Revista Contra-Relógio
// Desafio //

Atletismo, o destaque da Paralimpíada

Edição 277 - OUTUBRO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Modalidade foi a maior vencedora do Brasil nos Jogos do Rio, com a melhor campanha da história: 33 medalhas!

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O atletismo comandou a melhor campanha da história do Brasil em uma edição dos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro. No total, foram 72 pódios no geral (o recorde anterior eram 47, de Pequim-2008), sendo que o atletismo foi o responsável por 33 medalhas (8 de ouro, 14 de prata e 11 de bronze), ou seja, 45,9% das conquistas brasileiras. O país esteve representado no pódio em 13 esportes, sendo quatro de forma inédita (canoagem, ciclismo, halterofilismo e vôlei sentado).
O interessante é que as conquistas de medalhas foram abertas e encerradas pelo atletismo. Logo na primeira manhã dos Jogos, Odair Santos ficou com a prata nos 5.000 m T11 (deficiência visual total, cego) e foi o primeiro brasileiro a subir ao pódio (ele ainda ganharia outra prata, nos 1.500 m). Em seguida veio o primeiro ouro, com Ricardo Costa no salto em distância T11. No total, 28 atletas receberam medalhas no Estádio Olímpico (Engenhão). E o 72º pódio foi na maratona feminina classe T12 (para deficientes visuais), com o bronze de Edneusa Dorta, justamente na última prova da competição. Assim, no geral, o Brasil fechou a Rio-2016 com 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes, na oitava colocação na classificação geral.
Edneusa migrou para o esporte adaptado em 2012, fazendo a estreia em Paralimpíadas no Rio de Janeiro. Ela nasceu com baixa visão por problemas na gestação; a mãe teve rubéola enquanto estava grávida. Ela completou os 42 km em 3:18:38 (o melhor tempo dela no ano é de 3:03:07).
"O mais difícil foi manter o ritmo até o final. Foi emocionante sentir a torcida me empurrando. Eu não podia fazer nada a não ser dar tudo o que eu tinha", afirmou Edneusa. "Só de disputar essa prova já foi uma honra. Nunca tinha disputado uma maratona desse nível antes." A vencedora foi a espanhola Elena Congost, com 3:01:43. A prata ficou com a japonesa Misato Michishita (3:06:52).
A evolução do atletismo foi impressionante, com a melhor campanha da história. De Sydney-2000 até agora, as conquistas da modalidade praticamente quadruplicaram. Na Austrália foram 9 pódios; em Atenas-2004 subiu para 16, em Pequim-2008, foram 15, em Londres, 18 e agora, no Rio, 33.
Um dos destaques brasileiros no atletismo foi a dobradinha no pódio no salto em distância feminino na classe T11. Saltando para 4,98 m, Silvânia Costa foi ouro, enquanto Lorena Spoladore garantiu o bronze, com 4,71 m.
Na nova geração, brilhou Verônica Hipólito, de 20 anos, com duas medalhas. Ela foi prata nos 100 m e bronze nos 400 m, ambos na classe T38 (atletas andantes com paralisia cerebral). "Isso é esporte de alto rendimento. É querer sempre mais. Sei que esse tempo foi só o início, pois estou treinando há pouco na seleção brasileira. Sei que agora tenho muito a melhorar", afirmou a garota, já fazendo planos para Tóquio-2020.
Entre os velocistas, quatro medalhas para Felipe Gomes: três de prata nos 100, 200 e 400 m T11 e o ouro no revezamento 4x100 m. Já Petrúcio Ferreira foi medalhista de ouro e recordista mundial nos 100 m e prata nos 400 m na T47 (atletas amputados), além de outra prata no revezamento 4x100 m.
No total, em todas as modalidades, 183 recordes mundiais ou paralímpicos foram estabelecidos no Rio. Na classificação geral do quadro de medalhas, a China ficou em primeiro lugar, com 239 pódios: 107 de ouro, 81 de prata e 51 de bronze. Em seguida veio a Grã-Bretanha com 147 pódios, a Ucrânia com 117, os Estados Unidos com 115 e a Austrália com 81. Com as 72 conquistas, o Brasil terminou na oitava posição.

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