Revista Contra-Relógio
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40 anos da maratona de nova york!

Edição 195 - DEZEMBRO 2009 - FERNANDA PARADIZO

A prova histórica teve recorde absoluto de participantes, sendo a primeira vez no mundo que uma maratona reúne mais de 40 mil pessoas. Terminaram oficialmente 43.475 homens e mulheres.


A edição de 2009 da Maratona de Nova York, que aconteceu no dia 1º de novembro, anunciou grandes estrelas para a comemoração de seus 40 anos. Os organizadores conseguiram reunir para a disputa vários atletas rápidos, como os quenianos James Kwambai (2:04:27) e Patrick Makau (2:06:14), o marroquino e medalhista de prata em Pequim, Jaouad Gharib (2:05:27), além do norte-americano Ryan Hall (2:06:17), que prometia quebrar o jejum de vitória dos americanos, que não venciam em Nova York desde 1982, com Alberto Salazar.

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O já experiente sul-africano Hendrick Ramaala (2:06:55s), campeão em 2004, o queniano Robert Cheruiyot (2:07:14) tetracampeão em Boston, e o norte-americano Meb Reflezighi (2:09:21), prata nos Jogos de Atenas, ao lado do então bicampeão, Marílson Gomes dos Santos (2:08:37), compunham a lista dos favoritos.


Apesar dos prognósticos de uma prova rápida entre os homens, o que se viu em Nova York foi brilhar a estrela de atletas experientes e acostumados com as dificuldades do percurso. Vice-campeão em 2004 e 3º em 2005, Meb, atleta da Eritréia naturalizado americano, assumiu a liderança perto do final, para vencer com o tempo de 2:09:15, seu recorde pessoal. Na 2ª colocação ficou Cheruiyot (2:09:56), à frente do marroquino Gharib (2:10:25).


Marílson, que defendia o campeonato, tentou acompanhar os líderes, mas acabou não se sentindo bem e ficou para trás. O brasileiro abandonou a prova perto do km 34. O outro representante da elite brasileira na competição, José Telles de Souza, que correu pela primeira vez em Nova York, cruzou a linha de chegada na 16ª posição, com o tempo de 2:17:28.


Se na prova masculina esperava-se uma disputa mais rápida e até o recorde de percurso, que continuou nas mãos do etíope Tesfaye Jifar (2:07:43, em 2001), do lado feminino todos acreditavam que a recordista mundial Paula Radcliffle faturaria sem problemas o tetracampeonato. Mas a britânica sentiu uma lesão e não agüentou o ritmo imposto pela francesa Christelle Daunauy e depois pela etíope Derartu Tulu (campeã de nossa São Silvestre em 1994) e pela russa Ludmila Petrova, que duelaram pelo título quase até o final.


Dona de duas medalhas olímpicas nos 10.000 metros (Barcelona 1992 e Sidney 2000), Tulu, que havia sido 4ª na prova em 2005, levou a melhor e faturou seu primeiro título em Nova York, fechando em 2:28:52. Aos 41 anos, Petrova, campeã em 2000 e vice em 2008, foi a 2ª colocada (2:29:00), seguida de Daunay, com 2:29:16, e de Radcliffle (2:29:27).


Terminaram oficialmente 43.475, o que é não só recorde da NYCM como de concluintes em uma maratona oficial. Entre eles, 360 brasileiros, cujos resultados estão publicados nas páginas seguintes.


QUATRO DÉCADAS DE SUCESSO. Os norte-americanos sabem fazer festa como ninguém. E quem esteve presente na comemoração dos 40 anos da Maratona de Nova York teve a oportunidade de conferir de perto um evento inesquecível. A edição histórica da maratona mais famosa do mundo contou com a participação de aproximadamente 45 mil inscritos, que se alinharam na ponte Verrazano-Narrows para correr pelos cinco distritos nova-iorquinos - Staten Island, Brooklyn, Queens, Bronx e Manhattan - e cruzar a linha de chegada no magnífico Central Park, com suas folhagens alaranjadas, características do outono.


