Revista Contra-Relógio
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Foco nas montanhas

Edição 269 - FEVEREIRO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Após a vitória nos 100 km da Indomit Costa Esmeralda e boas colocações em outras provas, Ana Giovanelli espera atingir o ápice no trail run este ano.

Natural de Curitiba, Ana Giovanelli, de 38 anos, começou a correr apenas em 2008. Em 2012, a vontade de conhecer uma nova modalidade, aliada à motivação de amigos e ao contato direto com a natureza, a levou para as trilhas. Foi paixão instantânea e os resultados começaram a aparecer. No ano passado, por exemplo, foi a campeã dos 100 km na Indomit Costa Esmeralda.
"Desde o início, sempre conciliei esporte com a minha profissão, de fisioterapeuta instrutora de Pilates. Isso ocorre até o momento", afirma Ana. O que era apenas um passatempo e uma estratégia para manutenção de uma vida saudável, hoje se tornou uma segunda profissão.
Ana se recorda da estreia no trail run. "Foram 12 km de superação, dor e sacrifício. Terminar a prova já foi uma grande conquista para mim, porém, a resposta do meu corpo nos dias seguintes foi puxada: muitas dores, desconforto e machucados que me fizeram ficar uma semana sem conseguir me mexer direito, prometendo que nunca mais faria algo parecido. Mas, tive a coragem de me aventurar novamente nas trilhas, tomando gosto pelo esporte."
Pela rotina atual, são de quatro a cinco treinos semanais. "Sendo um ou dois com quilometragem mais elevada e técnicas mais avançadas. Dependendo da prova e do momento de meu corpo, eu e o Tche (o técnico dela Fábio Moralles Alonso, da Trainner Assessoria, de Curitiba) definimos estratégias de treino diferenciadas para suprir algum ponto específico, como caminhar longos quilômetros puxando um pneu amarrado à cintura", explica a corredora.
Para esta temporada, os planos de Tche são mais ousados. "No ano passado a prioridade foi ganhar resistência e força nos terrenos específicos, pois a preparação começou mais tarde e não tínhamos tempo para uma base mais longa, que seria o ideal. Agora, com a base sendo pensada de forma calma, vamos trabalhar a corrida, pois, depois, na fase específica, será ‘pancadaria' nos terrenos (trilhas e montanhas) de prova mesmo. As provas em montanha são em sua essência eternos fartleks, então, intervalados e treinos mais fortes fazem parte da preparação."
O calendário da dupla ainda não está fechado totalmente, mas entre competições de asfalto e trilhas, uma já está certa: a tradicional Supermaratona de Rio Grande, RS, de 50 km, no dia 13 de março.

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QUALIDADE E SEGUNÇA - A dupla vê com bons olhos o crescimento do mercado de corridas em montanha no Brasil, mas também cobra melhorias. "Observei uma grande guinada positiva com relação ao crescimento em 2015, com investimentos maiores e mais pessoas aderindo à modalidade. Com relação a este ano, espero provas com nível técnico ainda mais alto", afirma Ana.
Já Tche tem uma visão mais crítica. "O mercado de corrida de uma maneira geral realmente cresceu muito e no trail ainda mais, mas, como em tudo, temos o que é bom e o que não é. Neste caso, não podemos colocar em risco a integridade dos atletas. Isso é praticamente um crime. Para se fazer uma prova trail com qualidade e segurança, precisa-se investir e cobrar por isso. Os corredores tem de parar com a história de que isso é caro ou não. Precisam entender que, para levar uma estrutura para o meio do nada, muitas vezes, há um custo elevado. Além disso, para montar um trajeto trail, leva-se tempo e necessita-se de pessoal especializado. Não se trata de colocar cones e pronto", comenta o treinador.

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