Revista Contra-Relógio
// Medicina Esportiva //

Lesão de cartilagem; Luxação da patela; Instabilidade do tornozelo; Artrose no joelho; Tendinite no quadril; Dores na região púbica

Edição 190 - JULHO 2009 - JOSÉ MARQUES NETO


LESÃO DE CARTILAGEM
Sou assinante e sempre leio as matérias de medicina, porque tenho praticamente uma lesão por ano -infelizmente - desde que comecei a correr. Normalmente são lesões diferentes e não preocupavam muito; no entanto, no ano passado senti dor na região no joelho direito, fiz uma ressonância magnética e o médico me recomendou ficar sem correr por 30 dias e foco na musculação para corrigir um descompasso de força verificado em exame entre os músculos extensores e flexores. Isso foi em outubro do ano passado.
Depois disso não tive mais problemas, voltei das férias esse ano com o objetivo de correr novamente a Maratona de SP e para isso vinha treinando desde fevereiro. Mas voltei a sentir dores no joelho direito, dessa vez na região interna, que piorou depois de um treino intervalado com ritmo bem forte. Após esse treino senti dores durante três dias, mesmo caminhando.
Procurei um médico que me pediu uma outra RM, o resultado foi, em síntese, lesão de cartilagem. Diante disso me foi recomendado ficar sem correr por mais 30 dias e voltar aos treinos de forma gradual. Segundo o médico, a lesão foi leve, não ocorrendo deformação da cartilagem, graças à minha constituição física - 66 kg e 1,67m.
Que condições podem ter me levado a esse problema, já que durante os treinos não senti qualquer dor ou tive problemas de entorse. Houve sim um aumento do ritmo de treinos de força e intensidade - no mês anterior fiz vários com variação de subidas e descidas e quase nada plano. Esse programa de recuperação é factível? O que posso fazer para evitar que essa situação se repita?
José Luiz de Souza e Alves, São Paulo, SP


A lesão de cartilagem é uma condição grave em ortopedia, já que se trata de um tecido sem regeneração completa. Concordo com seu médico sobre a natureza da lesão e creio que seu retorno deva ser gradual, incluindo rotinas de fortalecimento muscular e alternância com outras atividades aeróbicas que poupem seus joelhos, como natação, "deep running" ou bicicleta. Este tipo de lesão, como a maioria de todas as outras, tem causa multi-fatorial, ou seja, são diversos os fatores que levam ao aparecimento das mesmas, mas creio que você mencionou o principal deles, que foi um aumento no ritmo de seus treinos, tanto de volume quanto de intensidade, com variação de terrenos e velocidades. Discuta com seu treinador (se tiver) e faça um retorno gradual aos treinos para que possa voltar a correr com segurança e tranquilidade.

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LUXAÇÃO DA PATELA
Levei uma queda muito grande há um mês, e ao cair dobrei o joelho direito para trás, com luxação e deslocamento da rótula, sentindo dores terríveis. Tenho 59 anos e também sofro de gonartrose nos joelhos. Fui levada ao hospital do SUS onde fui medicada com Nimesulide e aconselhada a colocar gelo no local lesionado. Estou aplicando gelo há um mês e a panturrilha continua muito dolorida e duríssima, e não estou tendo condições de fazer fisioterapia, pois pelo SUS a demora do encaixe é de mais ou menos 3 meses de espera. Por favor, preciso de uma ajuda. Posso colocar bolsa de água quente no local, ou continuo com gelo?
Crevanilde de Araujo Pinho, via e-mail


Pelo seu relato você sofreu uma luxação da patela, antiga rótula, durante seu acidente há meses atrás, que é uma condição preocupante para qualquer articulação. Você mesma colocou a patela no lugar, ou esta manobra foi realizada no hospital? Foi imobilizada após o atendimento, e por quanto tempo? O enrijecimento da panturrilha não é uma ocorrência esperada nestes casos, a não ser que alguma alteração vascular tenha ocorrido. Troque o gelo por água quente e retorne ao hospital para uma melhor avaliação do seu caso.


