘arriba Brasil' e batiam palmas. Me segurei para não chorar. Quando cruzei a linha de chegada, após receber uma rosa e um bombom (só para as mulheres ganhavam) chorei de felicidade. Consegui! Terminei em 3:37:40 e foi suficiente para ficar em primeiro lugar na categoria de 50-59 anos, indo comemorar com meu marido que me aguardava. Ganhei um troféu bem grande. Uma viagem recomendada."
Luís Fernando Luchi, de Florianópolis, correu a Meia de Montevidéu neste ano. "Vou lembrar dela até que eu consiga baixar o tempo que fiz, meu recorde pessoal de 1:26:54. O percurso não é plano (tem algumas boas subidas) e um vento absurdo na orla, por onde passa por boa parte do percurso (do km 4 ao km 19 na meia). É uma prova relativamente pequena, com 3 mil inscritos no total, mas com boa organização, desde a retirada do kit, até a entrega da medalha. A feira é realmente bem acanhada, com pouca ou quase nenhuma novidade para os mais consumistas", afirma Luchi. "A cidade também não ‘vive' muito a prova, sendo que tem havia pouca gente nas ruas e na chegada. Conta com ótimos restaurantes e preços muito parecidos com os praticados aqui no Brasil. Vale a visita, sem sombra de dúvida, mas não despertou em mim vontade de voltar", completa o corredor.
Em termos de números, as provas ainda são pequenas. Na maratona, houve 901 concluintes (724 homens e 177 mulheres) enquanto na meia 1.717 completaram o trajeto, sendo 582 mulheres. Mais informações, resultados completos e imagens em www.maratonmontevideo.com.uy.

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