Revista Contra-Relógio
// Nutrição //

Estimulantes naturais, para uma corrida mais animada

Edição 279 - DEZEMBRO 2016 - ANDREIA TORRES

No mercado existem vários produtos denominados “energéticos”, que trazem riscos à saúde. Mas uma alimentação saudável já garante grande disposição.

Tanto em 2015 quanto em 2016 vários suplementos foram banidos do mercado mundial por conterem substâncias estimulantes potencialmente prejudiciais à saúde. A caça a substâncias ilícitas em produtos voltados para o público saudável e para atletas não é novidade.
Na década de 1990 a efedrina foi largamente utilizada pela indústria, em suplementos que garantiam maior queima de gordura corporal ou aumento do rendimento esportivo. A substância foi oficialmente banida do mercado no início dos anos 2000 em decorrência de seus efeitos colaterais, que incluíam aumento da agressividade, ansiedade, frequência cardíaca e pressão arterial. Alguns usuários faleceram por hemorragia cerebral e parada cardíaca. Mesmo assim, a efedrina ainda podia ser encontrada até recentemente, de forma ilegal, em suplementos termogênicos, aqueles que prometem maior mobilização de energia e queima de gordura.
Após a proibição de venda de várias marcas de suplementos estimulantes e termogênicos, a indústria adaptou-se, passando a utilizar a sinefrina, molécula com estrutura química similar à efedrina, porém menos potente. Estudos mostram que a substância, derivada de uma variedade específica de laranja (bitter orange), pode melhorar o estado de alerta e aumentar o gasto calórico em até 150 kcal diárias.
O consumo de pequenas quantidades, similares à presente na laranja é segura. Contudo, o uso de suplementos com altas quantidades de sinefrina, especialmente quando associados à cafeína, aumenta o risco de hipertensão, desmaios, derrame cerebral e parada cardíaca. O uso de sinefrina também pode piorar o controle do diabetes e do glaucoma. Desta forma, apesar de a comercialização ser permitida, o uso deve ser cauteloso e acompanhado por um profissional de saúde.
Como a sinefrina é menos potente do que a epinefrina, e o aumento do gasto calórico diário não foi capaz de contribuir com perdas de peso duradouras, outros compostos começaram a surgir no mercado de suplementos. Um deles é a metilhexaneamina (DMAA). Apesar de ainda não ter sido banido do mercado, a indústria tem feito grande esforço para disfarçá-lo nos rótulos, utilizando o nome de uma planta rara (Acacia rigidula) ao invés de DMAA. Outra substância disfarçada com o mesmo nome é a beta-metilfenetilamina (BMPEA). No ano passado várias indústrias foram advertidas quanto à prática uma vez que DMAA e BMPEA não são ingredientes adequadamente estudados, além de não serem extratos naturais da planta em questão.
Por fim, este ano nos Estados Unidos, análises químicas de novos suplementos mostraram a presença de oxilofrina, frequentemente listada como metilsinefrina ou extrato de acácia. A oxilofrina age no sistema nervoso central, aumentando a frequência cardíaca. Em 2013 o composto foi responsável pela eliminação de corredores de velocidade, como Tyson Gay e Asafa Powell de competições importantes. Novamente, neste ano, 14 marcas de suplementos nos EUA foram autuadas por conterem oxilofrina. Apesar de vendidos como suplementos inofensivos, podem aumentar perigosamente a pressão arterial. Pessoas com problemas de saúde (identificados ou não) são os que mais se arriscam.
Caso você esteja precisando de um estímulo a mais para treinar ou perder peso, o ideal é apostar em uma alimentação saudável, que forneça calorias e todos os nutrientes necessários ao adequado rendimento durante as corridas. Veja no quadro.

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PARA CORRER MELHOR
Café: Se você não possui arritmias cardíacas ou enxaqueca, o café pode ser um bom aliado do seu treino, aumentando a geração de energia e a resistência física. Você pode ingerir uma boa xícara de café antes do treino ou apostar em alguma destas receitas:
Shake de café: Bata no liquidificador 1 copo de leite, 1/2 xícara de café forte, 1 banana congelada, 1 pitada de canela em pó, 1 colher de sopa de amêndoas picadas (opcional). Se desejar, para adoçar, adicione estévia (caso esteja restringindo calorias ou carboidratos), açúcar ou mel (se não houver restrição calórica ou de carboidratos). Bata até obter uma textura cremosa. A dica é ir adicionando o leite e o café, aos poucos, para observar a consistência.
Café gelado proteico: Bata no liquidificador 1 medida de whey protein ou proteína vegetal sabor chocolate ou baunilha, canela a gosto, 1 xícara de café sem açúcar ou 1 colher de café solúvel, 1 colher de sopa de avelãs picadas e torradas (opcional) e gelo. Adoce se necessário.
Shake pré treino: Bata no liquidificador 1 copo de água de coco, 1 banana, 1 colher de sopa de óleo de coco, 1 cubo de gelo de café, canela e cacau em pó a gosto. Da próxima vez que fizer café forte, congele um pouco em cubinhos de gelo; assim, terá cubos prontos para fazer o seu shake.


Espinafre: Este vegetal rico em ferro e vitamina E contém também octasonol, substância que aumenta a captação de oxigênio pelos músculos, favorecendo o rendimento físico. Faça um suco com água de espinafre batido com beterraba, vegetal rico em nitratos, que favorece o aumento do óxido nítrico, substância que contribui para a dilatação dos vasos e maior fluxo sanguíneo. Atletas que ingerem 250 ml desse suco, 30 minutos antes do treino, captam mais oxigênio, o que gera maior força de contração muscular. Faça o teste!


Brócolis: Estudos publicados por pesquisadores da Califórnia mostraram que o consumo diário de brócolis e outras brássicas (couve, repolho, couve flor, nabo, agrião, rabanete) reduz a fadiga muscular e o número de lesões. Combine brássicas com uma proteína (frango, peixe, carne vermelha, cogumelos, soja ou quinoa) em seu almoço ou jantar, para facilitar o reparo da musculatura no pós treino.


Chá verde: Ele é rico em cafeína e catequinas, substâncias estimulantes, que facilitam a queima de gordura e estimulam o desempenho esportivo. Contém também reanimas, que reduzem o estresse físico e mental, e polifenóis, que inibem a inflamação crônica e aceleram a recuperação muscular. Se você não gosta do sabor do chá verde, conserve-o na geladeira (mas por no máximo 24 horas) e misture-o com suco de uva integral. Pode ser ingerido no pré e no pós treino.

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