Quem correu pelo menos uma vez Nova York sabe muito bem que não existem palavras que expressem toda a grandiosidade daquela que é considerada a rainha das maratonas. É preciso estar lá para conferir. Sua história de quatro décadas de sucesso começou em 1970, com os 42.195 metros do percurso, ou 26,2 milhas, percorridos dentro do Central Park, em quatro voltas de 6 milhas. Era preciso apenas 1 dólar para se inscrever na maratona, que tinha como um dos organizadores o legendário Fred Lebow, que morreu de câncer em 1994 e que ganhou anos mais tarde uma estátua erguida em sua homenagem no Central Park, onde acontece a chegada. Dos 127 corredores que se alinharam pela primeira vez na linha de largada, apenas 55 chegaram ao fim. Não havia mais do que 100 pessoas presenciando o evento.


Em 1976, o percurso se estendeu para as ruas nova-iorquinas e a maratona passou a ser um grande tour pela cidade. Cerca de 2 mil pessoas largaram na ponte Verrazano, que se tornou o cartão-postal da maratona. Os anos passaram e inúmeros acontecimentos marcaram a história da prova, como o tetracampeonato de Bill Rodgers, as nove vitórias da norueguesa Grete Waitz, que quebrou três vezes a marca mundial, e o final dramático da maratona de 1994, quando o mexicano naturalizado americano Gérman Silva errou o caminho ao seguir o carro de polícia que escoltava a prova faltando meia milha para o final e mesmo assim conseguiu vencer, numa recuperação que tirou aplausos enlouquecedores da platéia.


Se o passado distante fez história, os acontecimentos mais recentes também não deixaram de ter brilho próprio, como a tricampeonato da britânica e recordista mundial de maratona, Paula Radcliflle, a final disputadíssima de 2005 entre o queniano Paul Tergat e o sul-africano Hendrick Ramaala, que se jogou ao chão para tentar em vão cruzar a linha de chegada em primeiro, e ainda o bicampeonato do brasileiro Marílson Gomes dos Santos, que ganhou popularidade mundial com sua primeira vitória em 2006, quando desbancou o domínio dos africanos e se tornou o primeiro atleta sul-americano a vencer em Nova York.


RECONHECENDO SEUS ÍDOLOS: Diante de tantos momentos marcantes, como parte de celebração dos 40 anos do evento, o New York Road Runners, clube de corredores que organiza a maratona, nomeou os principais jornalistas esportivos do país para escolher os "Maratonistas da Década". Foram premiados no total oito atletas, dois representantes de cada década (masculino e feminino), que tiveram resultados mais marcantes na história da prova, entre eles Marilson.


MAIS DE 40 MIL ANÔNIMOS. É fato que as memoráveis quatro décadas de sucesso desta que é considerada a rainha das maratonas foram marcadas por acontecimentos que fizeram época. Mas o que seria da prova se não fossem os mais de 40 mil anônimos que se aventuram a correr pelos cinco distritos nova-iorquinos? Os norte-americanos sabem muito bem disso e também dão o devido valor.


De 1970 para cá, muita coisa mudou. E a maratona consegue atrair hoje cerca de 2 milhões de espectadores ao longo do percurso. São mais de 6 mil voluntários trabalhando no dia da corrida e 2,5 toneladas de medalhas destinadas aos bravos corredores que cruzam a tão esperada linha de chegada no Central Park. Para os cerca de 20 mil estrangeiros que participam do evento, é uma aventura de cinco ou seis dias, que começa no dia em que pisam na Big Apple e só termina no dia da partida.


BRASILEIROS EM GRANDE NÚMERO. Nova York é sempre uma festa. E não poderia ter sido diferente na comemoração dos 40 anos, que contou com a presença de 359 brasileiros. Número um pouco distante dos do final da década de 90, quando o Brasil chegou a levar mais de 600 participantes para a prova, mas que está voltando a crescer nos últimos anos, principalmente depois da primeira conquista de Marílson, em 2006. Hoje, a delegação brasileira ocupa a posição de 3ª maior delegação estrangeira das Américas em número de participantes, ficando atrás somente do Canadá e do México.


