Revista Contra-Relógio
// Cobertura //

27ª Dez Milhas Garoto

Edição 277 - OUTUBRO 2016 - TOMAZ LOURENÇO

Prova é uma das maiores e mais festivas do Brasil, tendo como ponto forte a subida e descida da Terceira Ponte, que une Vitória a Vila Velha.

Depois de uns 15 anos voltei a correr a Dez Milhas Garoto, dia 18 de setembro, um domingo ensolarado e um pouco quente, mesmo às 8h quando aconteceu a largada na praia de Camburi, em Vitória, em direção à chegada em frente à fábrica da Garoto em Vila Velha.
A organização esteve a cargo da Yescom, que corretamente estabeleceu 5 baias por ritmo, deixando tal divisão bem clara, ao entregar números de cores diferentes, além de pulseiras idem, neste caso sem função. Na entrada das baias havia staff controlando o acesso de corredores, mas sem um rigor exagerado, de forma que na prática podia-se entrar em qualquer bolsão, inclusive os "pipocas" que eram muitos, a maioria com a camisa do evento (é o tal kit compartilhado, em que um corre com o número, outro com a camiseta e um terceiro com o chip).
Saí no final da quarta baia e segui com a massa caminhando para a largada, trajeto que demorou 10 minutos, tal a quantidade de corredores, que talvez chegassem a 15 mil, considerando-se os pipocas. Após um primeiro quilômetro um pouco congestionado, já foi possível correr e então no km 4 começou a subida e descida da Terceira Ponte, que totaliza 4 km, e que neste ano teve a ajuda de um vento a favor.
Durante a corrida, dois fatos me chamaram a atenção. O primeiro foi o grande número de mulheres (talvez uns 40% dos participantes), muitas com calça legging, apesar da temperatura de 37 graus e sol forte. O outro foi o também expressivo contingente de pessoas acima do peso, pelo menos em minha volta, correndo a um ritmo estimado de 6:30/km.
Há ainda um terceiro aspecto, mas esse já há algum tempo é comum nas nossas provas, e que é "correr/andar para se fotografar". Na Dez Milhas não foi diferente, especialmente no alto da Terceira Ponte, quando muitos paravam para a selfie. Aliás, uma das pistas (com duas faixas de rolamento) foi bloqueada para a corrida, o que não chega a ser novidade, uma vez que a Terceira Ponte tem sido usada para outros eventos esportivos e para passeatas políticas.
Após finalizada a ponte, os corredores tiveram acesso a água gelada em garrafinhas a cada 2 km (além de um posto no km 4 e na largada), que se usava para beber e molhar o corpo.

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ERRO E 21 KM. Como não tinha treinado para os 16 km da Garoto, decidi que sairia no km 12 e seguiria para o hotel, distante (eu achava...) apenas 1 km. E assim fiz, e segui na direção que achava correta e onde encontraria minha mulher. Após uns 3 km, descobri que tinha ido no sentido contrário e, sem opção de pegar um taxi, voltei correndo para a prova e fui então no sentido certo, por mais 3 km depois do ponto em que o percurso chegava à orla da praia.
Foi um pouco sofrido, porque o sol estava forte, mas não tinha opção, se não correr, mesmo porque minha esposa com certeza estaria apreensiva (ela também foi a um ponto de encontro equivocado) pela minha demora. No total devo ter corrido uma meia-maratona, um grande treino para quem achava que dez milhas seria muito naquele domingo.
A participação na Garoto é predominantemente de capixabas, mas também expressiva é a presença de mineiros e cariocas. Muitos são fieis à corrida, com se via na entrega de kits, em que era comum pessoas com camiseta de anos anteriores. Entre elas, Aureni Simões, aposentada de 63 anos e moradora de Vila Velha, que informou ter feito todas as 26 edições anteriores, nos três percursos, já que a passagem pela Terceira Ponte não aconteceu nos primeiros anos.
Como não poderia deixar de ser, os pontos mais concorridos na feira informal da entrega de kits (no estacionamento da Garoto) eram para tirar foto tendo como fundo um painel com a Terceira Ponte, um outro com o nome da prova em relevo e ainda um terceiro com a fita de chegada.


VITÓRIAS QUENIANAS. Joseph Aperumoi, campeão em 2012 e vice no ano passado, completou os 16 km em 47:29, seguido de Giovani dos Santos e Edmilson Santana. A queniana Consolata Cherotich fez sua estreia na disputa, vencendo com o tempo 59:49, vindo depois Kleidiane Jardim. Resultados completos no site www.garoto.com.br



Maratona e Meia EM Movimento
Prova criada em 2009 para divulgar e conscientizar sobre a doença esclerose múltipla segue firme em Goiânia, contemplando quatro distâncias: 10, 15, 21 e 42 km oficiais!
Em sua primeira edição, a Corrida EM Movimento teve modestos 395 inscritos. Em 2012 o evento passou a ter também maratona (junto com 10 e 21 km) e em 2013 chegava a 450 concluintes, em todas as distâncias oferecidas, número que subiu para 837 no ano passado. Dado suas constantes melhorias, no último dia 28 de agosto terminaram exatos 999 corredores agora incluindo também uma prova de 15 km.
Neste ano houve um grande salto de qualidade, com a certificação oficial do percurso e Permit Ouro pela CBAt, o que inclui exame antidoping dos primeiros colocados. Este fato, aliado a uma boa premiação e ampla divulgação, impactou diretamente no aumento do número de participantes, especialmente na maratona, passando de 57 homens em 2015 para 129 e de 7 para 26 no feminino), enquanto na meia saltou de 113 para 192 e de 35 para 65 concluintes mulheres.
Pela primeira vez, os corredores contaram com um congresso técnico, e dez fiscais da Federação Goiana de Atletismo supervisionaram a corrida. Também destaque nesta edição, para a participação de corredores consagrados e que ajudaram a escrever a história do atletismo brasileiro. Entre eles, Ronaldo da Costa, Edson Rocha Vanderley e José Cézar de Souza, inscritos nos 10 km, e Lindembergue Nunes Gomes, que fez em Goiânia o encerramento de sua vitoriosa carreira como maratonista (melhor tempo 2:53:52), depois de ter concluído mais de 149 provas na distância. Sua chegada foi emocionante, sendo o atleta foi escoltado pelos companheiros citados acima.
A vitória nos 42,2 km foi de Cleiser Alves dos Santos (2:34:05), seguido de Roberto Rimes Rosa (2:35:54) e Marcos Oliveira Paixão (2:38:33); no feminino, Samara Camargo (3:16:57), Eliane Venturini (3:22:25) e Lilian Pereira (3:28:30). Na meia-maratona, o pódio foi formado por João Luís Prado (1:08:43), Flávio Guimarães (1:10:43) e Paul Kipkemei (1:11:15); já entre as mulheres, Rosilene Oliveira (1:25:25), Daiane Barros (1:27:03) e Luciene Caso (1:28:31). Resultados completos em www.cronotag.com.br


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