Revista Contra-Relógio
// Brasileiros lá fora //

Da caminhada aos 100 km de Passatore

Edição 275 - AGOSTO 2016 - LUIZ CARLOS CLEMENTE

Ultra na Itália é uma das mais concorridas, com 2 mil terminando este ano.

No começo, eram só caminhadas curtas, depois mais longas, até que minha mulher Liz me falou do lançamento da equipe de corrida do Palmeiras. Por insistência dela, fui a um treino e a partir de então nunca mais deixamos de correr. Foram inúmeras provas de 5, 10 e 15 km (a primeira São Silvestre quase toda caminhando em 2h50), 21 km, até chegarmos aos 42 km.
Fizemos a Maratona de São Paulo 2010, depois a do Rio e a de Sevilha. Então os desafios foram aumentando: 3 participações na Maratona de Búzios por trilhas e montanhas, os 56 km da Two Oceans, 75 km da Bertioga-Maresias, duas vezes na Comrades (2014 e 2015). Neste ano, algumas meias, a Maratona do Vinho e a de SP, quando esticamos para 60 km e nos consideramos aptos a enfrentar a primeira ultra de 100 km.
E lá estávamos participando da 44ª edição da 100K del Passatore, na Itália, realizada entre os dias 28 e 29 de maio, com saída em Firenze ou Florença e chegada na cidade de Faenza. Passando por várias vilas medievais e construções seculares no meio do caminho. Por que 2 dias? Porque a prova tem início às 15 horas e como a maioria dos corredores completa em mais de 9 horas, então a chegada acontece durante a madrugada.
São 3 pontos de cortes - com tempos camaradas - já que o limite é de 20 horas para terminar os 100 km. Este ano largaram 3 mil e chegaram 2 mil. Existem inscrições na modalidade cadeirantes, deficientes físicos e visuais, caminhada nórdica e a corrida propriamente dita, que optamos.
Muitos participantes da terceira idade, entre eles um que me disse ser esta sua 20ª vez na prova. Exatamente às 15 horas, sob sol e calor de 30 graus, a largada. Caminhos maravilhosos, vistas incríveis (enquanto não escureceu), mas com muitas e fortes subidas, especialmente na primeira metade.
Alguns iam ficando pelo caminho, mas quando vi um cadeirante subindo o morro, apoiado por uma bike e movimentando apenas um braço, pensei: vou me queixar do quê?
Um grupo de amigos italianos que fiz na prova, me amimou quando eu mais precisava para reerguer a moral. Cantaram até Aquarela do Brasil, já que viram no meu numeral (453) a sigla "BRA", e não éramos muitos. Apenas eu, a minha esposa e outro corredor, que não chegamos a conhecer.
No meio do percurso (50 km), à noite, temperatura de 8 graus, em função da altitude. Prevenidos, levamos um corta vento para colocar, no alto da montanha. Nas barracas dos pontos de apoio (a cada 5 km), senhores e senhoras, os "nonos e nonas", faziam o trabalho voluntário de nos servir de comida a mais diversa e líquidos idem. Pessoas e momentos inesquecíveis.
Faltando 20 km, o cansaço bateu forte. Mas e o desejo de concluir? A lembrança dos treinos e de todos que torcem por você ajudavam a seguir em frente.
Enfim, mais uma cidade à frente, e desta vez é Faenza! Entramos na vilarejo e depois de uma curva o pórtico de chegada, com um cronômetro antigo. Terminei os 100 km em 12h41 e Liz em 16h37.

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Mais informações em www.100kmdelpassatore.it . Leia também depoimento de Ely Behar sobre sua participação na prova, em 2008, em www.contrarelogio.com.br (basta colocar Passatore no campo "Pesquisar no site").


Luiz Carlos Clemente dos Santos é assinante de São Paulo


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