A PREFERIDA DOS ESTREANTES. Quem já fez pelo menos uma vez na vida a Maratona de Nova York sabe muito bem como é difícil expressar em simples palavras o que significa correr lá. Talvez a palavra "indescritível" seja a mais usada pelos mais de 800 mil corredores que já alinharam na linha de largada da maratona mais popular do mundo. Ainda que o percurso não seja dos mais fáceis, há quem diga também que não há lugar melhor para estrear nos 42 km. E os números estatísticos também indicam isso. Afinal, 37% do total dos corredores escolhem Nova York para estrear na distância mágica.


E é o caso da carioca e arquiteta Renata Brito, que tem 32 anos e corre desde 1994. "Acertei em cheio ao estrear em Nova York. Adorei participar de cada ritual da maratona, que para mim começou no momento em que combinei com meu treinador em fazer minha primeira maratona. Fechei o pacote com apenas uma pessoa do meu grupo de corrida, mas, no aeroporto, reencontrei um amigo que não via há uns 14 anos e que eu nem sabia que tinha se tornado maratonista. Ao participar dos eventos rapidamente me aproximei do restante do grupo. Afinal, a paixão em comum pelas maratonas é um canal que facilita as trocas", comenta Renata, que chegou à cidade na sexta pela manhã e fez tudo o que mandava o "figurino". Ou seja, deixou as malas no hotel e foi direto para a Expo, no Javits Center, para pegar o kit. É quando o lado consumista do corredor aflora.


UMA MARATONA ANTES DA MARATONA. Mediante tantas novidades, é difícil não cair na tentação de quere levar para casa tudo que possa lembrar aquele momento mágico. Isso sem falar nos preços, que são muito mais baixos dos praticados no Brasil. É uma boa oportunidade para renovar o estoque dos tênis, comprar aquele GPS dos sonhos e até adquirir na feira da maratona qualquer produto ou acessório com o logo do evento impresso, como camisetas, shorts, bonés, gorros, luvas, chaveiros, meias, casacos, bichinhos de pelúcia e até o agora tão na moda manguito. "Tem muita novidade, como o casaco que protege da chuva e deixa a pele respirar ou o DVD que mostra os melhores momentos da prova e em paralelo destaca o corredor. Gravei até um depoimento na hora, que será inserido na fita, com um painel de fundo da maratona", lembra Renata Brito.


A festa que só "eles" sabem fazer - A visita à feira da maratona é apenas o começo de uma "maratona" de eventos que parece não ter fim. O preço para as pernas para participar de toda a festa pode ser alto para quem tem 42 km pela frente. Mas e daí? Parece que a maioria dos corredores não se importa com isso. Afinal, ir a Nova York e não entrar em tudo o que o evento oferece é mais ou menos como ir a Roma e não ver o Papa. O engenheiro eletrônico Valter Ide, de 41 anos e que já fez a prova três vezes, é apenas um entre os incontáveis corredores que partilham dessa opinião. "Eu participo de quase todos os eventos. Pelo preço pago, tenho mais é que ir mesmo. A prova dá o que os corredores querem: festa", diz o paulista, que faz questão de ressaltar a atenção especial e geral dispensada a cada participante. "Nova York tem um clima especial, diferente, que faz o corredor se sentir mais que um corredor. Faz ele se sentir uma celebridade. Correr pela Primeira Avenida ou nas proximidades do Central Park, onde o público torce por você, vibra como se fosse um dos atletas de ponta disputando a liderança, é indescritível. O que é especial é todo esse carinho, o reconhecimento da população, que sabe que correr 42 km, independentemente do tempo, é um ato de bravura."


Outro estreante na prova que ficou maravilhado com toda essa grandiosidade foi o curitibano Ricardo Gomyde, de 39 anos. "Sempre me falavam maravilhas dessa prova, mas corrê-la superou, sem exagero, as maiores expectativas que tivesse", diz o servidor público federal, que também procurou aproveitar ao máximo o que o evento oferecia, como os ônibus gratuitos que levam à Niketown e à Paragon, uma das principais lojas de acessórios esportivos nova-iorquinos, que aproveita a ocasião para oferecer gratuitamente aos visitantes da Expo, seja corredor ou apenas acompanhante, um voucher que dá direito a um lanche recheado, à base de pizza, cachorro quente, bagels, maçã, banana, isotônico e água. Tudo à vontade. "Comi a pizza da Paragon e fui à Nike para me horrorizar com o preço dos tênis que pagamos no Brasil."


CONFRATERNIZAÇÃO DOS ESTRANGEIROS. Dos dias que antecedem o evento principal, sem dúvida nenhuma o mais aguardado e esperado pelos corredores, principalmente os estrangeiros, é o sábado, dia da Corrida Internacional da Amizade, que larga da sede das Nações Unidas e termina no Central Park, no local exato onde acontece no dia seguinte a chegada dos 42 km, ao lado do famoso restaurante The Tavern on the Green. São cerca de 4 km pelas ruas nova-iorquinas, em que povos, idiomas, bandeiras e culturas se misturam num só evento.


Para Renata Brito, tal corrida lembra bastante um bloco de carnaval, composto por grupos dos mais diversos países. "É impressionante como não há predominância de idioma. Em cada bolinho de gente, há uma surpresa. É emocionante ver grupos surgindo dos quatro cantos de Manhattan, cada qual com a camisa, a bandeira e as cores do seu país. No final, há a tradicional troca de camisas e vale levar as da seleção brasileira, pois fazem muito sucesso por lá, mesmos as versões de camelô." E o sábado de eventos não termina por aí. Em noite de Halloween, alguns, mais precavidos, preferem descansar as pernas para o dia seguinte, optando por um jantar próximo ao hotel. Já outros querem aproveitar também o jantar de massas oferecido pela organização, no local da chegada, a partir das 17 horas, brindado depois com um show de rock ao vivo e uma belíssima queima de fogos.


DOMINGO É O GRANDE DIA. Para quem está em Manhattan, os ônibus saem na frente da Biblioteca Municipal com destino à largada, que desde o ano passado passou a ser dividida em três saídas (ou waves - ondas, como eles falam), facilitando assim o fluxo dos corredores. Outra forma de chegar à Staten Island é de ferry boat, que atravessa o rio Hudson e, dependendo do horário determinado na inscrição de cada corredor, oferece uma das imagens mais lindas de Manhattan, com direito a um maravilhoso nascer-do-sol e uma visão magnífica da Estátua da Liberdade.


O dia amanhece em Nova York e os rostos dos corredores adquirem um ar diferente dos dias que antecederam o domingo, em que o clima festivo e descontraído prevalecia. Os olhares passam a ser mais de preocupação e ansiedade. É o momento em que cada um está concentrado e focado no seu objetivo. Mesmo assim, os grupos não deixam de se unir, e festejar, ao ir para a largada.


ESTREANTE, AGORA FORMADOR. Os mais experientes assumem o importante papel de "formador". É o caso de Valter Ide, que foi de ônibus para Staten Island com cerca de 30 brasileiros. "Ver os estreantes me dá uma alegria porque, quando estive pela primeira vez, não sabia de nada da prova. Sinto que passei alguma informação e essas pessoas, sobre detalhes das largadas em cores, das "waves", sobre as pontes, os postos de hidratação, com copos abertos, a junção das cores, o incentivo do público, a chegada, o encontro com a família", lembra Valter, que este ano aproveitou a longa espera na concentração, no Fort Wadsworth, e resolveu inovar, usando o Twitter para passar informações para seus seguidores da largada.


Outro que lançou mão da mesma ferramenta na concentração para aliviar a tensão e relaxar foi Ricardo Gomyde. "Usava meu iPhone. Informava e recebia informações que ajudavam a desestressar", comenta o corredor, que ficou encantando com a largada e abertura da prova. "Pelo meu tempo proposto, saí bem próximo da elite. Pude ouvir o hino americano entoado por uma cantora, o pronunciamento do prefeito, o estouro do canhão e começar a correr ao som do Sinatra, na antológica ‘New York, New York'."


