Revista Contra-Relógio
// Estatísticas //

Africanos x Resto do Mundo

Edição 272 - MAIO 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Nas provas longas, o domínio tem sido total neste ano dos quenianos e etíopes no masculino. Entre as mulheres, a tendência é bem parecida, mas com algumas “penetras”.

Todas as principais maratonas e meias-maratonas, com boa premiação em dinheiro, realizadas neste ano foram vencidas por africanos, com uma supremacia dos quenianos sobre os etíopes. Entre as mulheres, há um pouco mais de equilíbrio, mas nada que altere esse panorama no geral. Em ano olímpico, podemos dizer que a disputa atual está mais do que separada entre África x Resto do Mundo.
Entre janeiro e 19 de abril, da Maratona de Dubai em janeiro até a de Boston (leia a cobertura da prova nesta edição), os números são impressionantes. Em Dubai, o pódio foi todo etíope, com vitória de Abera Dibaba e melhor tempo do ano (2:04:24), até o fechamento desta edição. Por sinal, dos dez primeiros em Dubai, oito da Etiópia e dois do Quênia. O tempo do décimo colocado foi de 2:09:24. No feminino, também três etíopes, com a vitória de Tifi Tsegaye Beyene e também melhor marca da temporada (2:19:41).
Em Sevilha, o queniano Cosmas Kiplimo Lagat venceu com 2:08:14 e, no feminino, uma "mudança na regra", com a espanhola Paula González Berodia fazendo a festa em casa com 2:31:18. Em Tóquio, a primeira Major do ano, o melhor não africano foi o japonês Yuki Takamiya, em oitavo lugar (2:10:23). Nos sete primeiros lugares, cinco quenianos, um de Uganda e o vencedor Lilesa Feyisa, da Etiópia, com 2:06:56. No feminino, a "estranha no ninho" foi a suíça Maja Neuenschwander na sétima posição (2:27:36). A vitória ficou com a queniana Helah Kiprop (2:21:27). Depois dela, chegaram cinco etíopes e uma compatriota do Quênia.
Em Barcelona, entre os homens, os 13 primeiros foram africanos! Três etíopes (incluindo o ganhador Dino Sefir com 2:09:31) e dez do Quênia. Ivan Babaryka, da Ucrânia, chegou em 14º lugar com 2:17:34 (o que lhe garantiu o índice olímpico de 2h19). No feminino, vitória da queniana Valary Aiyabei (2:25:26), seguida pelas etíopes Aynalem Kassahun (2:30:51) e Motu Megersa (2:32:07). A espanhola Marisa Casanueva terminou na quarta colocação (2:34:57).
Na Maratona de Paris, entre os 12 primeiros, dez do Quênia com o campeão Cybrian Kotut (2:07:11) e dois da Etiópia. O francês Timothee Bommier veio na 13ª posição. No feminino, primeiro lugar de Visiline Jepkesho, do Quênia (2:25:53), seguida por três etíopes (2ª, 3ª e 5ª) e outra queniana (4ª) - a japonesa Mari Otsubo chegou em sexto. A supremacia prosseguiu nas provas disputadas na temporada europeia até o fechamento desta edição, com vitórias incontestáveis de africanos em Milão, Roterdã e Roma.
Em Milão, o brasileiro Giovani dos Santos chegou na décima posição, como melhor não africano. Na frente dele, seis quenianos nos seis primeiros lugares, com Ernest Ngeno vencendo com 2:08:15. O pódio foi todo da África entre as mulheres, sendo a etíope Tusa Rahma a campeã (2:28:49).
Já em Roterdã, uma prova extremamente rápida, foram quatro do Quênia e três da Etiópia entre os sete primeiros, com o peruano Christian Mendoza terminando em oitavo lugar (2:12:16). A vitória ficou com Marius Kipserem, do Quênia (2:06:11). Entre as mulheres, Leterbrhan Gebreslasea da Etiópia ganhou com 2:26:15, seguida pela compatriota Sutume Kebede (2:28:04), pela queniana Rebecca Korir (2:29:16) e pela italiana Catherine Bertone (2:30:19).
Para completar, em Roma, dez africanos entre os dez primeiros. Vitória do queniano Amos Kipruto (2:08:12), com mais quatro etíopes e cinco quenianos na sequência. No feminino, mais um pódio na contabilidade da África. Tusa Rahma (2:28:49) e Duru Melka (2:29:59), ambas da Etiópia, fazendo dobradinha, com a argelina Dahmani Kenza na terceira colocação (2:33:53).

