Revista Contra-Relógio
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Brasileiras no seleto grupo das Majors

Edição 273 - JUNHO 2016 - YARA ACHÔA

Com foco e planejamento, três alunas do treinador Agnaldo Sampaio, de São Bernardo do Campo, acabam de entrar para o exclusivo rol de corredores - pouco mais de mil - que completaram as seis grandes e mais desejadas maratonas do mundo.

Correr uma das provas do circuito World Marathon Majors - formado pelas maratonas de Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York - é motivo de alegria entre os corredores. Completar duas, três, até quatro delas gera aquele orgulho! Agora, fechar o ciclo, concluindo as seis, representa muita persistência, foco e, claro, alegria e orgulho multiplicados.
Para participar não basta querer. Há que se contar com a sorte (devido à grande procura, Tóquio, Londres, Berlim, Chicago e Nova York submetem os corredores a um sorteio para só então garantir a inscrição) e com planejamento financeiro (essas viagens não são baratas, e para escapar dos sorteios e do índice para Boston, há quem inclusive recorra a agências de viagens especializadas em corrida, com pacotes mais "salgados" que incluem a inscrição na Major, ou a ações de caridade com doações em dinheiro). E também treinar...
Mas em 24 de abril desse ano, três amigas - Maria Laura Tavares, Regina Kawakami e Luisa Okuhara - entraram para esse seleto grupo de pessoas que completaram as World Marathon Majors, juntando-se a outros 12 brasileiros, segundo a listagem Six Star Finishers, no site WM Majors (https://www.worldmarathonmajors.com/marathon-stars/six-star-finishers).
Tudo começou nas aulas do treinador Agnaldo Sampaio, que tem uma assessoria esportiva, de São Bernardo do Campo. "Elas correm comigo desde 2002. Mas o grupo começou a se formar em 2006, quando a Laura me convidou para ser seu pacer na Maratona de Nova York. Aproveitei a oportunidade e chamei uma turma de alunos, para participarmos todos juntos. Nessa prova, a Regina e a Meiry (que completou cinco, das seis Majors) foram conosco até o final. A Luisa correu sozinha porque imprimiu um ritmo mais forte do que as amigas. A partir daí, elas foram criando vínculos, treinando regularmente e marcando suas maratonas na maioria das vezes juntas. O objetivo real de completar as Majors veio bem depois de Nova York, quando foram participar da segunda, que foi Boston, em 2010", conta.
Agnaldo diz que sempre acreditou no potencial das alunas para completar qualquer maratona, dentro do tempo e das possibilidades de cada uma, levando em conta que também trabalham e se dedicam à família.
"Para encarar um desafio como esse, é preciso foco, treinos e responsabilidade para respeitar os intervalos necessários entre uma prova e outra." A seguir, elas contam um pouco sobre suas experiências nas Majors.

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UM SONHO DISTANTE. A desembargadora Maria Laura de Assis Moura Tavares, de 53 anos, corre desde 2003. "Sempre me exercitei e certo dia, na academia, vi o Agnaldo com alguns alunos às seis da manhã. Perguntei como era o esquema e logo passei a correr com a turma. Só dei uma breve pausa no esporte quando fiquei grávida e no primeiro ano da minha filha."
O desejo de completar uma maratona surgiu quando Maria Laura voltou a correr, após o nascimento da filha. "O alvo era a Maratona de Nova York, em 2006. Mas neste mesmo ano fui fazer um treino na Maratona de São Paulo e, no meio, decidi terminar a prova."
A ideia de correr as Majors apareceu após Nova York, como um objetivo muito distante de ser atingido. "Nosso grupo de amigas se formou a partir daí. Decidimos fazer as Majors quando a primeira já tinha sido completada. Corremos depois Boston (2010), Berlim (2012), Chicago (2013), Tóquio (2015) e Londres (2016)."
Ela diz que não consegue eleger a melhor. "Todas são muito bem organizadas, com muita participação do público. Nova York tem todo o glamour da cidade e da própria prova. Berlim oferece um percurso maravilhoso. Em Tóquio, a gentileza e a limpeza impressionam. E Boston tem uma história própria e antiga." De qualquer forma, para Maria Laura a Maratona de Boston foi um acontecimento especial. "Decidimos ir para lá no ano em que meu filho estava estudando na cidade e ele nos acompanhou durante nossa estada."
Conciliar os cuidados com a família, o trabalho e os treinos não é tarefa fácil, mas Maria Laura diz que é preciso achar um jeito. "Acordo mais cedo, durmo um pouco menos e conto com o apoio de meus familiares", ensina.
Feliz por ter atingido seu objetivo com as Majors, agora ela começa a procurar novos desafios. "Penso em fazer os 42 km no percurso original partindo da cidade de Maratona, na Grécia, a prova da Muralha da China ou o Desafio do Dunga, nos parques da Disney." De preferência com as amigas...


