Revista Contra-Relógio
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A ajuda do exercício na capacidade cognitiva

Edição 265 - OUTUBRO 2015 - DARCI GARÇON

Sou um disciplinado praticante de corrida há 20 anos. Tenho muitas medalhas de participação em provas, várias delas trazidas do exterior. Comecei a correr aos 55 anos, depois de uma avaliação de condicionamento físico, em novembro de 1993, ocasião em que fui aconselhado por Mário Mello, meu treinador até hoje, a deixar o sedentarismo, pois estava com o colesterol alto e pesava 10 quilos a mais do que atualmente.
Agora com 77 anos, jamais parei de correr e, como complemento, faço musculação para fortalecimento dos músculos e dos ossos, para que eles resistam aos impactos dos treinos e das corridas. Também jogo tênis para recreação há 30 anos.
Apesar de todo esse histórico esportivo, só agora fiz uma descoberta inesperada, lendo o livro "O gorila invisível" (Christopher Chabris e Daniel Simons, Editora Rocco). E, pelo que tenho constatado, outras pessoas também se surpreenderão com o que os autores falam a respeito de um dos nossos mais importantes atributos: a capacidade cognitiva.
Pesquisa na internet mostra que capacidade cognitiva é a forma como o nosso cérebro recebe, aprende, recorda e pensa sobre todas as informações que captamos por meio dos cinco sentidos. É muito comum que quando as pessoas chegam à senioridade, talvez já a partir dos 45 anos de idade, comecem a ter problemas cognitivos, isto é, aparecem problemas de atenção, menor rapidez no processamento das ideias e embaraços ligados à memória. Por exemplo, esquecer onde colocou os óculos, o relógio, datas, nomes, de tomar remédio e por aí vai...
Sentindo na pele esses inconvenientes, as pessoas procuram recursos, os quais, acreditam, ajudarão a melhorar a capacidade mental, e o fazem por meio de exercícios para o cérebro, como palavras cruzadas, sudoku e, nos últimos tempos, videogames.


AERÓBICOS E ANAERÓBICOS. Aqui, então, começam as novidades. Os autores do livro, apoiados em pesquisas realizadas nos EUA pelo neurocientista Arthur Kramer, mostram que esse não é a melhor caminho para retardar a demência e manter a mente aguçada, pois o seu impacto sobre a capacidade cognitiva inexiste. Sendo assim, despender energia com palavras cruzadas e sudoku passa a ser apenas um entretenimento, uma forma útil de preencher o tempo ocioso.
Por outro lado, daí minha surpresa, as tais pesquisas mostram que os exercícios aeróbicos (caminhar rápido, correr, nadar, pedalar, dançar), quando praticados continuadamente, são muito melhores para as pessoas da terceira ou quarta idade porque usam o oxigênio no processo de energização dos músculos, diminuem o risco de doenças cardiovasculares e melhoram a expectativa e a qualidade de vida. E os estudos revelam, também, que a prática rotineira desses esportes tem impacto efetivo sobre a capacidade cognitiva das pessoas, deixando o cérebro mais saudável e rejuvenescido.
Por sua vez, os exercícios anaeróbicos, como alongamento e musculação, atuam diretamente sobre os músculos e são eficazes para evitar a perda de massa muscular, mas não contribuem para evitar o declínio cognitivo.
É importante registrar que, segundo essas pesquisas, os exercícios aeróbicos não precisam ser exaustivos. Caminhar pelo menos 3 vezes por semana, apressadamente, durante meia hora, ou mais, já ajuda a se obter um cérebro mais saudável e, como complemento, condicionamento físico. Ou seja, basta dar algumas voltinhas em torno do quarteirão do bairro que isso proporcionará benefícios à saúde física e mental.
Como dizem os autores do livro, se você dedicar seu tempo livre aos quebra-cabeças, aprimorará seu desempenho neles, mas não o ajudarão a melhorar a saúde, nem aumentar a longevidade. Daí a importância de começar a praticar ou continuar praticando um dos esportes aeróbicos, disciplinadamente, para diminuir o desgaste natural da cognição.

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Darci Garçon é assinante de São Paulo e sócio da TAG Consultores.

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