Revista Contra-Relógio
// Especial //

Brasil nas ruas, pistas e campo

Edição 274 - JULHO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Atletismo brasileiro espera voltar ao pódio após ter ficado sem medalhas em Londres-2012, mas as dificuldades serão grandes e há poucas perspectivas.


O Brasil tem tradição no atletismo, principalmente em provas de velocidade e no salto triplo, porém, nos últimos anos, os resultados têm ficado bem abaixo dessa história esportiva nas competições olímpicas. A intenção é melhorar o desempenho na Olimpíada do Rio, principalmente porque em Londres-2012 a modalidade não subiu ao pódio nenhuma vez. Dois resultados de destaque foram o 5º lugar de Marilson Gomes dos Santos e o 8º de Paulo Roberto de Almeida Paula, ambos na maratona. A dupla, inclusive, está classificada para os 42 km (ao lado do estreante Solonei Rocha da Silva) e esperam aproveitar o clima quente e úmido da capital carioca, além da facilidade de conhecer o percurso, para brigar por medalhas com os africanos principalmente.
Nas pistas e no campo, a equipe brasileira seria definida no dia 3 de julho, com o término do Troféu Brasil de Atletismo, em São Bernardo do Campo, que coincidiu com o limite para obtenção dos índices exigidos pela IAAF e pela Confederação Brasileira de Atletismo, a CBAt (confira a relação atualizada no site da Contra-Relógio, o www.contrarelogio.com.br e também nas redes sociais da revista). Certeza mesmo, apenas os três maratonistas no masculino e as três mulheres dos 42 km (Adriana Aparecida da Silva, Marily dos Santos e Graciete Moreira Carneiro Santana). Na marcha atlética de 50 km, estão definidos Jonathan Riekmann, Mário José dos Santos Junior e Caio Oliveira de Sena Bonfim (a modalidade tem disputa apenas no masculino nessa distância).
Os revezamentos 4x100 m tanto entre os homens quanto nas mulheres, que teriam as equipes formadas oficialmente após o Troféu Brasil, estão entre os possíveis medalhistas na relação preparada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Porém, a briga contra os países do Caribe (Jamaica, Trinidad & Tobago e Bahamas), América do Norte (Estados Unidos e Canadá), além de outras equipes com tradição, como a da Nigéria e dos europeus será bem complicada. Na maioria das outras provas com presença de brasileiros, a disputa será contra o cronômetro ou distância (em busca de melhores marcas pessoais ou até sul-americanas) e por classificação para finais olímpicas, pois a possibilidade de pódio neste momento é muito pequena, com algumas exceções.
Confira o perfil de três atletas que estão entre os principais da equipe brasileira na Olimpíada do Rio e que, através deles, homenageamos todos os classificados para a competição no atletismo.

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JULIANA PAULA DOS SANTOS - Recordista brasileira e sul-americana dos 3.000 m com obstáculos, além de dona das melhores marcas do Brasil nos 800 m, 1.500 m e 5.000 m, Juliana apostou todas as fichas nos 3.000 m com obstáculos, prova inclusive que levou seu treinador, Adauto Domingues, aos Jogos Olímpicos. No mês de junho, por duas vezes, obteve o índice exigido e quebrou o recorde da América do Sul na distância em competições na Europa. Vive um bom momento e tem o sonho de se classificar para a final na Rio-2016. A capital carioca lhe traz boas recordações: foi campeã pan-americana dos 1.500 m em 2007. É casada com Marilson Gomes dos Santos desde 2003. Ficou um tempo afastada das pistas para dar a luz a Miguel. Tem como melhores marcas 2:01.25 (800 m); 4:07.30 (1.500 m); 9:39.33 (3.000 m com obstáculos) e 15:45.97 (5.000 m).
FABIANA MURER - Talvez seja a principal esperança de medalha do atletismo brasileiro no salto com vara (ao lado dos revezamentos). Campeã mundial indoor (Doha-2010) e outdoor (Daegu-2011), prata no Mundial de Pequim-2015, duas vezes ganhadora da Diamond League (2010 e 2014), campeã pan-americana (Rio-2007), recordista sul-americana e nove vezes campeã brasileira. Tem como melhores marcas 4,85 (Ibero-Americano de San Fernando-2010, Mundial de Daegu-2011 e Mundial de Pequim-2015), além do 4,83, recorde sul-americano indoor (Meeting Top Perche-2015). A experiência de duas Olimpíadas (Pequim e Londres) também pode ajudar, além do fato de competir em casa.


MARILSON GOMES DOS SANTOS - Há anos, o melhor corredor brasileiro dos 5.000 m, 10.000 m, meia-maratona e maratona. Bicampeão da Maratona de Nova York, recordista sul-americano dos 5.000 m, 10.000 m e meia-maratona. Tricampeão da São Silvestre. Foi o primeiro do continente americano a correr os 10.000 m abaixo dos 28 minutos, façanha conquistada em 2007 em Neerpelt, na Holanda (27:28.12, atual recorde sul-americano da distância). Tem como sonho uma medalha olímpica e, agora, será a última chance. Em Londres, foi o quinto colocado na maratona. Experiente, viveu um momento de muitas contusões no passado recente, mesmo assim, se classificou com 2:11:00, com folga, para a Rio-2016.


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