Revista Contra-Relógio
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Habilidades Motoras: para Correr e Viver Bem

Edição 163 - ABRIL 2007 - LUIZ CARLOS DE MORAES


Invariavelmente, todo ser vivo na sua trajetória de nascer, crescer, envelhecer e morrer segue naturalmente uma ordem lógica de desenvolvimento de habilidades motoras. Seres humanos nascem, rolam, levantam a cabeça, ficam de quatro, engatinham, ficam de pé procurando equilíbrio, andam, correm, saltam e arremessam. No decorrer desse crescimento natural, se não houver uma tentativa de adiantar o processo ou ocorrer traumas, as habilidades motoras serão bem desenvolvidas, tudo a seu tempo, aperfeiçoando o sistema nervoso central.


Um bom exemplo de interferência nesse processo é quando os pais tentam fazer a criança andar antes da hora, colocando-as nos famigerados andadores. Além da criança não andar antes do tempo, quando o faz realiza os movimentos sem um perfeito equilíbrio e noção espacial não desenvolvido no tempo certo.

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Ou seja, existe uma progressão de desenvolvimento natural estabelecida, lá por papai do céu, e que a ciência chama de desenvolvimento cognitivo. As respostas motoras obedecem à capacidade do desenvolvimento físico e mental. Os músculos e ligamentos dos pés, por exemplo, começam a ser aperfeiçoados quando a criança, principalmente descalça, começa a tentar ficar de pé, exercendo força de agarre com os pés contra o solo. É esse movimento reflexo de sensibilidade que vai permitir a formação da estrutura dos pés, tão importante para o equilíbrio e futuramente possa correr melhor.


A pirâmide de Gallahue. A teoria e o modelo de seqüência inter-habilidade são bem aceitos na comunidade científica, sendo o mais divulgado o de Gallahue - 1982 representado por uma pirâmide, onde na base encontra-se o primeiro estágio de movimentos reflexos do recém-nascido (agarrar), passando pelos rudimentares (engatinhar, marchar) os fundamentais (correr, saltar, lançar, puxar, empurrar, trepar) e no topo os refinados movimentos esportivos. Numa Olimpíada ou em jogos esportivos importantes, os medalhistas são os atletas que, entre outros fatores, receberam os estímulos certos do ambiente nos momentos mais adequados em suas vidas.


Da mesma forma, falando de atividades esportivas do povão, como é a corrida, apesar de parecer tão simples, muitos de nós, em algum momento já nos perguntamos: por que fulano corre mais do que eu, se faço tudo certo nos treinamentos e ele nem treina tanto?


Em primeiro lugar, de certa forma, quando dizemos que o campeão já nasce feito, tem um fundo de verdade nisso. O que determina é a genética e depois os outros fatores. Não significa que se você não foi agraciado pela genética, então vai deixar de treinar. A genética sozinha não faz milagre. É preciso passar por todos os estágios de desenvolvimento, ter o plano de treinamento certo no momento certo, para chegar a algum lugar.


A familiarização e a intimidade com o simples ato de correr dependem do desenvolvimento das habilidades básicas, que vão proporcionar uma perfeita noção de equilíbrio, coordenação motora dos movimentos, flexibilidade para dominar a biomecânica do movimento e as resistências naturais: a do atrito com o solo, a pisada transferindo a força das pernas para o vôo mantendo a aceleração, a pisada da aterrizagem e a do ar, incluindo aí o vento que nunca sopra o tempo todo na mesma direção.


Intimidade com o esporte. Treinar e desenvolver a flexibilidade, fazer musculação, se alimentar de modo correto, dormir bem e um número de horas suficiente por dia. Ufa! Correr já não parece ser assim tão simples. São pequenos detalhes que fazem a diferença. Ganha quem treina certo, não quem treina mais ou tenha só o talento.


Conclusão: correr direito implica em seguir uma ordem de aprendizado das habilidades motoras, e não adianta muito pular etapas. Todas são importantes para o resultado final que é dominar o gesto esportivo e ter intimidade com a corrida. Essa é a palavra: intimidade... com a corrida, a bola, a água, a raquete, a bicicleta etc. Tem gente que "briga" com a corrida, deixando transparecer um sofrimento, enquanto tem gente que desliza suavemente, parecendo não fazer esforço nenhum correndo. Isso faz toda a diferença, ou não?