INÍCIO EMPOLGANTE. Com a intenção de baixar o tempo obtido na sua estréia nos 42 km, em Porto Alegre, quando fez 3h14, e mesmo sabendo que Nova York era uma prova um pouco mais dura, pela altimetria, Ricardo entrou na maratona com a proposta de correr entre 4:15 e 4:20/km. Mas, como acontece com muitos no início dessa prova, o difícil é segurar. "Com a empolgação na largada e aquele público fantástico na rua, exagerei na dose. Uma multidão incentivava a todos, chamando pelo nome e pela nacionalidade. As crianças esticavam as mãos para que nelas batêssemos e havia bandeiras do Brasil por todo o percurso. Mais de 100 bandas tocando do começo ao fim", lembra Ricardo, que, por conta de toda essa empolgação, acabou correndo mais forte que o programado e pagando o preço no final. Mesmo assim, ainda conseguiu estabelecer seu recorde pessoal em Nova York, terminando a prova para 3h09.


NA 1ª AVENIDA, UMA GRANDE TORCIDA. De todos os pontos do percurso, um em especial sempre chama atenção dos corredores: a saída da ponte Queensboro, que dá acesso à Manhattan e à longa reta da 1ª Avenida, um dos lugares com mais público nas ruas. Há quem diga que a famosa 1st Ave chega a arrepiar mais do que a entrada no Central Park, nas três milhas finais de prova, que também é outro ponto insuperável, onde o grito da platéia literalmente carrega os corredores pelas intermináveis subidas e descidas do parque até a linha de chegada.


Ainda que o incentivo do público ao final da prova seja de arrepiar, maratona é maratona. Em 42 km, muita coisa pode acontecer. Sentimentos afloram ainda mais, principalmente quando bate o cansaço. Para a carioca Renata Brito e para muita gente que já fez Nova York, as 3 milhas finais corridas dentro do Central Park são emocionantes, mas parecem também uma meta sem fim. "O grito das pessoas que antes me estimulava começou a me dar raiva. Eu pensava que elas não sabiam como era difícil estar ali, ao dizerem ‘falta pouco; você está quase lá'. Ganhei fôlego novo ao avistar a entrada do Central Park, meta idealizada na véspera. Coloquei as mãos para o alto e vibrei de alegria. Entretanto, as milhas dentro do parque pareciam intermináveis e, quando tentei acelerar, senti um breve apagão. Cruzei a linha de chegada em 4h41 esperando a glória, mas o que encontrei foi uma massa de gente se movendo lentamente, como na entrada de um estádio de futebol", lembra Renata, que começou a se sentir fraca e foi levada pela equipe de primeiros-socorros até uma tenda, que para ela mais parecia acampamento de guerra. "Ali deitei numa maca quentinha e tomei uma canja quente. Havia algumas pessoas recebendo soro, e antes que me prendessem por ali, procurei rapidamente me recuperar, abrir um sorriso e sair."


OUTRA "MARATONA" DEPOIS. O grande desafio após a maratona é conseguir chegar ao guarda-volumes para pegar os pertences e depois seguir para o hotel. É um monte de gente se movendo lentamente, todos enrolados nos cobertores térmicos prateados de folha de alumínio. Ainda atordoados com o cansaço da prova e a baixa total de adrenalina, muitos acabam demorando horas para achar o destino. "Ouvi relatos de corredores que se perderam e que ficaram girando, perdidos, sem encontrar a direção do hotel", comenta Renata, que pegou o metrô para chegar a seu hotel.


SINCEROS "CONGRATULATIONS". Após a prova e também nos dias precedentes, andar pelas ruas de Nova York com a medalha no peito é o lema principal para quem finalizou os 42 km, independentemente do tempo registrado. Em situações mais recorrentes, não é preciso nem estar de medalha para receber um sincero "congratulations" das pessoas que caminham nas ruas. Só o fato de andar com dificuldade, descer escadas se apoiando em corrimão de lojas ou escadarias de metrô ou até tentar descer de costas, uma das táticas utilizadas pelos corredores para sobrecarregar um pouco mesmo o quadríceps já machucado e dolorido pelo esforço, já é mais do que suficiente para arrebatar de quem quer que seja um merecido parabéns. Para todos os corredores que um dia já viveram a experiência de correr na Big Apple, esse é sem dúvida nenhuma um dos principais diferenciais. O respeito e o carinho que a população tem com todos aqueles que bravamente cruzaram a linha de chegada no Central Park é algo que não tem preço.

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