MARATONA ERA LOUCURA. Foi na esteira da academia, por volta do ano 2000, que a comerciante Regina Rumi Uematsu Kawakami, 51 anos, iniciou sua vida de corredora. "Aos poucos fui acompanhando meu marido que estava começando a correr nas ruas. Fizemos nossa estreia em uma prova de revezamento, com percurso de 5 km cada." A partir daí, ela correu várias provas de 5, 10, 12, 15 km, até fazer sua primeira meia maratona, em São Bernardo do Campo, em 2004. "Nunca tinha pensado em fazer uma maratona, achava uma loucura. Um dia soube que o Agnaldo estava formando um grupo para a de Nova York. Comentei com meu marido e ficamos animados, pois ainda tínhamos algum tempo para treinar. Foi minha primeira maratona. Depois dessa, fiz mais nove."
Ela já conhecia Maria Laura, Luisa e Meiry da academia, mas não tinha grande contato com elas. Foi a partir de Nova York que passaram a treinar juntas, sempre que possível. "Não sei dizer qual foi a melhor ou a pior Major, pois todas foram especiais. Talvez destaque Tóquio por ser muitíssimo organizada e com uma cultura diferente, e Londres porque fiz meu melhor tempo (4h33)", conta Regina.
Conciliar treinos e família nunca foi problema para a corredora - afinal, seu marido também se dedicava ao esporte e eles treinavam juntos nos fins de semana. "Além disso, meus filhos já estavam crescidos e podiam ficar sozinhos durante os treinos longos". Sobre os custos das viagens, ela diz que o segredo é planejamento. "Não sai barato, mas geralmente tínhamos um ou dois anos para nos organizar e parcelar os pacotes."
Ser uma Six Star Finisher trouxe o gostinho de missão cumprida. "Nunca imaginamos que seríamos as primeiras brasileiras a concluir as Majors (segundo o site WMM, além das três amigas, a brasileira Viviane Kreiss também obteve o feito em 2016). Só soubemos em Londres que pouco mais de mil pessoas no mundo já tinham conseguido. Foi uma surpresa. Eu me sinto privilegiada por ter completado as maratonas, pelos treinos e, principalmente, por ter encontrado um grupo tão especial."


MAJORS E MUITAS MAIS. Luisa da Paz de Holanda Okuhara, de 51 anos, dona de uma franquia do Café do Ponto, começou a correr em 2002, quando matriculou os filhos na academia para fazer natação. "Enquanto esperava por eles, ficava vendo o pessoal treinar com o professor Agnaldo. E tive um start". No mesmo ano, o treinador a convenceu a fazer a Maratona de Curitiba. "Ele correu comigo como pacer para provar que eu conseguiria. E consegui: fechei com 4h30", conta.
Ela confirma que quem escolheu a primeira Major e começou a sonhar com o circuito completo foi mesmo a amiga Maria Laura. "Em Nova York iríamos correr, conhecer a cidade e fazer compras." Entre suas 20 maratonas completadas, com as Majors incluídas, Luisa destaca a de Nova York. "Em 2006 o Marilson foi campeão. Então, foi muito emocionante. No dia seguinte todo mundo nos parabenizava nas ruas."
Feliz e extremamente orgulhosa: é assim que a corredora se sente de ter completado as seis maratonas mais desejadas do planeta. "Nesses 10 anos muitas coisas aconteceram. Não foi fácil terminar. Mas conseguimos!" Agora ela sonha ainda mais alto. "Penso em fazer os 89 km da Comrades, na África do Sul, e também entrar para o triatlo. Vamos ver..."

SÓ FALTA UMA
A cirurgiã plástica Meiry Yanaze, 50 anos, começou a correr em 2002 para melhorar seu preparo físico e aguentar a longa jornada de trabalho. "Muitas vezes passo horas ininterruptas de pé em uma cirurgia", diz. Sua primeira maratona foi em São Paulo, em 2005. "Quando se é aluno do Agnaldo, começar a correr e acabar completando uma maratona é o caminho natural das coisas, mesmo no meu caso, que saí do sedentarismo absoluto."
"Em 2006, a Maria Laura, que é sem dúvida a mais viajada do grupo, teve a iniciativa de participar da Maratona de Nova York, e logo foi seguida por um grupo de alunos do Agnaldo, no qual eu me incluí. E foi um ano mágico: o brasileiro Marilson Gomes dos Santos venceu pela primeira vez Nova York, foi criada a World Marathon Majors e foi o marco inicial das nossas maratonas internacionais."
Ela conta que correr uniu as amigas e as famílias. "Depois de Nova York, completei com elas mais três Majors: Boston, Chicago e Londres. Também fiz Paris (2007), Disney (2008), Buenos Aires (2009) e Punta Del Este (2011)."
Como fora das corridas elas têm profissões e vidas completamente diferentes, alguns imprevistos impediram Meiry de acompanhar o grupo na Maratona de Berlim. "Mas fiz no ano passado, na companhia do professor Agnaldo."
Com cinco Majors no currículo, ela sonha com a sexta, claro. "Só falta Tóquio, que pretendo completar em breve, quem sabe em 2017... O que me motiva é superar a mim mesma!"



OS 16 BRASILEIROS QUE COMPLETARAM AS 6 MAJORS
(com direito à medalha especial)
Carlos Eduardo Chebate
Carlos Henrique Cruz
Eduardo Yassuda
Eustáquio José Pedro
Genecy Toti Junior
Greg Marshall
Ismar Marques
João Maria Stresser
Luisa Okuhara
Marcos Eugenio
Maria Laura Tavares
Miguel Dantas
Paulo Roberto Borges
Regina Kawakami
Sérgio Quaresma
Viviane Kreiss


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