Revista Contra-Relógio
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As 6 Majors no currículo

Edição 275 - AGOSTO 2016 - ISMAR MARQUES

No dia 26/04/2015 completei em Londres a série Six World Marathon Majors. Compartilho essa experiência com os leitores da CR.

Nova York 2010
A Maratona de Nova York é daquelas corridas que 10 entre 10 maratonistas desejam correr um dia. Existem algumas formas de conseguir se inscrever. Atingir o índice de qualificação, por sorteio, através de contribuição para alguma instituição de caridade credenciada pela organização ou através da compra de pacote oferecido por agências de turismo autorizadas pelo evento.
A prova começou com uma temperatura de 4 graus, terminando em torno dos 10 graus. Tinha o sonho de conseguir um tempo sub 4h, e estava próximo dessa meta, quando no km 38 começaram as cãibras, que quase me levaram a desistir. Mas após rápidas seções de alongamentos, consegui continuar num trote até a linha de chegada, fechando no tempo de 4h19. Estava iniciada a minha série das World Marathon Majors.

Berlim 2011
Até 2011 as inscrições para Berlin eram fáceis, pela Internet. A corrida é no início do outono no Hemisfério Norte, sendo disputada numa temperatura extremamente agradável. O percurso é totalmente plano, composto de avenidas largas e com poucos pontos de curvas fechadas (cotovelos). Isso permite que os corredores possam imprimir o seu melhor ritmo ao longo de todo o percurso, que tem como ponto alto a passagem pelo emblemático Portão de Brandemburgo, pouco antes da chegada. Foi minha melhor participação entre as 6 maratonas que já havia corrido, cruzando a linha de chegada em 3h57, meu novo recorde na distância.

Boston 2012
A mais tradicional das maratonas do mundo foi a escolha natural para ser a minha 3ª Major, devido ao fato de que em 2011, ao correr em Porto Alegre no tempo de 3h57, tinha obtido a qualificação na minha faixa etária. Assim, em 16 de abril de 2012, estava no pelotão de largada para correr a 116ª edição da Maratona de Boston. Esta prova teve um fator marcante que foi uma onda de calor fora de época durante a semana da prova e que indicava que a corrida, diferentemente dos anos anteriores, seria realizada sob condições adversas.
Essa situação inusitada levou a organização a enviar um comunicado a todos os inscritos, informando que aqueles que não se sentiam em condições de correr a maratona sob a temperatura que se estava estimando, poderiam comunicar formalmente a desistência, que teriam a inscrição garantida para a edição do próximo ano. Soube-se depois que 2 mil desistiram.
E realmente o calor no dia foi um fator determinante. Na largada a temperatura estava em torno de 25 graus e por volta de 4 horas de prova, havia alcançado os 30 graus. Diante das circunstâncias procurei fazer uma corrida conservadora para poder chegar até o final. Devido ao calor, a água oferecida nos postos estava quente, fazendo com que parte do imenso público oferecesse água ou outro líquido frio. Outra ação curiosa foi o corpo de bombeiro ter aberto os registros dos hidrantes ao longo do percurso para que os corredores pudessem se refrescar na água que jorrava. Acabei cruzando o pórtico na famosa Boylston Street, com o tempo de 4h16.

Chicago 2013
A minha quarta Major foi na denominada "Windy City", devido à incidência de ventos fortes que frequentemente varrem as ruas de Chicago. Da mesma forma que Berlim, a inscrição para Chicago também se podia (e se pode) fazer pela Internet sem maiores sofrimentos. Chicago, por abrigar uma das mais famosas faculdades de arquitetura do mundo, prima pelo aglomerado de arranha céus com estilos arquitetônicos extremamente arrojados.
O percurso da Maratona de Chicago também é quase todo plano e composto por avenidas longas e largas, o que propicia a busca de recordes pessoais, principalmente se as condições de vento no dia da prova forem boas. O fato que chamou atenção na edição de 2013 foi o aparato de segurança, devido ao atentado ocorrido em Boston em abril daquele ano. Devido a essa questão de segurança, o público não pode ficar próximo na reta de chegada, o que quebrou o glamour do sprint final dos atletas que buscam as suas últimas reservas de energia antes da linha de chegada, empurrados pela gritaria do público presente nas arquibancas. Fechei em 3h55, novo recorde.

Tóquo 2014
O grande desafio quando se viajava para um país como o Japão, que fica literalmente do outro lado do Hemisfério, é a diferença de 12 horas no fuso horário. As inscrições não são fáceis, devida à gigantesca procura por corredores japoneses, sendo que as opções são sorteio, contribuição para alguma entidade de caridade ou através de pacotes de agência de turismo credenciada, que foi minha opção.
No dia 19 de fevereiro embarquei para Tóquio numa viagem de 23 horas de duração, com conexão nos EUA. Uma das coisas que mais chama atenção no Japão é a organização, a disciplina do povo japonês e a limpeza das cidades. Se você está andando na rua com um pedaço de papel que sobrou de um sorvete, por exemplo, é melhor guardar na mochila ou no bolso, porque dificilmente vai encontrar uma lixeira pelas ruas.
A prova possui um percurso praticamente plano, é disputada no inverno, sendo que no momento da largada a temperatura estava em torno de 4 graus. Fato também inusitado para quem mora em um país tropical como o Brasil, foi que na altura do km 22 começou a nevar com os pequenos flocos de neve se acumulando nos braços e cabeça dos corredores; felizmente essa precipitação de neve foi curta. A questão do fuso horário influenciou em muito a minha performance e um forte cansaço começou a incomodar a partir da metade da prova. Mesmo com todos esses fatores desfavoráveis, finalizei em 4h14.

Londres 2015
Essa maratona ficou marcada no mundo das corridas por ser a primeira a ter a distância esdrúxula de 42.195 metros, que acabou sendo adotada como oficial anos depois. As inscrições são complicadas e o mais prático é recorrer a uma agência. Ao contrário das demais Majors, são poucos os turistas, ou seja, predominam corredores ingleses. Ela possui um percurso quase todo plano e um dos sonhos dos seus organizadores é ter um dia o recorde da distância quebrado nas ruas londrinas, e para tanto todo ano os melhores do mundo estão por lá.
Fiz uma corrida buscando fechar com chave de ouro a série das Majors e se possível com um tempo sub 4 horas. Até o km 35 estava dentro da meta, mas a partir daí "bati no muro" e meu ritmo foi piorando; completei em 4:02:59.
Ismar Marques é assinante de Campinas

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Medalha e certificado
Todos os que concluíram as maratonas de Nova York, Boston, Chicago, Londres e Berlim de 2006 para cá (quando foram criadas as Majors), e a de Tóquio de 2013 em diante (quando esta prova passou a participar) podem solicitar a medalha especial comemorativa (pagando a remessa pelo correio) e o certificado correspondente, enviado por email. Para tanto, devem acessar www.worldmarathonmajors.com/marathon-stars/six-star-finishers que traz a lista de todos os gabaritados e como se deve proceder para receber medalha e diploma.


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