Quando a criança tem oportunidade desse desenvolvimento natural já na própria corrida, muito cedo ela começa também a desfrutar das outras vantagens, tais como a socialização. Nenhum outro esporte é mais barato, mais democrático e por isso mesmo é o mais praticado no mundo. Outro grande aprendizado a ser levado para o dia-a-dia é a noção de perseverança, determinação, planejamento e conquista de metas. O sucesso depende do próprio esforço para treinar, suar a camisa e vencer. Se a corrida é assim a vida pessoal também é.


Por todos esses atributos o atletismo numa Olimpíada ou mesmo jogos Pan-Americanos é o mais esperado porque representa o desafio e a superação dos limites humanos. Os melhores atletas terão reunido os mais refinados movimentos, aperfeiçoados desde o nascimento. A nós seres mortais ficam os exemplos para a qualidade de vida.


Nas atividades funcionais (andar, correr, subir escadas, sentar, levantar etc), as habilidades motoras e a postura para executar qualquer movimento têm o seu grau de importância para uma vida sadia. Postura é definida como o estado de equilíbrio dos músculos e ossos com capacidade para proteger todas as estruturas do corpo humano de traumatismos em qualquer posição: em pé, sentado ou deitado. Quem anda, senta ou dorme todo torto tem menos qualidade de vida e acaba adquirindo doenças que poderiam ser evitadas como, por exemplo, as ligadas à coluna.


Não é difícil entender que qualquer desequilíbrio numa ou mais cadeias musculares resultem em outros desequilíbrios compensatórios do lado oposto. Por isso, talvez seja tão difícil corrigir posturas inadequadas já consolidadas e compensadas por anos a fio. Portanto, corredor, não basta também correr certinho se no resto do dia há um relaxamento geral da postura. O velho e bom hábito militar, peito pra fora, barriga pra dentro, tem sentido. Muitos de nós já ouvimos quando criança a mamãe falar: senta direito menino (a)!


Exercícios educativos


Não é difícil vermos pessoas correndo um pouco tortas, passadas descoordenadas, sem ritmo e parecendo estar sem direção. Ou seja, não correndo como manda o figurino, embora alguns corredores famosos, como José João da Silva, João da Mata, Valdenor dos Santos, entre outros, não tivessem/tenham uma forma bonita de correr e mesmo assim conseguiram/conseguem grandes resultados. Para quem não os conhece, José João corria saltando, João da Mata dava passadas muito largas e Valdenor corre "sentado".


Daí, a justificativa dos chamados treinamentos educativos, apesar de serem considerados por muitos como pouco úteis, especialmente para adultos, na medida em que não se consegue corrigir eventuais posturas "erradas" (como os três casos citados), por já estarem sedimentadas, por terem sido desenvolvidas naturalmente.


Passada curta ou rápida? Qual é mais adequada a cada um? Tem que treinar para saber. Correr sobre uma linha imaginária ou real, como acontece em provas de rua no asfalto, correr elevando os joelhos, correr prestando atenção à pisada ora na ponta dos pés, ora no meio ou fazendo o rolamento. Cruzar excessivamente os braços na frente do corpo dificulta a fase do vôo. Corredores mais velozes não fazem isso, mas não existe uma regra fixa. É a que o indivíduo melhor se adapta de acordo com seu tipo físico.


Muitos atletas de ponta foram descobertos ao acaso já adolescentes, de origem muito pobre e tiveram uma ascensão rápida sem muita chance de corrigir a postura durante o desenvolvimento. Não é raro histórias de atletas que na infância tinham de correr de casa para a escola em duras regiões. Depois de adultos formados realmente fica mais difícil a correção desses vícios posturais.


Entretanto, defendo a tese da importância dos educativos, mesmo que não tenham a mesma eficiência na corrida como têm em outros esportes de movimentos mais técnicos, como a natação, uma das modalidades em que a perfeição dos movimentos faz a diferença.


Por isso, apresento no quadro alguns exercícios educativos para corredores, a serem feitos em pequena distância (não mais que 20 metros) e duas ou três séries.

6 Respostas para “Habilidades Motoras: para Correr e Viver Bem”

  1. eu adorei bastante sabre correr e viver bem e varias outras coisas

  2. pôw gostei de + como viver bem e
    brincar e emportante

  3. me amarrei nisso, ainda ñ tinha prestado atenção o quanto correr, viver, e brincar era tão bom

  4. me ajudou bastante no trabalho se educaçao fisica

  5. mim ajudou mutissimo no trabalho de educacao fisica!!!bjuss

  6. mim ajudou mutissimo no trabalho de educacao fisica!!!bjuss

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