Revista Contra-Relógio
// Aquecimento //

120 vezes Boston

Edição 271 - ABRIL 2016 - ANDRÉ SAVAZONI

Edição comemorativa ocorre no dia 18 deste mês, com o recorde de 154 brasileiros inscritos e o índice técnico mais forte da história.

Segunda Major do ano, depois da japonesa Tóquio, a Maratona de Boston comemora no dia 18 deste mês a edição de número 120 com alguns destaques, como o índice técnico mais forte da história (houve o corte de 2H28 no tempo mínimo em todas as faixas etárias) e a presença expressiva de 154 brasileiros inscritos, um recorde também. Na elite, o destaque fica para Solonei Rocha da Silva na preparação para os 42 km na Olimpíada do Rio de Janeiro.
A expectativa é grande entre os participantes, principalmente para quem correrá em Boston pela primeira vez. Entre eles está Guilherme Gaia, do Paraná. Com um atrativo a maisH ele fechará o circuito das Majors, depois de ter completado os percursos em Chicago, Berlim, Nova York, Tóquio e Londres. "Tive o privilégio de conseguir o índice muitas vezes, mas sempre evitei correr em Boston devido às famosas subidas. Mas agora chegou a hora de encará-las. Ouvi de quase todos que correram lá que se trata de uma prova inesquecível e a mais vibrante de todas. Quem faz, quer voltar, sempre! Quanto à dificuldade, tenho uma grande dúvida, pois, apesar das fortes subidas, vejo muita gente bater recordes pessoais lá, então estou treinando forte para isso! A expectativa está grande. Será a minha 17ª maratona, duas delas sub 3h e algumas outras muito perto disso... