Revista Contra-Relógio
// Fisioterapia //

Joelho instável tem solução

Edição 213 - JUNHO 2011 - EVELISE ZAIDAN

Dor na parte da frente do joelho, principalmente no agachamento e/ou durante a corrida, pode ser sinal de instabilidade fêmoro-patelar. Veja como evitar o problema ou enfrentá-lo, se for o caso.

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Dor no joelho é algo comum a todos que fazem atividade física e entre as suas causas a instabilidade fêmoro-patelar é sem dúvida uma das condições que mais dificultam a prática esportiva, como a corrida. Essa instabilidade é caracterizada por dores especialmente durante trabalhos com carga, ocorrendo, nos casos mais graves, luxações laterais da patela, que causam grande limitação de movimento.


O principal sintoma é a dor na frente (região anterior) do joelho e ocorre principalmente em movimentos em que a patela é pressionada contra o fêmur, como ao agachar ou correr. Estes movimentos fazem com que os músculos extensores recebam uma força cerca de 5 a 7 vezes maior que o peso do corpo, sofrendo, portanto, grande carga e aumentando a pressão da patela contra o fêmur.


Dependendo da gravidade da instabilidade fêmoro-patelar, a pessoa pode ter a sensação de que o joelho vai se deslocar a qualquer momento, podendo até perder o equilíbrio ou causando insegurança em realizar atividades esportivas e/ou cotidianas. O inchaço (edema) também pode ser observado, mas nem sempre ele acontece. Eventualmente surge dificuldade em realizar a extensão total do joelho.


Os fatores que levam ao joelho instável podem ser musculares, articulares ou traumáticos (queda, esforço exagerado), podendo ocorrer em conjunto ou isoladamente. Detectar a verdadeira causa do problema é fundamental para a escolha do tratamento.


Para o diagnóstico, o primeiro exame é clínico, na inspeção do individuo em pé observa-se o alinhamento do joelho, patela e perna como um todo. A análise da marcha (do andar) e da corrida também é necessária para detectar desequilíbrios musculares e articulares, pois geralmente é no movimento que a instabilidade fêmoro-patelar se manifesta. Os exames complementares como raio-x e tomografia computadorizada são importantes tanto para a certeza do diagnóstico, como para se definir a gravidade da lesão.



O TRATAMENTO. O programa de tratamento vai depender da causa e da gravidade da lesão. Estudos de eletromiografia (utilizando eletrodos para avaliar a atividade muscular) mostram que a atividade tônica (contração) do músculo vasto medial oblíquo é significativamente diminuída quando o indivíduo tem dor fêmoro-patelar. Portanto, o tratamento da dor se faz necessário para garantir o fortalecimento necessário deste grupo muscular. Recursos fisioterapêuticos de calor profundo, como o ultra-som e a crioterapia (gelo), são muito eficazes para a melhora da dor local, inflamação e edema.


A eletroestimulação (TENS) pode ser usada tanto para a melhora da dor (analgesia) como para estimular a contração muscular por meio de impulsos elétricos (FES), que proporciona contração muscular de forma passiva, ou seja, sem que o paciente necessite de força. Este método não garante ganho de grande força muscular, mas é importante para recrutar a contração de forma isolada, principalmente na fase de dor intensa, que o paciente não tem condições de realizar atividades de fortalecimento muscular sozinho.


Quando há melhora da dor, o tratamento geralmente visa o fortalecimento do músculo quadríceps, principalmente do vasto medial obliquo, alongamento dos músculos posteriores da coxa (isquiotibiais) e do vasto lateral, manipulação latero-lateral da patela, evitando-se atividades que exijam a rotação externa excessiva do joelho.


O treinamento proprioceptivo (consciência do movimento) e o fortalecimento muscular buscam uma nova capacidade motora durante as atividades, ou seja, trazer um equilíbrio na contração dos músculos vasto lateral e do vasto medial oblíquo, durante as atividades corriqueiras e na corrida.


Na maioria das vezes o tratamento é conservador, ou seja, sem a necessidade de cirurgia, a depender da gravidade e do tempo da lesão. A indicação cirúrgica pode ocorrer após 6 meses de fisioterapia sem se observar melhora.



TEM SOLUÇÃO! A instabilidade fêmoro-patelar pode impedir ou limitar significativamente a prática da corrida. O diagnóstico precoce evita a piora do quadro ou surgimento de outras lesões, como a da cartilagem, pelo aumento do atrito da patela com o fêmur.


Na maioria das vezes, esta alteração responde muito bem ao tratamento fisioterapêutico e possibilita que o atleta volte a correr com segurança. Há evidências de que o treinamento adequado pode promover um alinhamento correto da patela, possibilitando ao corredor a prática esportiva sem dor, por tempo prolongado. Por isso, caso sinta dor na região anterior do joelho, principalmente no agachamento e/ou durante a corrida, procure um médico.



USAR JOELHEIRAS AJUDA?


Há vários tipos de joelheiras no mercado, cada uma com indicação diferente. A joelheira recomendada para ser usada durante a corrida, por atletas que sofrem de instabilidade fêmoro-patelar, possui um orifício na região da patela.


Esta joelheira proporciona o posicionamento correto da patela sobre o fêmur, impedindo que ela deslize para a lateral. Mas atenção, use com orientação de um profissional.


A ajuda dos exercícios


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