Revista Contra-Relógio
// Medicina Esportiva //

Corrida e tontura; Tendão patelar; Coxas duras; Diferença de pernas

Edição 176 - MAIO 2008 - JOSÉ MARQUES NETO


CORRIDA E TONTURA
Tenho 44 anos e há 8 meses resolvi me tratar em uma clinica de metabolismo para emagrecimento. Logo fui aconselhado, além da alimentação, a realizar atividades físicas que havia largado há cinco anos. Comecei a fazer caminhadas diárias em esteiras, no segundo mês já corria, no terceiro estava caminhando e trotando na rua. Há pouco tempo, perto do final de um treino de 12 km, senti uma tontura que nunca havia sentido; parei na hora, respirei fundo e a tontura passou; fiquei sentindo um fundinho de dor de cabeça, bebi água, repousei e não senti mais nada, mesmo assim me preocupei. Faço acompanhamento com cardiologista, e está tudo ok. No dia que senti a tontura há um detalhe importante: estava em jejum, mas já corri em jejum outras vezes, inclusive 12 km, e nada senti.
Luciano Bittar, São Paulo, SP


Parabéns pelo seu retorno às atividades físicas e seu progresso nas corridas de rua, porém vá com calma, pois assim poderá correr por muito tempo. O fato de você ter corrido em jejum outras vezes e não ter sentido nada não significa que será sempre assim. Suas tonturas podem ter sido ocasionadas pela diminuição da glicemia (quantidade de glicose circulante em seu sangue), pois estava em jejum prolongado após a noite anterior, e seus estoques de carboidratos deveriam estar bem baixos. Da próxima vez, tome um café da manhã antes de começar a treinar e perceba se as tonturas voltam a acontecer.

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TENDÃO PATELAR
Estou com tendinopatia no tendão patelar e queria saber qual o melhor procedimento para fazer o tratamento desse tendão.
Walter Soares Ferreira, Ouro Preto, MG


As tendinopatias são doenças que acometem os tendões, causadas por interação de múltiplos fatores, com recuperação lenta e caracterizada por um tratamento muito criterioso por equipe multidisciplinar. Consulte inicialmente um ortopedista especialista em medicina do esporte para a correta avaliação do seu caso e a prescrição do tratamento, além do pedido de exames de imagem, se estes forem necessários. Procure segundas opiniões se não estiver satisfeito com o andamento do seu caso.


COXAS DURAS
Sou assinante da Contra-Relógio desde a número 1! Sou também um corredor veterano e experiente. Corro desde os 19 anos e fiz em janeiro 50 anos. Também gosto de pedalar e faço isso desde a infância. Hoje uso uma mountain bike para reforçar meus treinos. Já corri 22 maratonas e perdi a conta das meias e provas de 15 e 10 km. Estou com um problema muscular para o qual só encontrei na internet um relato exatamente igual o meu no site bikemagazine. Ocorre geralmente quando retorno de dois ou três dias de descanso. Tenho absoluta certeza que não estou treinando em excesso, pelo contrário, tenho pedalado mais e corrido pouco devido a uma inflamação no tendão de Aquiles. Como já fiz várias maratonas, descrevo o que sinto como se após apenas 200 ou 300 metros correndo (às vezes até caminhando rápido), estivesse "pulando" diretamente para o km 40 de uma maratona. As coxas ficam "duras" e mal posso continuar, sentindo as mesmas dores após uma prova longa e intensa. Sei que hoje há controvérsias sobre as dores musculares serem causadas pelo ácido lático, mas, só para ilustrar, é como se eu tomasse uma injeção reforçada nas duas coxas e imediatamente elas endurecessem. Este detalhe é importante. Sinto o problema nas duas, às vezes mais intenso, numa, às vezes na outra, mas com minha experiência tenho absoluta certeza não se tratar de distensão, contratura etc. E é só na parte da frente (músculos anteriores, mais intenso na parte externa da coxa). Acabo de voltar neste momento de uma caminhada de 800 metros (da minha casa até o local onde costumo correr) e de um trote de apenas 300 metros! Sinto as coxas como se tivesse no mínimo feito uma prova intensa de 15 km ou uma meia-maratona. Estão bem doloridas, sem falar que tive que parar algumas vezes no retorno em função da dor. Como descrevi antes, corro e pedalo há mais de 30 anos e nunca senti isso. Gostaria de saber a possível causa desse meu problema e um tratamento para ele.
José Maioral Jr., Florianópolis, SC


Realmente seu quadro clínico é muito interessante e peculiar. Obviamente que um quadro clínico se faz necessário em casos como o seu, ou em qualquer caso; mas sente formigamento nas coxas? Tem alguma dor na região da coluna lombar? Tem alguma doença de base, como diabetes? A hipótese da alteração circulatória, como mencionada no texto após sua pergunta, é plausível, e a consulta a um cirurgião vascular se torna mandatória. Uma outra possibilidade diagnóstica, porém menos provável, é a síndrome compartimental, na qual seus músculos da coxa se tornariam anormalmente inchados e pressionariam o tecido conjuntivo que os recobre, causando este quadro clínico. Converse com um médico sobre a possibilidade de realizar um exame de imagem, como a ressonância magnética, logo após uma atividade física para avaliar este problema.


DIFERENÇA DE PERNAS
Agradeceria muito se me esclarecesse uma dúvida sobre o uso de palmilhas. Tenho 0,9 mm a mais na perna esquerda e o ortopedista disse que só há a necessidade de correção quando a diferença chega a no mínimo 2 cm. Acho até normal este tipo de procedimento se usamos as pernas apenas para caminhar, mas e quanto aqueles que gostam de correr? Será que realmente o organismo faz toda a compensação da diferença sozinho sem causar lesões?
Milton Gomes da Silva, São Bernardo do Campo, SP


Não creio que o corpo humano faça uma compensação de 2 cm sozinho. Na minha prática clínica, não costumo recomendar palmilha de compensação para os pacientes com 0,5 até 1,0 cm de diferença de comprimento entre os membros inferiores, dependendo de cada caso. Porém, sua diferença me parece significativa, principalmente se estiver desenvolvendo alguma dor ou desconforto enquanto corre. Discuta estes aspectos da compensação com um ortopedista.

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