Revista Contra-Relógio
// Brasileiros lá fora //

Disney das mulheres

Edição 293 - FEVEREIRO 2018 - ANDRÉ SAVAZONI

Prova norte-americana segue com enorme presença feminina, que predomina nos 10 km, 21 km e 42 km.

A edição de 2018 da Walt Disney Word Marathon Weekend confirma seu sucesso entre as mulheres, tendo como destaque as brasileiras Giovanna Costa (vencedora da maratona pela terceira vez) e Danielle Nobile (segunda colocada na maratona e terceira na meia entre as cadeirantes).
A participação dos corredores do Brasil, inclusive, segue bem alta, impulsionada por diversos fatores, sendo os principais o período de férias de início de ano e a atração de Orlando nas viagens. Assim, foram 685 concluintes do país na maratona, 893 na meia e 576 nos 10 km (nesse caso, como não há uma classificação geral dos desafios do Dunga e do Pateta, os corredores estão incluídos nessa relação).
Em termos de resultado, no masculino, o Brasil perdeu uma hegemonia que já durava 14 anos na maratona masculina (nesse período, houve um revezamento com oito primeiros lugares de Adriano Bastos e seis de Fredison Costa). Neste ano, o ganhador foi o norte-americano Nicholas Hilton, com 2:17:52, seguido pelo brasileiro Vanilson Neves, de São Paulo, com 2:20:25. Alisson Rocha Peres, de Curitiba, terminou na quarta colocação com 2:24:01.
No feminino, a festa foi de Giovanna Martins, de Indaiatuba, que garantiu o terceiro Mickey (troféu dado aos ganhadores da maratona) com o recorde pessoal de 2:47:22. Kamilla Pontes, de São Paulo, terminou na quinta posição com 2:59:33 (ela fez o Desafio do Dunga).
Individualmente, destaque também para Marcelo Avelar, que participando do Dunga, obteve ótimos resultados ao ganhar os 10 km (31:56) e os 21 km (1:08:28), além de terminar em sétimo na maratona (2:41:14) e ter sido o vencedor dos 5 km (não há uma classificação oficial da Disney nessa prova). Avelar foi o primeiro colocado do desafio também. Ele repetiu seu feito de 2016, tornando-se o único bicampeão das 3 corridas, nos 25 anos do evento.
Vale lembrar que, ao contrário das demais grandes maratonas e meias pelo mundo, a da Disney nada oferece de premiação em dinheiro aos primeiros colocados, não atraindo corredores da elite internacional por essa razão.

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FOCADO NOS 42 KM - Na segunda participação na Disney (fez o Dunga em 2016), a festa de Vanilson Neves foi grande pela segunda posição e o faz sonhar com boas temporadas em 2018 e, principalmente, 2019. "Este ano, fui bem focado, somente para os 42 km. A preparação encaixou bem, em um total de dez semanas para ser mais preciso. Me senti realmente mais confiante nas quatro semanas que antecederam a prova, o que me fez acreditar em grande resultado", contou Vanilson em entrevista exclusiva à Contra-Relógio.
Ao ser indagado se imaginava correr para 2h20, Vanilson foi sincero. "Sim, mas não estava nos meus planos, devido a lesões durante o ano. Me senti mais confiante quando passei a marcação dos 21 km; nesse momento acreditei até numa vitória, passando a ditar o ritmo do pelotão. Mas não sabia que o Nicholas Hilton tinha resultados tão expressivos, como 1h03 na meia. Ele percebeu que eu estava inteiro, e ficou me marcando a prova inteira. Do km 26 ao 28, tentei sair, e somente ele veio junto. Fomos até pouco mais dos 32 km, quando ele abriu um pouco, passei a sentir, meu corpo não estava acostumado a tanta intensidade em longa duração. Sabia que estava em segundo lugar e administrei", contou Vanilson.
De acordo com o brasileiro, a parte mais difícil foram os últimos quatro quilômetros, dentro dos parques Hollywood Studios e, principalmente, o Epcot. "Devido às pernas cansadas e ao piso de concreto. Não sabia o tempo que estava fazendo, nem olhava no relógio, apenas quando vi o relógio no pórtico soube realmente do recorde pessoal, o que colocou entre os primeiros colocados no ranking brasileiro. Isso me deixou ainda mais feliz do que a posição em si, em uma prova com um dos melhores níveis técnicos da Disney dos últimos anos, tanto que o resultado classificou o campeão para a seletiva norte-americana que definirá os três classificados do país aos Jogos Olímpicos de Tóquio", festejou Vanilson.
Os planos estão traçados para os próximos meses. "Com um pouco mais de confiança, poderia até ter começado o ano com um sub 2h20, mas estou bem feliz. Para a sequência do ano pretendo melhorar o tempo nos 10 km e na meia-maratona. Para pensar em uma maratona abaixo de 2h19, tenho de ganhar velocidade. Objetivo para 2018 é melhorar nas provas mais curtas para, então, em 2019, quem sabe, escolher uma maratona rápida e buscar um tempo próximo de 2h16."