INSTABILIDADE DO TORNOZELO
Tenho 44 anos, amo correr, mas devido a problemas de coluna meus treinos passaram a ser bastante conservadores: 3 vezes por semana na areia dura em distâncias variando de 6 a 10 km, sempre em ritmo moderado. Nos outros dias estava fazendo musculação e alongamento, ambos 3 vezes por semana. Estes cuidados não foram suficientes, pois há pouco mais de um ano comecei a sentir dores nos tendões e articulações dos tornozelos. O ortopedista disse que tenho tornozelos instáveis, e recomendou substituir as aulas de alongamento por pilates com fisioterapeuta e incluir exercícios de propriocepção. Também receitou suplemento de diocerina + glucosamina + piridoxina. Segui as recomendações, as dores regrediram e voltei às atividades gradativamente. No início deste ano começou a doer um pouquinho e após uma corrida de 10 km que fiz em março passou a doer muito. Fiz uma ressonância e o diagnóstico foi: tendinopatia calcânea leve; rotura do ligamento talofibular anterior; estiramento do ligamento calcâneo-fibular; estiramento do ligamento deltóide; tenossinivite leve. O ortopedista disse que esse diagnóstico confirma o que ele havia dito há um ano, ou seja, instabilidade nos tornozelos, e que as recomendações continuam as mesmas: suplemento, pilates, propriocepção. Estou fazendo isso tudo e também fisioterapia (já fiz 20 sessões de ultrassonografia + laser) e agora estou iniciando exercícios de fortalecimento. Nos dias de corrida passei a andar de bicicleta, porque no momento até caminhada leve dói. As perguntas: Tem cura? Será que vou voltar a correr? Será que se voltar a correr estarei sempre submetendo meu corpo a uma sobrecarga que ele não suporta? Se puderem responder a estas perguntas agradeço, porque estou me sentindo frustrada em relação à minha condição atual e insegura quanto ao futuro.
Susanne, via e-mail


Sua história e quadro clínico são compatíveis com a hipótese diagnóstica de instabilidade ligamentar do tornozelo, causada por lesões prévias como entorses ou traumas. Concordo plenamente com as diversas recomendações do seu ortopedista, inclusive com as medicações prescritas. Porém, as respostas para as suas perguntas talvez não sejam tão objetivas quanto você gostaria. Creio que vá voltar a correr, mas a dor é um sinal que a carga sobre seu corpo está demasiada. A instabilidade crônica do tornozelo também apresenta uma opção cirúrgica, que você pode discutir com seu ortopedista.


ARTROSE NO JOELHO
Tenho artrose no joelho (possuo os joelhos para dentro.) Tive uma ruptura do corpo e do corno posterior do menisco medial. Um médico quer operar o menisco e diz que dentro de um mês mais ou menos poderei voltar a correr. Outro prefere tratar a dor da artrose e deixar para mais tarde a cirurgia do menisco, ou não fazê-la, e mandou que eu esquecesse as corridas e começasse a nadar. Tenho 55 anos e costumo correr 8 km 4 vezes por semana. O que faço?
Ana Maria Vida, via e-mail


A osteoartrose é uma condição degenerativa (desgaste) que afeta as articulações de carga dos animais vertebrados, e o ser humano não é uma exceção. Tornozelos, joelhos e quadris são mais comumente afetados, e a doença se caracteriza por dores, crepitação (rangido à movimentação) e inchaço, gerando muito desconforto e limitações ao paciente. A lesão meniscal que você menciona certamente contribuiu para o desenvolvimento da OA (osteoartrose), na medida em que os meniscos são estruturas internas dos joelhos que evitam o atrito entre os ossos e atuam como coxins intraarticulares. O fato de você apresentar joelhos para dentro (genu valgo), também foi determinante no desenvolvimento da OA, condição que não apresenta cura, mas apenas um controle, exatamente por se tratar de um desgaste da articulação. Portanto, creio que deva se submeter à cirurgia do menisco, realizar uma fisioterapia criteriosa no período pós-operatório, e manter sua condição cardiovascular através de atividades aeróbicas alternativas, como natação, "deep running" ou bicicleta ergométrica, quando liberada. Faça uso de substâncias condroprotetoras, como a glicosamina e a condroitina, na tentativa de recuperar parcialmente sua cartilagem.


