Revista Contra-Relógio
// Medicina Esportiva //

Desgaste no quadril; cartilagem do joelho; dores no joelho; osteíte púbica

Edição 229 - OUTUBRO 2012 - JOSÉ MARQUES NETO


DESGASTE NO QUADRIL

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Estou com um sério problema de desgaste da cartilagem do quadril. Gostaria de saber se vocês têm alguma orientação sobre o caso, para que eu possa continuar treinando e participando das corridas.


Nilton da Silva, Tubarão, SC



Sem dúvida que, em termos amplos, desgaste de cartilagem é um sério problema, seja ele na articulação do quadril, dos joelhos, dos tornozelos etc. Porém, toda situação em medicina esportiva depende fundamentalmente da correlação entre exames de imagem, exame físico e a história do paciente, o que os médicos chamam de anamnese. Sua solicitação carece de dados relevantes acerca de seu histórico como corredor e como você se sente agora: Está correndo? Sente dores no quadril? Pratica alguma outra atividade física? Orientações seguras e relevantes em medicina do esporte dependem de informações precisas dos pacientes. Procure a ajuda de algum ortopedista especialista em medicina do esporte para o devido acompanhamento de seu caso, e invista temporariamente em atividades aeróbicas alternativas à corrida, como natação, hidroginástica, "corrida na água", bicicleta ergométrica ou treinamento elíptico, além de um programa abrangente em musculação.



CARTILAGEM DO JOELHO


Há 2 anos estou correndo, distância máxima 10 km em 1h10, e faço caminhadas longas em trilhas, de até 25 km, nos fins de semana e feriados. Agora me apareceu um problema no joelho e através de ressonância foi constatado afilamento difuso/leve irregularidade da cartilagem de revestimento patelar. A indicação médica foi anti-inflamatório e fisioterapia. Gostaria de saber se há outro tratamento alternativo para uma recuperação mais rápida e/ou alguma alimentação especial para fortalecimento da região. Será que em dois meses me recupero? Se puderem me ajudar com algumas informações, agradeço.


Maria Angelina de Oliveira, Rio de Janeiro, RJ



Infelizmente, não há uma alternativa mais rápida para seu problema do que esta que foi proposta pelo seu médico: medicação anti-inflamatória e sessões de fisioterapia. Todas as alterações presentes no laudo da ressonância magnética são características da condição denominada condromalácia patelar, ou traduzindo para termos leigos, um desgaste no tecido de revestimento da articulação do joelho, a famosa cartilagem. Tecido ultraespecializado na função de proteção das extremidades ósseas, não apresenta capacidade de regeneração satisfatória e suas lesões podem ter sérias consequências. É um problema comum entre corredores, a ponto de quase todo mês haver alguma pergunta a este respeito nesta coluna. Faça uso de substâncias condroprotetoras, como a glicosamina ou a condroitina, e siga rigorosamente as indicações médicas de tratamento.



DORES NO JOELHO


Tenho dores nos joelhos há mais de 3 anos. Fiz ultrassonografia que deu sinais de derrame articular (sinovite). O ortopedista mandou colocar gelo e tomar anti-inflamatório, além de uma pomada. O que vocês aconselham? Corro há 25 anos e trabalho como carteiro há 15.


Claudio Lira, São Paulo, SP



O que você nos relata é um sintoma, ou seja, dor há 3 anos, sendo que o derrame articular (sinovite) constatado pelo seu exame de imagem nada mais é do que o acúmulo de líquido sinovial a partir de uma produção exagerada pela sinóvia (membrana que recobre internamente a cartilagem), daí o nome de sinovite, e decorrente de algum processo inflamatório que afetou seu joelho. O próximo passo na sua investigação é descobrir qual parte do seu joelho este processo afeta e suas possíveis causas, a fim de traçar um plano de tratamento para que você não venha a ter mais dores nesta articulação. Já sofreu algum trauma ou entorse no joelho? Quantas vezes corre por semana? Quantos quilômetros semanais? Sua atividade de carteiro também impõe uma carga importante sobre suas articulações do membro inferior, e isto deve ser levado em conta. O gelo e o uso de anti-inflamatórios que lhe foram recomendados estão bem indicados, mas tratam apenas os sintomas e não as causas do problema. Discuta com seu ortopedista as possíveis razões para sua sinovite e as medidas para seu tratamento.



OSTEÍTE PÚBICA


Em virtude de um desconforto na virilha esquerda, com evolução para dor durante a corrida, fiz ressonância magnética, sendo constatado "leve edema dos tecidos moles entre o trocanter maior do fêmur e as fibras do trato ilitiobial", concluindo o exame pela presença de "irregularidade das margens da síntese púbica com edema do osso subcondral e elevação do sinal do disco, notando-se ainda edema ósseo subarticular bilateralmente, compatível com osteíte púbica. Indago: qual a diferença entre pubalgia e osteíte púbica? Quais as possíveis causas? É possível a recuperação total mediante técnicas de fisioterapia ou há necessidade de cirurgia? É a cirurgia eficaz? Durante o período de tratamento é possível substituir a corrida pelo ciclismo, uma vez que não sinto dor ao executar esta atividade?


Nazareno Bez Batti, Joinville, SC



Suas perguntas em relação ao seu quadro de osteíte púbica são bastante diretas e devem ser respondidas com precisão. Você desenvolveu um quadro de osteíte púbica, que nada mais é do que a ocorrência de um desgaste na sínfise púbica, a junção entre os ossos da bacia logo abaixo do seu umbigo. Pubalgia refere-se à dor relatada pelo paciente nesta localização, quando realiza esforços físicos utilizando a musculatura abdominal e adutora das coxas. A sinfisite púbica ou pubeíte, sinônimos de osteíte púbica, ocorre pelo desbalanço de forças entre a musculatura abdominal e adutora, que tem a função de trazer as coxas para o meio do corpo. Grupos musculares mais fortes que outros geralmente produzem quadros inflamatórios como este. Você deve apresentar dor ao contrair sob resistência seu abdome e os músculos da coxa do lado afetado. As medidas fisioterápicas são a escolha inicial para o tratamento da pubeíte, enquanto a cirurgia é reservada para os casos refratários ao tratamento conservador, apesar de ser eficaz em muitas situações. Mantenha seu condicionamento aeróbico através do ciclismo, "deep running" ou natação, continue sua rotina de musculação para as regiões não afetadas e siga as orientações de seu médico do esporte para sua completa recuperação.

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