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IGUAL NOS 21 KM - Na meia-maratona, a história é praticamente a mesma, como comprova o Mundial realizado em Cardiff, no País de Gales, no dia 26 de março. Entre os homens, o estranho foi o britânico Mo Farah (mas africano de nascimento) em terceiro lugar, com 59:59, pois nas outras posições entre os dez melhores, apenas corredores da África. A dobradinha foi do Quênia: Geoffrey Kipsang (59:10) e Bedan Muchiri (59:36). Entre as mulheres, pódio todo do Quênia - Peres Jechirchir (1:07:31), Cynthia Limo (1:07:34) e Mary Ngugi (1:07:54), com outras cinco africanas na sequência (três etíopes e duas quenianas). A peruana Gladys Tejeda chegou em décimo lugar com 1:10:14, novo recorde sul-americano.
Em outras duas provas de 21 km extremamente tradicionais, a Roma-Ostia e a Meia de Lisboa, a estatística se repete. Na italiana, os quatro primeiros lugares foram do Quênia com dois sub 1h - Yego Kirwa (58:44) e Leonard Langat (59:17). No feminino, a etíope Debele Degefa ganhou com 1:07:08, seguida pelas quenianas Angela Tanui (1:07:16) e Magdalyne Masai (1:07:30). Na prova portuguesa, outro pódio completo da África, mesmo com o bom nível das corredoras portuguesas. A etíope Ruti Aga ganhou com 1:09:16. Já no masculino, entre os 13 primeiros, dez do Quênia (incluído os cinco primeiros), um de Uganda, um da Eritreia e um da Etiópia. O vencedor foi Sammy Kitwara (59:47).


RANKING MUNDIAL - Com base nas estatísticas da IAAF, o ranking de 2016 nas maratonas (com base nas estatísticas até o dia 15 de abril), entre os 50 primeiros, havia 47 africanos, com uma maioria de quenianos e etíopes. O líder era Tesfaye Abera, da Etiópia, com o primeiro lugar em Dubai - 2:04:24. Os dois não africanos na relação dos top 50 eram o suíço (naturalizado) Tadesse Abraham (2:06:40) em Seul e os japoneses Hisanori Kitajima (2:09:16) e Suehiro Ishikawa (2:09:25). No feminino, sete japonesas entre as 30 primeiras (as outras 23 são da África). O destaque fica com Kayoko Fukushi (2:22:17) na quinta colocação. A líder do ranking mundial era a etíope Tirfi Tsegaye (2:19:41).
Na meia-maratona, situação idêntica. No feminino, entre as 30 mais rápidas do ano, 29 africanas e uma "estrangeira", a norte-americana Molly Huddle, com a vitória em Nova York (1:07:41). O melhor tempo pertencia à queniana Violah Jepchumba (1:05:51). Do lado dos homens, o "estranho no ninho" é o britânico Mo Farah, com o 16º melhor tempo (59:59). Mas o primeiro realmente não africano na relação é o japonês Kejiro Mogi (1:00:54), em 41º lugar. Os sete mais rápidos são do Quênia, com Solomon Yego (58:44) liderando o ranking da temporada até o momento de conclusão desta reportagem. A dúvida que fica é até quando veremos esse domínio completo dos africanos?


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