TENDINITE NO QUADRIL
Tenho tendinite no quadril há mais de 2 anos. Fiz tratamento conservador, mas não tive retorno algum. Agora estou pensando em ondas de choque. O que vocês acham desse tratamento?
Ezequiel Neves, via e-mail


O quadril é uma articulação que faz a junção entre a bacia e os membros inferiores, situada profundamente, com referência à superfície cutânea, e comporta movimentos em todos os planos. Como é formado por diversos músculos e seus tendões, além de ossos e bursas, faltou você nos dizer qual tendão está acometido no seu caso. Tem dor ao sentar? Levantar? Andar? Ao rodar a coxa para dentro ou para fora? Seu tratamento foi bastante abrangente pelo que nos relatou, e não creio que a terapia por ondas de choque vai lhe trazer um benefício adicional. Discuta com seu ortopedista se existe uma opção cirúrgica para o caso, e se há indicação para você realizá-la.


DORES NA REGIÃO PÚBICA
Tenho 18 anos e há cerca de 2 meses tenho sentido dores próximo à região do sacro, ílios, e mais dolorosa e frequentemente na região púbica (abdome inferior). A dor parece ser muscular e geralmente dói mais pela manhã ao me levantar da cama. Queria saber o que é isso.
Eduardo, via-mail


Seu relato de dores na região púbica e abdome inferior são compatíveis com o quadro clínico de pubeíte, também chamada de sinfisite púbica. Caracterizada sobretudo pela pubalgia, ou seja, dor na região do púbis ao redor de sínfise, esta condição ocorre pelo desequilíbrio muscular entre os adutores da coxa (músculos presentes na parte interna da coxa que as movimentam em direção ao meio do corpo) e músculos abdominais, que tracionam o púbis e diminuem o ângulo entre a pelve e o tórax. Existem testes musculares que, se realizados e positivos, praticamente confirmam o diagnóstico de pubeíte. Medidas analgésicas (gelo no local e medicação antiinflamatória) são normalmente bem aplicadas, e resultam na melhora da dor. Além disso, posteriormente a fisioterapia está indicada para o reequilíbrio muscular e aumento da flexibilidade no local. Exames de imagem podem auxiliar o ortopedista no manejo da recuperação da sinfisite púbica. Jogadores de futebol estão mais propensos a desenvolver este problema.

2 Respostas para “Lesão de cartilagem; Luxação da patela; Instabilidade do tornozelo; Artrose no joelho; Tendinite no quadril; Dores na região púbica”

  1. Eu fiz uma Artroscopia no joelho a 3 meses, tive uma ruptura no menisco medial e condromalacea patelar, hoje ja estou correndo mas sinto dor na patela, essa dor e normal apos essa cirurgia e com o tempo ela desaparece fazendo fortalimento.

  2. Queimação/dor na lateral do braço, altura do cotovelo direito. É uma reação intermitente. Se pressionar não doi ou incomoda. Aparece qdo flexiono o braço ou qdo digito muito, se uso o notebook como agora (no desktop, não). Procurei sobre bursite e outros ites afins. Obs. tenho 50a e parece que estou passando pela síndrome do ‘bate estaca’: tudo (corpo) parece que irá funcionar diferente, apesar de o restante da vida continuar no mesmo rítmo. Vale dizer que não senti qqr das outras etapas como contam as histórias: 30a, 40a e até os 50, tbm não tenho sintomas citados de menopausa. Agora parece que entrei numa fase de frescurites. Conversando com o geriatra de meu pai, ele disse que eu tenho que me conscientizar dos 50a, cuidar da minha filha, da casa e ‘sossegar’: bom, isso só se for de mortalha, enqto puder, me negarei, mas tbm não pretendo ‘forçar’ o que possa me prejudicar.

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