Revista Contra-Relógio
// Cobertura //

13ª Travessia Torres-Tramandaí

Edição 282 - MARÇO 2017 - JORGE RITTER

Revezamento, mas também solo, percorre 82 km no litoral norte gaúcho.

Mais para a beira da praia onde havia me posicionado para ver melhor os corredores chegando, só enxergava um mar de guarda-sóis e centenas de veranistas curtindo o sábado de verão em uma praia gaúcha, Imbé, junto ao rio Tramandaí. Pensava no feito que era sair de Torres, a 82 km ao norte dali, e correr essa distância toda pela praia enfrentando o sol, calor e trechos de areia pesada, quando achei ter visto uma miragem, mas não, era real mesmo: lá vinha um corredor surgindo em meio aos guarda-sóis! Lembrei de um veterano ultramaratonista que na largada me disse: "De Capão da Canoa em diante, é uma prova de obstáculos". Sim, na TTT (para os íntimos...) não basta vencer a distância, você precisa também desviar das crianças, dos banhistas e dos vendedores ambulantes.
A largada, no dia 28 de janeiro, havia sido no escuro ainda na avenida Beira-Mar em Torres, às seis da manhã. Na categoria "solo" havia em torno de duzentos participantes, que seguiram pelo centro da cidade ainda adormecida, único trecho curto da travessia que não é pela praia. Logo depois o percurso quebra em direção ao mar e dali em diante é só areia. Mais um pouco e vieram os outros corredores participando em duplas, quartetos e octetos que largaram em intervalos. E esse é um dos aspectos legais de qualquer revezamento, ou seja, corredores de diferentes habilidades podem curtir a aventura de participar de uma ultra, pois os trechos entre um posto de troca e outro variam, no caso da TTT, de 6 a 16 km.
Neste ano, as questões de logística, que haviam atrapalhado a edição passada, foram remediadas pela organização. O problema mais grave aconteceu na hidratação, que faltou em determinados postos para alguns corredores (ou eles não os viram e passaram direto). Mas como disse Paulo Silva, diretor técnico da TTT desde o seu início, "cada edição é um aprendizado".
O tempo este ano ajudou também. Não estava tão quente (para um dia de verão, claro!), havia pouco vento e por boa parte da prova o sol esteve encoberto. Além disso, a maré havia subido no dia anterior e firmado a areia para a corrida. Talvez isso tenha contribuído para a quebra de ambos os recordes masculino e feminino: o bicampeão Rodrigo Cardoso com 6h09 e Daniela Santarosa com 7h21, conquistando seu pentacampeonato.
Por fim, os espectadores da chegada testemunharam uma bela cena: o octeto "Binho Eterno" chegou carregando um banner com a imagem do amigo e companheiro de corridas Roberson Velasques, o "Binho", que ano passado havia falecido justamente na Travessia, em decorrência de um mal súbito sofrido durante sua participação. Uma homenagem bonita e um fecho de ouro para esta grande Travessia Torres-Tramandaí, uma prova já clássica do calendário brasileiro de ultramaratonas. Resultados completos em www.ttteventos.com.br
NR: Outra ultra gaúcha também tradicional e cujos 8 km finais (dos 50 km no total) acontecem pela areia da praia (do Cassino) é a Super de Rio Grande, no sul do estado. A 24ª edição será dia 19 deste mês; mais informações em www.acorrg.com.br

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