Revista Contra-Relógio
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A vez das divas que correm

Edição 293 - FEVEREIRO 2018 - ANDRÉ SAVAZONI

Há 50 anos as mulheres nem podiam participar de maratonas (estrearam nos 42 km somente nas Olimpíadas de 1984), enquanto hoje elas vão dominando o mundo da corrida de rua.

O mundo é das mulheres. Aquela frase que crescemos ouvindo, de fato, segue distante de ser uma realidade tão grande assim, pois elas ainda buscam o espaço na sociedade e no mercado de trabalho. Agora, transferindo para a corrida de rua, não há dúvida alguma: elas (estão) e vão dominar o mundo. Como fato, já são maioria nos 21 km e nos 5 km nos Estados Unidos (inclusive, em algumas maratonas, como a da Disney, superam com folga os homens em total de concluintes).
E pensar que, como já mostramos na seção "História", de Nelton Araújo, aqui na Contra-Relógio, a primeira prova de 42 km aberta ao público feminino aconteceu somente em 1968, na cidade de Braunligen, na mítica região da Floresta Negra, na Alemanha. A 1ª Schwarzwald Marathon contava com 51 competidoras de cinco países e a vencedora foi a mais velha, com 40 anos, concluindo em 4h19.
Aqui no Brasil, o processo é mais gradual e lento, porém, constante. Inclusive com as marcas esportivas criando cada vez mais produtos para elas, até tênis exclusivos. Há dois anos, por exemplo, a Meia-Maratona do Rio tem supremacia feminina. Basta ir às ruas, parques ou provas para perceber que elas ocupam cada vez mais espaço.
Quem está há mais tempo nesse mundo da corrida sabe bem como era. Tanto que o grupo Divas que Correm tornou-se nacional e está prestes a completar, no mês de março, cinco anos de existência.

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O INÍCIO - "O Divas que Correm surgiu em 2013, durante a preparação para a minha primeira maratona. Criei um blog com o objetivo de compartilhar as experiências de treinamento e também encontrar companhia para treinar nos longões. Os primeiros treinos reuniram pouco mais de dez pessoas", lembra Giselli Souza, idealizadora do grupo. "Com o tempo, mais mulheres começaram a conhecer e foi aí que eu percebi que muitas delas não vinham somente para treinar, mas para ter companhia mesmo, criar vínculos e fazer amizades, além do esporte."
Jornalista de profissão e antenada ao mundo digital, Giselli procurou na internet algumas referências de clubes norte-americanos, algo muito comum no "país da corrida", e baseada nas experiências de atletas como Kathrine Switzer (primeira mulher a correr a lendária Maratona de Boston), fundadora do 261 Fearless Club, e Kristin Mayer, da Betty Designs, fundou o Divas que Correm com o objetivo de ser um clube de corredoras para todas as mulheres.
"Uso as redes sociais, em especial o Facebook, o Instagram e o WhatsApp, para conectar as pessoas virtualmente, mas faço elas se encontrarem e se conhecerem no parque. Isso é algo bem raro nos dias de hoje, onde muitos grupos de corrida apenas se mantêm conectados virtualmente", explica a corredora.
De acordo com Giselli, esses encontros presenciais são realmente o DNA do Divas que Correm. É o que fez o grupo crescer, se tornar uma marca e ganhar uma linha de vestuário (daí a conexão com Kristin Mayer, criadora da Betty Designs). "Todas as peças são desenvolvidas por mim e pensadas em destacar a beleza feminina sob um olhar que geralmente as grandes marcas não fazem, justamente por produzir peças em grande escala. Todos os produtos do Divas que Correm são testados antes de ir para produção e levam em conta uma grade de tamanho de mulheres plus size, como também as bem magras. As estampas são desenhadas exclusivamente e traduzem o estilo de vida das corredoras amadoras. Todas as peças carregam brilho. O rosa choque, a cor predominante nas nossas coleções, também é bem destacado, pois reflete o nosso viés feminista, em sempre mostrar a diversidade das participantes."
Atualmente, o Divas que Correm conta com 14 comunidades regionais, espalhadas pelo Brasil, chamadas de pelotões, pois cada uma possui uma líder, responsável por organizar eventos com as mesmas características: sempre gratuitos, em parques públicos, voltados a iniciantes, com piqueniques colaborativos. Os eventos são financiados em parte com a venda das roupas (que também é feita pela loja virtual, o loja.divasquecorrem.com.)


INDIVIDUALIDADE RESPEITADA - Outro mote importante dos encontros, explica Giselli, consiste em desmistificar a imagem que algumas mulheres têm da corrida de rua: de ser um esporte exclusivo para magras e atletas de alta performance. "Nos nossos eventos, fazemos questão de mostrar que incentivamos os objetivos de cada pessoa, mas que respeitamos a individualidade de cada uma. Nas provas de corrida levamos a nossa tenda rosa, que sempre é aberta a todas as atletas. Dividimos o grupo em vários pelotões para que cada uma corra de acordo com o objetivo pessoal, seja de bater o tempo ou somente completar a distância", reforça a idealizadora do Divas que Correm, refletindo bem como é atualmente o universo das mulheres no esporte, completamente heterogêneo e que envolve (e acolhe) todos os tipos de corredoras.
O Divas que Correm conta com um espaço em São Paulo, com showroom da marca, a redação do site e a sede do clube, onde as mulheres podem conhecer um pouco da história. A Casa das Divas funciona de segunda a sexta, das 9h30 às 18h30, na Rua Assungui, 57C, sala 2. O telefone para contato é o (11) 2691-9435. O grupo irá comemorar o aniversário de cinco anos, nos dias 3 e 4 de março, com uma festa no Hotel Merak, em São Paulo. "Vamos fazer um Diva Day no hotel com palestras de feministas convidadas, uma tarde de experiências com parceiros de beleza e fit e, no domingo, um treino no Parque do Ibirapuera", completa Giselli. Mais informações podem ser obtidas no site (www.divasquecorrem) e redes sociais do grupo.

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