Revista Contra-Relógio
// Motivação //

Corrida e viagem em família, uma combinação perfeita

Edição 266 - NOVEMBRO 2015 - PAULO PRUDENTE

Com bom planejamento, todo mundo aproveita para passear, mesmo quando se vai tentar uma marca em maratona.

Já ouviu aquele ditado que família que corre unida permanece unida? Realmente, deve ser um grande prazer quando toda a família pratica esta mesma atividade. É mais fácil conciliar horários de treinos, provas e até viagens que incluem corridas e turismo. Mas e quando só você é corredor dentro de casa? Não deve ser fácil convencer a família de que aquele treino é importante e que naquele fim de semana tem uma prova fundamental dentro do seu planejamento. Se você é um corredor de longas distâncias, então, não são poucas as horas reservadas para os treinos, quase sempre nos fins de semana. O que significa ficar longe da família.
Mas há quem faça da corrida um ótimo argumento para promover uma bela viagem com todo mundo. O engenheiro Hélio Masakazu Ono, de 65 anos, corredor desde o início dos anos 80, investe nos treinos cerca de 1h30 durante os dias de semana e de 2 a 3h aos sábados e domingos. Isso sem contar as aulas de Pilates e treinos complementares. Hélio confessa que a esposa Sandra encara seus treinos com reserva.
"Ela acha que eu deveria me dedicar a provas mais curtas ou com menor grau de dificuldade, em que eu poderia me divertir mais e me cansar menos. Em alguns treinos em que preciso fazer ladeiras, trilhas ou areia, acabava demorando muito mais tempo devido à distância de casa. Atualmente tenho procurado adaptar estes treinos a locais próximos, mesmo perdendo um pouco da eficiência".
Em 2007, depois de algumas viagens pelo Brasil para correr, o engenheiro começou a unir seu gosto pelas corridas aos passeios mais longos em família. A idéia era fazer a Maratona da Disney, mas como não havia tempo hábil para a emissão dos vistos, a família optou pela de Paris. "Juntamos o meu sonho de correr a prova com o da família de conhecer Paris", conta Hélio, que viajou com a esposa e a enteada. Era o começo de uma série de viagens, numa perfeita harmonia entre a corrida e o turismo em família.
Desde então são viagens longas, curtas, nacionais e internacionais, que incluem muitos passeios e provas de asfalto e trail. De Nova Friburgo a Lucerne, na Suíça, passando por várias capitais brasileiras e lugares como Patagônia, Ilha de Páscoa, Ushuaia e Atacama, na América do Sul; e Paris, Amboise, Giverny (todas na França), Interlaken e Zurique (ambas na Suiça).
Segundo Helio, quase sempre a prioridade das viagens é mesmo a corrida. E o planejamento não é tão fácil, já que somente depois da inscrição tudo é providenciado. "É bem complicado às vezes porque em muitas corridas as inscrições se esgotam rapidamente. Então é preciso previamente fazer a inscrição, para em seguida planejar a viagem. E nem sempre todos podem viajar nos períodos previstos ou não se interessam pelo destino escolhido. Para 2016, por exemplo, já temos dois destinos escolhidos: Tóquio, para a maratona, e Cuzco, para o Mountain Do. Um destino que quase todos querem fazer é o Havaí. Então já iniciamos o planejamento para incluir esta viagem- corrida em 2017", diz Hélio.
Com vasta experiência neste tipo de viagens, o engenheiro sugere que o lugar tenha sempre atrativos turísticos variados, para que todos possam aproveitar. Ele conta que é preciso saber o que cada um gosta. "Há destinos mais isolados, mais populosos, em lugares inóspitos, onde é preciso ter um pouco de espírito de aventura, para enfrentar situações não muito confortáveis, como frio, altitude e isolamento. O importante é conversar e detalhar a viagem, ler sobre o local, o que há para fazer e os compromissos que devem ser respeitados, como horários para acordar, para passear".

