Revista Contra-Relógio
// Contra-Corrente //

Corridas de rua X Provas de montanha

Edição 263 - AGOSTO 2015 - TOMAZ LOURENÇO

As por trilhas apelam para o “fuja do asfalto”, enquanto as tradicionais urbanas cobram menos e oferecem melhor infraestrutura e suporte aos participantes.

Até uns 5 anos atrás, com raríssimas exceções, as corridas estavam restritas às áreas urbanas e variavam apenas na organização, além, naturalmente, na distância, no valor das inscrições, na qualidade do kit, entre outros aspectos. Então, organizadores notaram que poderiam cobrar mais, desde que oferecessem kits mais generosos, e muitos foram por esse caminho. Também passaram a criar provas diferentes, ou com algo a mais, conseguiram bons patrocinadores e apoiadores e tudo ia bem, com crescimento do número de participantes, mesmo com muito mais provas, notadamente em médias e principalmente grandes cidades.
Havia certa concorrência entre corridas, mas como o mercado se mostrava "comprador", mesmo com a subida das taxas de inscrição, parecia que praia não faltaria a quem soubesse trabalhar. E, assim, novos organizadores surgiram, circuitos foram sendo lançados e a distância de 10 km passou a imperar, já que era acessível a todos, mesmo sem grandes treinos.
Paralelamente, reforçava-se o conceito de correr para ter uma vida saudável e mais recentemente para ter uma vida social, daí o surgimento vertiginoso das equipes (de treinadores, de empresas, de academias, de clubes etc). Por isso mesmo, passou-se a privilegiar não a performance, mas a simples participação, o "correr numa boa", o "apenas para completar", com grupos saindo conversando e assim indo até o final das corridas.

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NOVIDADE. Mas, para uma parte desse novo público, a rotina de provinhas de 10 km por ruas e avenidas foi ficando monótona, sem emoções, e eles foram então agraciados por uma nova opção: as chamadas corridas de montanha! Elas também não exigiam treinamentos (geralmente mais se caminha do que se corre nessas provas) e muito menos cobrança de tempos, já que as distâncias são aproximadas e, mais do que nunca, o que vale aqui é curtir o percurso, tirar fotos, conhecer locais bonitos.
E esses organizadores acertaram na mosca, atraindo cada vez mais gente que "quer fugir do asfalto", não se importando por pagar caro pelas inscrições, mesmo sem a contrapartida das corridas de rua, ou seja, tem que levar seu próprio abastecimento e o suporte médico é precário ou nulo, para citar apenas dois aspectos. Também por vezes há os custos de transporte até os locais (junto à natureza...), de hospedagem e alimentação.
Já por parte de quem organiza, as despesas são infinitamente menores do que nas provas de rua, pois não se pagam taxas (prefeitura, DSV, federação, burocráticas), que chegam facilmente a mais de 50 mil reais; também não há despesas com sinalização e grades no percurso, inúmeros staffs, abastecimento, atendimento médico etc), viabilizando economicamente as "no mato", mesmo sem patrocinadores, apenas com as inscrições.
Proliferaram empresas (ou nem tanto) oferecendo a nova opção, e muitos eventos surgiram nestes últimos anos. Tudo parecia que também corria bem, até que se descobriu que esse consumidor não era tanto assim, ou não o suficiente para a oferta que estava se disponibilizando. E eventos com menos de 200 participantes começam a acontecer, mesmo tendo várias opções de distância, algumas mais um passeio no bosque.
Então, se tem hoje uma disputa interna entre corridas de rua e outra entre provas por trilhas. E para complicar ainda mais, uma concorrência entre esses dois mercados, sendo ainda difícil antever no que vai dar todo esse imbróglio daqui a alguns anos.
Uma coisa já se tem certeza: os tais 5 milhões de corredores brasileiros, que alguns ainda insistem em "chutar", sem qualquer base, parece que não passam mesmo de uns 500 mil! E a estimativa da revista não é nada restritiva, pois pelo seu critério considera como corredor qualquer pessoa que participa de pelo menos uma mísera prova (mesmo que de 5 km) por ano.

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