Revista Contra-Relógio
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Correndo de Havaianas, por 42 km...

Edição 287 - AGOSTO 2017 - ANDRÉ SAVAZONI

O cearense Edilson Saraiva de Mesquita usa tênis apenas como complemento. Os treinos longos e as maratonas são feitos sempre com sandálias nos pés.

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Em março passado, Chris Estwanik, ex-corredor profissional, completou a Meia-Maratona de Nova York em 1h11 vestindo um traje social completo (terno e gravata), mas com tênis nos pés. No ano passado, todo fantasiado de Elvis Presley, o norte-americano Mike Wardian ganhou a Maratona Rock'n'Roll de Las Vegas em 2h38 e entrou para o Guinness Book, o "Livro dos Recordes".
E muitos irão se lembrar de Benjamin Panchev, de 18 anos, que fez 1:11:53 nos 21 km do "500 Festival Mini-Marathon", em Indianápolis, calçando um par de Crocs, isso mesmo, aqueles chinelos de borracha. E a escolha pelo pisante é de família, já que o pai de Benjamin, Alexander, completou a mesma meia em 1h16 também com aquele tamanco de plástico. São três exemplos.
Personagens pelo mundo da corrida não faltam, mas e aqui no Brasil? Quer mais do quer correr maratonas calçando Havaianas, as famosas sandálias de dedo conhecidas mundialmente? É exatamente o que faz Edilson Saraiva de Mesquita, de 47 anos, morador de Baturité, no Ceará.
Grande parte dos corredores hoje em dia se preocupa com o tipo de pisada, o peso do tênis, de testar o modelo antes das provas para ver se alguma costura não irá atrapalhar, de amaciar, de analisar se o tipo de amortecimento ajudará durante a prova... Tudo isso fica de lado se levarmos em conta a "tecnologia" das Havaianas, aquelas que "não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras", no famoso slogan que começou na década de 1970 com o humorista Chico Anysio, já falecido.
A maioria dos corredores não vê a hora de colocar um chinelo, depois de passar um tempo correndo (de tênis...). Mas Edilson Saraiva vai na contramão dessa tendência. Com as Havaianas, tendo o chip amarrado nas tiras ou na canela, ele faz 42 km, tanto aqui no Brasil como em países da América do Sul.
"Oficialmente, corri sete maratonas, mas entre treinos e ultras, já fiz a distância dos 42 km mais de 200 vezes, pelas minhas contas. Meu dia a dia é normal, sou mecânico, trabalho na minha oficina aqui em Baturité e corro, em média, 80 km por semana", conta Edilson. Sem treinador, o maratonista se prepara sempre fazendo longas distâncias. Basta acompanhá-lo pela página pessoal no Facebook para ver as postagens e entender o método! Foi o que aconteceu, por exemplo, nos dias 22 e 24 de junho, correndo pela região de Baturité: 84,4 km em dois dias, com um dia de descanso entre eles. "Em média, a cada três dias, corro uma maratona", reforça.
Mas por que de Havaianas? A história começou depois da Meia do Rio de Janeiro em 2014. "Perdi quatro unhas na prova. Quando retornei aos treinos, não dava para calçar tênis, então decidi correr de Havaianas para experimentar; deu tão certo, que a partir desse momento não parei mais", diz Edilson. Para quem acha que 42,2 km de chinelo já seria uma "loucura", o mecânico amplia o relato. "Meu maior percurso foi de 80 km, de Fortaleza a Baturité, sendo 20 km de tênis e 60 km de Havaianas, correndo durante 9h45."
Em maio último, Edilson participou da Maratona de Lima, no Peru, completando em 3h19, de Havaianas. No ano passado, esteve na Maratona de Santiago, no Chile, quando fechou em 3h32, e agora faz planos para correr em Buenos Aires, no dia 15 de outubro. "Só uso tênis em treinos de até 30 km. E, mesmo indo bem devagar, machuca muito as minhas unhas. Por isso, seguirei correndo de chinelos. Já estou bem adaptado e não atrapalha em nada", reforça o cearense.

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