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DISNEY E OUTRAS. O cirurgião plástico Thiago Lino, de 39 anos, também do Rio de Janeiro, começou a correr em 2006 e já em sua primeira prova, a Meia Internacional do Rio, tratou de incluir sua esposa Bianca - na época, namorada - em sua programação. Coube a ela deixá-lo na largada, em São Conrado. Agora casados e pais de dois filhos, Thiago e Bianca sempre procuraram envolver a família nas atividades de corrida. Bianca até tentou praticar, mas a profissão e os cuidados com os filhos não permitiram. A saída, segundo Thiago, é organizar viagens de turismo e de corrida.
"Em 2014 fui fazer o Desafio do Dunga e coloquei o Rafael, então com um ano e dez meses, na corrida kids. Foi uma experiência muito legal correr os 100 metros com ele, incentivando-o a encontrar o Mickey na chegada. Nessa época a Larissa já estava a caminho. Em janeiro de 2016 foram todos para a Run Disney", conta o médico, que acaba de voltar da Alemanha com a família, onde correu a tradicional Maratona de Berlim.
Thiago procura compensar a dura rotina de treinos para provas longas, que deve se encaixar entre os compromissos profissionais e de família do casal, com boas viagens de lazer, que não raramente incluem uma ou outra corrida. E foi numa dessas viagens sua estreia em maratonas.
"Sempre li em revistas especializadas sobre provas fantásticas e inesquecíveis. E então pensei em fazer o Desafio do Pateta (meia e maratona em sequência), na Disney, mesmo sem nunca ter corrido uma maratona. A oportunidade surgiu em meados de 2013, quando Bianca estava grávida de Larissa e optamos por fazer o enxoval fora do país. As datas da viagem coincidiram com o Desafio do Dunga (5 km na quinta, 10 km na sexta, 21 km no sábado e 42 km no domingo), que estava sendo lançado. Viajamos os quatro, de férias, em janeiro de 2014 com destino a Orlando. A viagem foi ótima e completei o Dunga. Desde então as viagens tem sido planejadas em cima das minhas corridas. A prioridade é a corrida e depois aproveitamos todos os passeios".
Segundo o médico-corredor, o planejamento das viagens é feito de acordo com as provas em que consegue inscrição. Assim foi a viagem da família para Chicago. Dessa vez os sogros de Thiago aumentaram o grupo. A família já tem alguns destinos confirmados para 2016, mas um ainda está por vir. Talvez o mais aguardado.
"Me inscrevi para a Maratona de Nova York há dois anos, mas ainda não fui sorteado. Em 2016 por enquanto temos a Run Disney em janeiro e Maratona de Boston em abril. Já estamos nos organizando. Curtimos as viagens como qualquer turista, só que no meio dos passeios tem uma maratona para eu correr. O bom disso tudo é que vamos conhecendo outras pessoas com objetivos parecidos, surgindo novas amizades e parcerias. Até aqui tudo tem dado certo", completa Thiago.


PRIORIDADE É MARATONA. O executivo carioca Aristóteles Freire, de 53 anos, sempre foi um apaixonado pelo esporte. Na juventude usava a corrida para ganhar condicionamento para as modalidades que gostava de praticar. Por conta da vida profissional, praticamente deixou as corridas de lado de 1990 a 2007, e o resultado não poderia ser outro: ganho de peso, picos hipertensivos e muito estresse.
"Neste momento parei e pensei na minha esposa e meus dois filhos, de 10 e 11 anos. Precisava cuidar da minha saúde para aproveitá-los. Voltei às atividades em 2008 e em 2009 já estava participando de algumas corridas e aos poucos ficava cada vez mais perto das provas longas, que são as que mexem comigo. Minha esposa me conhece há mais de 30 anos e sabe quanto sou determinado e quando voltasse não seria de brincadeira", conta Aristóteles. Com uma rotina diária de acordar às 4h30 (o treino começa às 5h45), o executivo consegue fazer com que sua ausência para os treinos não seja muito sentida em casa.
A volta aos treinos e às maratonas fez com que o executivo incluísse em sua programação anual pelo menos uma viagem para disputar uma maratona. Hábito que começou em 2010. "A prioridade nesta viagem é a maratona, mas os passeios com a família também são importantes. Mas uma atividade não pode atrapalhar a outra. Houve um período em que participávamos de corridas aqui no Brasil, em montanha e meias-maratonas. Mas com o tempo cada vez mais escasso resolvemos nos dedicar às maratonas", diz o executivo, da área de saúde.
Aristóteles revela que tudo é muito bem planejado e que a esposa é quem articula tudo inicialmente, escolhendo os locais e ‘vendendo' a idéia para o restante da família. O executivo conta que a maratona escolhida dificilmente ocorre nas férias escolares, quando as viagens são reservadas para os passeios em família. Tampouco em março ou abril, obrigando que os treinos mais fortes e longos sejam feitos no calor do verão.
"Ainda temos que levar em conta que boa parte dos treinos deverá ser feita durante o carnaval, as férias escolares... Também é preciso levar em conta o calendário escolar. E sem os filhos nós não viajamos. Temos encaixado as viagens com maratonas em final de setembro e outubro. Tem dado muito certo", diz o executivo, que já esteve com a família em Buenos Aires, Paris, Boston, Berlim, Dublin, Patagônia e Budapeste. Cada uma delas, garante ele, com recordações inesquecíveis das provas e dos passeios em família.

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