PÓDIOS INÉDITOS - Quem também se destacou foi Danielle Nobile, de Porto Alegre, triatleta cadeirante e que, fazendo o Desafio do Dunga, ficou entre as primeiras tanto na meia (terceira colocada com 2:00:44) quanto na maratona (segunda com 4h16). "Fui a primeira deficiente, de qualquer deficiência e sexo, do Brasil a ser pódio na Disney. A própria organização me falou isso quando recebi o troféu dos 21 km", contou a atleta, que especificou como foi a preparação para competir por quatro dias seguidos em Orlando.
"Faço triatlo e estava treinando para duas provas até outubro, em distâncias menores, como a olímpica. Estou acostumada a treinos longos, de 4 a 5 horas no triatlo, mas não somente na cadeira de rodas. Tenho, inclusive, 15 meias-maratonas e quatro maratonas completadas no handycicle. O equipamento até pode ser utilizado na Disney, mas não concorre aos pódios. Assim, me inscrevi na cadeira de corrida e precisei de muita adaptação. Para a Disney mesmo, me preparei em novembro e dezembro", disse Danielle.
Em média, nessas oito semanas, ela fazia um intervalado, um regenerativo e os treinos longos e simulados. "Tipo sexta e sábado, sábado e domingo, depois sexta, sábado e domingo. Na última semana de preparação, quase uma prova completa, pois fiz 5 km na quinta, 10 na sexta, 20 no sábado e 30 km no domingo. Só que em um percurso bem diferente, mais plano, com poucas curvas. Na Disney, houve muitas curvas nos parques, subidas curtas, inclinadas, exigindo uma técnica que ainda não domino. Senti muito no trecho da maratona que passa dentro do complexo esportivo da ESPN. Demos uma volta no campo de beisebol de brita, molhado, minha cadeira atolou! Foi bem difícil", afirmou a paratleta, citando ainda os trechos mais estreitos.
Também foi prejudicial as baixas temperaturas, que neste ano aconteceu nos quatro dias da Disney. "Sinto muita dor no frio por causa da lesão na medula. A sequência das provas é desgastante, mas o que mais atrapalhou mesmo foi o frio. Meu noivo não é deficiente e também sofreu com o clima, ao fazer também o Desafio do Dunga. No primeiro dia coloquei quatro calças e passei até mal pela quantidade de roupas. Teve um dia que acordamos para ir para a prova e havia gelo em cima dos carros", disse Danielle.
Quanto à organização, ela só tem elogios. "Eles oferecem uma assistência incrível para os deficientes. Um guarda-volumes somente para nós. Íamos com os casacos de frio para a largada e ficávamos meia hora esperando, das 5h até às 5h30. Os voluntários ficavam juntos, esperavam até faltar 4 minutos para a largada, para tirar o casaco e guardar para a gente", contou. "Vivi um episódio emocionante nos 10 km. Gravei vídeos com voluntários que ficaram comigo ajudando em uma subida bem íngreme, sem me tocar, mas incentivando, vindo junto, com palavras de apoio. Muito legal. Chorei de emoção durante a prova. Apesar de ter enfrentado também o problema de corredores com fones de ouvido como no Brasil, o que me atrapalhou demais. Tive de frear em vários trechos, pois não saíam da frente, não escutavam a gente chegando, chamando, gritando."
Danielle pretende se especializar agora na cadeira de corrida. "Meus planos são de fazer mais provas longas com ela, para isso preciso treinar em diferentes pisos e altimetria, incluindo as curvas. A Disney me serviu para analisar e pensar em deficiências no meu treinamento. Notei várias coisas para melhorar, como as subidas", completou a atleta, que voltou para casa com dois belos troféus, do Pato Donald (21 km) e do Mickey (42 km).


GRANDE FESTA - O grande charme da Disney é mesmo a participação popular e a animação pelos parques. "Fazer o desafio do Dunga em 2018 sempre foi meu foco, para comemorar meus 50 anos no dia 6 de janeiro; completei todas as provas com o melhor condicionamento físico dos meus quatro anos em que treino corrida. Ainda bati o recorde pessoal na maratona com 4h20", disse Maria Cristina Okawa, de São Paulo.
Ela também elogiou a organização em todos os dias. "A prova como sempre foi muito bem montada, sendo impressionante a quantidade de participantes e também das pessoas que acordam bem cedo para nos dar aquele apoio e nos incentivar em alguns pontos do percurso, além dos personagens da Disney que embelezam a prova, enfim uma corrida que todos devem fazer um dia", completou Maria Cristina.
O evento também é escolhido por muitos estreantes. "Tive uma incrível experiência em poder participar da minha primeira meia-maratona e ainda em uma prova internacional. A partir da hora da largada pude observar o nível de organização do evento, acompanhado a todo o momento pelo público nas ruas nos aplaudindo, os personagens encontrados durante todo tempo, água e isotônicos que não faltaram, podendo contar com um lindo percurso plano, passando pelo Magic Kingdom e pelo Epcot. Mesmo com o frio que desequilibrou o começo da prova, e a saída ainda no escuro, os atletas tiveram todo o apoio no final, podendo contar com uma manta térmica para se manter aquecidos. Gostaria de voltar outros anos para fazê-la novamente", contou Pedrinho Barreto, de São Paulo, resumindo a sensação da maioria dos corredores que participam das provas da Disney.


PROVAS DE 2019 - Mais informações e resultados completos da Disney podem ser obtidos em www.rundisney.com/disneyworld-marathon/. A previsão é de que as inscrições para as provas de 2019 (provavelmente nos dias 3, 4, 5 e 6 de janeiro) sejam abertas entre março e abril.



Mais de 20 mil na meia e maratona


Os números gerais seguem grandiosos na Disney, com 20.050 concluintes nos 42 km (9.265 homens e 10.785 mulheres), 20.801 nos 21 km (8.525 homens e 12.276 mulheres) e 12.890 nos 10 km (5.267 homens e 7.623 mulheres), sendo que nos 5 km não há classificação oficial. Nesses números estão incluídos também os participantes dos dois desafios: Dunga (5 + 10 + 21 + 42 km) e Pateta (21 + 42 km).

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