Revista Contra-Relógio
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GIOMAR PEREIRA: Da roça para as corridas, com enorme sucesso!

Edição 200 - MAIO 2010 - TOMAZ LOURENÇO

Ele participou de sua primeira corrida quando tinha 25 anos, por insistência do irmão, e já venceu. É verdade que era uma prova modesta, numa cidadezinha da Bahia, mas foi o começo de tudo. Agora ele é um dos nossos melhores corredores, tricampeão do Circuito Caixa, e vencedor da Meia de SP deste ano e único brasileiro no pódio da Meia do Rio no ano passado, em terceiro lugar. Conheça mais sobre o baiano Giomar Pereira dos Santos, hoje com 37 anos, cuja vida mudou para melhor ao virar corredor.


Contra-Relógio: Como você conseguiu vencer logo na sua primeira corrida?

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Giomar Pereira: Veja só, era uma prova com poucos participantes e não havia corredor "de verdade", só gente da cidade. Acho que minha vida dura na roça me deu um bom condicionamento físico e, além disso, eu jogava muito futebol e dessa forma corria muito, atrás da bola...


E foi seu irmão que o inscreveu, porque você nada sabia de corridas de rua.


Exatamente. Fui visitar a família em Jacobina e lá fiquei sabendo da novidade. Aí concordei em participar e acabei voltando para casa com um troféu e até um dinheirinho, que para mim foi muito e me empolgou a tentar o mundo das corridas.


Mas você já mudou de vida depois disso?


Não, continuei na roça com minha mulher e dois filhos, mas fazendo uns treininhos pelas estradas de terra para uma competição que aparecesse. E até tentei na Duque de Caxias de Jacobina, mas não consegui nem fazer pódio na faixa etária, que lá é bastante amplo. Mas aí apareceu um prova na cidade de Tanquinho de Feira e acabei sendo o vencedor, ganhando um garrote (boi novo) de prêmio, que vendi lá mesmo. Nunca tinha visto tanto dinheiro! E isso acabou me motivando a decidir tentar a vida de corredor, como profissão.


Parou então de trabalhar, para viver das corridas?


O processo não foi tão rápido assim. Me mudei para Jacobina com a família e arrumei emprego em uma distribuidora de bebida, o que me permitia treinar diariamente. Também comecei a fazer alguns contatos, buscando orientação nos treinos e logo estava participando de várias provas, conseguindo um terceiro lugar na Duque de Caxias de Salvador, com boa premiação em dinheiro. Trabalhei por dois anos na distribuidora e pedi para ser demitido, o que me deu condições financeiras para experimentar me dedicar integralmente à corrida por 6 meses e ver os resultados.


E deu certo essa mudança? Quando foi?


Isso foi em 2005 e a partir de então comecei a me sair bem em várias provas pelo Brasil, especialmente em 2006, que considero meu primeiro grande ano e quando fiz meu primeiro pódio decididamente importante: 5º lugar na Meia do Rio, mesmo não saindo na elite, porque não era ainda conhecido e não tinha resultados que me garantissem um lugar na elite. Mas larguei forte e fui buscar os ponteiros, acompanhando o grupo até o final.


Até então você corria sem nenhum patrocínio?


Exato e essa situação continuou, só mudando em 2007, quando passei a ter uma ajuda financeira da Caixa, por ter sido o campeão do Ranking Caixa CBAt de Corredores, o que me garante hoje R$ 2.400,00 por mês. Depois consegui também ajuda da UniDF e desde o ano passado passei a correr pelo Cruzeiro, que me dá suporte nas viagens e um salário digno.


E esses 4 anos como corredor profissional lhe permitiram mudar de vida para melhor?


Sem dúvida! Hoje tenho casa própria, carro novo e vivo bem em Jacobina.


E seus treinamentos? Como foi sua evolução?


Eu recebi algumas ajudas no começo de técnicos de Salvador e depois fui eu mesmo me orientando. Procuro ler a respeito, inclusive a Contra-Relógio, obviamente, e uso a minha larga experiência. Enfim, já são mais de 10 anos de estrada.


Além dos treinos de corrida, você faz alguma complementação?


Já há algum tempo faço academia duas vezes por semana, além de treinar também duas vezes por dia. Minha quilometragem semanal dificilmente fica em menos de 150 km, chegando a 180 km quando me preparo para maratonas, como agora, visando me sair bem na de São Paulo.


O objetivo na Maratona de São Paulo é a vitória?


Sempre é para um atleta de elite, mas se eu for o melhor brasileiro também ficarei muito contente.


E qual o maior sonho ou as metas importantes a curto prazo?


Vou me preparar para as principais corridas brasileiras, como a Meia do Rio e a Volta da Pampulha, mas especialmente para a São Silvestre, onde nunca consegui pódio e isto estou devendo para mim.

Uma resposta para “GIOMAR PEREIRA: Da roça para as corridas, com enorme sucesso!”

  1. exemplo de garra e superação poderia ser seguido por esses politicos corruptos.valeu giomar fábio seu vizinho aqui em jacobina.

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