Revista Contra-Relógio
// Fisioterapia //

Cuidados nesta época de clima seco

Edição 217 - OUTUBRO 2011 - EVELISE ZAIDAN

A baixa umidade do ar vem sendo destaque nas notícias nestas últimas semanas. As autoridades alertam para diversos problemas de saúde decorrentes desta situação e os que praticam esporte ao ar livre, e precisam de maior consumo de oxigênio, podem sofrer consequências ainda piores. Veja algumas dicas!

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Durante o exercício, o consumo de oxigênio sobe de 0,25 litro/min, em estado de repouso, para até 3,0 litros/min. Esta elevação é proporcional à intensidade da atividade física, ou seja, conforme cresce a necessidade de consumo de energia pelos músculos. A ventilação pulmonar (volume de ar que entra e sai dos pulmões) se eleva de aproximadamente 6 litros/min, em repouso, para mais de 150 litros/min em atletas de elite.


A atividade física intensa e prolongada exige muito dos sistemas respiratório, cardiovascular e renal, que ficam comprometidos com a redução do oxigênio. Além da diminuição do rendimento, os riscos à saúde também são grandes.


O ar que inspiramos é aquecido e umidificado no nariz, pois deve passar pelas vias aéreas e chegar úmido, e na temperatura ideal, aos pulmões. Quando o ambiente está muito seco, o nariz não consegue umidificar o ar, e o oxigênio que entra mais seco é muito irritante para as vias aéreas, que ficam ressecadas, favorecendo a contaminação por bactérias e vírus, o que resulta em infecções e complicações decorrentes, além de doenças como asma ou bronquite.


Sinais como tosse, espirros e respiração acelerada aparecem rapidamente, pois essas reações são a defesa das vias aéreas para proteger os pulmões dos poluentes inalados e da infecção de bactérias e vírus. São respostas do nosso organismo às agressões sofridas por estes agentes.


Imediatamente, o corredor pode sentir um ressecamento no nariz e garganta, dificuldade para respirar, irritação nos olhos, nariz entupido com sangramento, espirros e tosse. A respiração fica mais rápida e superficial. Nos casos mais graves, ocorre a inflamação dos brônquios. Este processo é caracterizado pela sua constrição, ou seja, os brônquios diminuem de tamanho (diâmetro), dificultando a passagem do ar. Além disso, há maior produção de secreção, o que causa ainda maior dificuldade para respirar.



CONSEQUENCIAS. Nesta época do ano, pela pouca chuva, ocorre um aumento da concentração de dióxido de enxofre e partículas maiores, pois nestas condições estas substâncias se dispersam com maior dificuldade. Isso contribui para a proliferação de vírus, aumentando o risco de se contrair gripe e alergias.


Além dos problemas respiratórios, há indivíduos que também podem apresentar alguma alergia de pele e nos olhos, causando coceira nos olhos e pálpebras, ardência, lacrimejamento excessivo, olhos vermelhos, inchaço e dificuldade em olhar para luz. Outro agravante que merece atenção são os problemas cardiovasculares que, segundo pesquisas, ocorrem com maior frequência em épocas de clima seco, principalmente em atletas do sexo masculino.


PROTEJA-SE. Algumas atitudes simples podem diminuir a irritação das vias aéreas e os danos à saúde causados pelo clima seco.


- Colocar uma bacia com água no quarto, principalmente com ar-condicionado ligado.


- Usar soro fisiológico a 0,9% sob a forma de spray ou gotas no nariz.


- Quem sofre de asma ou de rinite e sentir dificuldades para respirar deve procurar um pneumologista.


- Beber muito líquido, água de preferência.


- Não pingar soro fisiológico nos olhos quando estiverem secos, pois pode aumentar a irritação ou contaminação. Não usar colírios sem orientação médica.


- Evitar ambientes com ar-condicionado.


- Manter os ambientes limpos, evitando poeira.


- Use um umidificador.


- Não realizar atividade física ao ar livre entre as 11h e 15h e usar roupas claras e leves.


- Não deixar ninguém fumar dentro de casa.


- Evite usar produtos de limpeza com cheiros fortes.



DURANTE TREINOS. Corredores estão enfrentando dificuldades no treinamento nestes dias de baixa umidade. Mesmo que não percebam os sintomas da irritação respiratória (tosse, irritação na garganta etc.), muitos notam de imediato a perda do desempenho.


O melhor a fazer é alterar horário de treinos para fases do dia em que o ar é mais úmido, como no início da manhã. Outro fator importante é a reposição de líquidos. Durante os dias mais secos, o atleta perde ainda mais líquido pelo suor excessivo, ocasionando a perda precoce de sais minerais e, consequentemente, diminuição da força e resistência muscular.


Mas, mesmo tomando uma série de cuidados, durante as horas mais secas do dia, os exercícios aeróbicos de alta intensidade e por tempo prolongado são contraindicados. Nestes períodos, a orientação de especialistas é para não se correr ao ar livre. A sugestão é que os atletas procurem ambientes fechados, como as academias, para que não percam rendimento ou coloquem a saúde em risco.


Mas, se há mesmo a necessidade da atividade ao ar livre, preocupe-se com a hidratação. Beba mais água, não apenas durante o treino, mas ao longo do dia. Não espere sentir sede para repor líquido.


É importante que o atleta diminua a intensidade da atividade e faça pausas para hidratação também de áreas expostas, como a pele, boca, garganta, olhos e nariz. Caso o corredor sinta qualquer irritação nos olhos, ressecamento do nariz, da garganta ou dificuldade em respirar durante o exercício, pare imediatamente a atividade; não tente ultrapassar o limite.


Os isotônicos devem ser consumidos com a orientação de um nutricionista. Como estas bebidas contêm sódio, podem levar a uma sobrecarga nos rins.



FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA


Alguns indivíduos que sofrem de problemas respiratórios têm o hábito de realizar inalações com ou sem medicamento, seguindo indicações médicas. Mas mesmo quem não sofre destas doenças, em situações mais graves de dificuldade respiratória, irritação e aumento de secreção, a inalação com soro fisiológico pode ser útil. Mas é muito importante que seja feita com a orientação de um profissional de saúde!


A fisioterapia respiratória é indicada em casos de dificuldade em respirar, sensação de falta de ar, fadiga, chiados e tosse persistente. O tratamento utiliza técnicas específicas para promover uma respiração mais "profunda" e mais eficiente.


Outra função importante da fisioterapia respiratória é facilitar a eliminação da secreção. Os recursos utilizados são chamados de manobras de higiene brônquica, podem ser feitos manualmente ou com auxilio de equipamentos. Esta abordagem é importante, pois o acúmulo de secreção não apenas dificulta a entrada de ar nos pulmões, mas também é foco de contaminação por vírus e bactérias.


Algumas técnicas utilizadas na fisioterapia respiratória:


- DRENAGEM POSTURAL: posiciona o paciente de certa maneira para que, com o auxilio da gravidade, facilite a eliminação de secreção.


- TÉCNICAS MANUAIS: as mais comuns são a tapotagem e a vibração. O fisioterapeuta realiza alguns movimentos no tórax do paciente, visando basicamente eliminar a secreção.


- EXERCÍCIOS RESPIRATÓRIOS: exigem do paciente grande percepção da respiração. São realizados para melhorar o fluxo de ar nos pulmões e corrigir a postura. São indicados em situações específicas e devem ser realizados com o acompanhamento de um fisioterapeuta.

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