Revista Contra-Relógio
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Camila Spinelli: pódios na Flórida

Edição 262 - JULHO 2015 - ANDRÉ SAVAZONI

Ela mora nos EUA há alguns anos e tem conseguido bons resultados na sua faixa etária, tanto em corridas como em triatlos.

Corretora de imóveis, maratonista, triatleta, três filhos e 42 anos. Apenas a apresentação no começo da conversa já deixa você cansado. Essa é Camila Spinelli, que vive há alguns anos em Orlando, Estados Unidos. Seu ritmo diário é intenso, mas ela adora. Não tem treinador, apesar de achar interessante a parceria com um profissional. "Nunca tive, fui treinando sozinha. Com as obrigações da família, tenho de encaixar os treinos nos horários possíveis. Gosto mesmo de acordar e decidir o que estou com vontade de treinar naquele dia."
Assim, sem planilhas rígidas, vai colecionando vitórias em provas na região da Flórida e atingindo os objetivos principalmente nas meias e maratonas. "Já não tenho mais paciência para provas de 5 e 10 km. Atualmente estou mais seletiva com as corridas que participo."
Camila se considera bem disciplinada. "Uma coisa é certa: nunca deixo de treinar. Quando o dia está corrido, faço às 4 horas da manhã. A gente só não tem tempo para aquilo que não quer", afirma. E revela que, sempre, acaba se empolgando. O final de semana anterior à conversa com a Contra-Relógio é um exemplo. "Saí para uma corridinha, me empolguei e fiz 23 milhas (37 km)...", conta. "Faço provas de 100 milhas (160 km) de bicicleta também. Em uma delas, me perdi e acabei pedalando 140 milhas. Não tinha mais água, gel, celular... Fiquei assustada, mas passou e estava pronta para a próxima."
O esporte sempre esteve presente na vida de Camila. Mas não propriamente a corrida. "Fiz dança e competi a cavalo por muitos anos no Brasil. Casei e vim morar em Orlando. Sim, sou vizinha do Mickey! Com a vida literalmente corrida, resolvi começar a correr, pois era o único jeito de fazer um esporte. No início, corria empurrando o carrinho com filho", diz.
O interessante é que, apesar de estar nos Estados Unidos, onde a participação feminina é enorme nas corridas - representam, por exemplo, 61% das concluintes em meias-maratonas e têm grande presença nas maratonas -, foi no Brasil que começou a paixão pela corrida. "Depois de morar cinco anos nos Estados Unidos, voltamos para ficar um ano no Brasil por causa do trabalho do meu marido. Então, me encantei com as corridas de rua. Participei de várias, até então sempre em distâncias de 10 km a 15 km. Quando voltamos para Orlando, continuei, mas daí comecei a fazer maratonas."

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BOSTON - Nesse ritmo constante, correndo também no dia a dia, Camila vai fazendo descobertas. "Corri a Maratona da Disney e completei em 3h38. Uma amiga me falou que esse tempo classificava para Boston (na faixa etária dela, de 40 a 45 anos, o índice é 3h45). Não tinha ideia do que significava isso. Apenas depois soube que o sonho de vários corredores é se classificar para Boston", afirma. E neste ano, em abril passado, esteve lá, na centenária prova americana. "Sem dúvida, a maratona mais difícil que corri até agora. Estava muito frio e tem um percurso bem técnico, mas inesquecível."
Quando perguntam à Camila qual seu melhor tempo nos 42 km, ela tem a resposta na ponta da língua. "Falo que ainda não fiz. Estou treinando sempre para evoluir." No momento, seu recorde é de 1h35 na meia e de 3h35 na maratona.
Na profissão de corretora, acaba sempre tendo corredores como clientes em negócios de venda ou alugueis de imóveis em Orlando, além de investimento no setor na Disney... "Digo que é sempre bom trabalhar com maratonistas, pois são pessoas sérias, disciplinadas e que gostam de superar desafios. Para mim é divertido fazer o que parece difícil. Se for fácil, não tem graça!"
Dessa forma, o triatlo também acabou entrando na rotina dela. "Uma coisa acabou puxando a outra. Fiquei em terceiro lugar no meu primeiro triatlo. As férias da família, muitas vezes, acabam sendo onde tem uma maratona. Neste ano, já foram cinco meias e quatro maratonas, incluindo o Desafio do Pateta, a maioria ao redor de Orlando. Tenho me classificado em segundo e terceiro lugar na minha categoria em várias corridas. Uma coisa engraçada é que já sou conhecida aqui na região. Quando acaba a corrida, vou logo embora porque sempre tem filho ou marido me esperando. Daí, os organizadores me mandam e-mail dizendo que não estive mais uma vez no pódio para pegar a premiação. Acabam me mandando os troféus e cheques pelo correio."
Sua próxima prova importante será a Maratona de Chicago em outubro. Ela conclui: "A mulher, quando resolve se dedicar de verdade, leva a sério. Isso é muito bom, pois a rotina da corrida e do exercício melhora o humor e a saúde em geral. Para quem treina a sério e gosta, os cuidados com a alimentação e a disciplina necessária acabam sendo um estilo de vida e não uma obrigação."

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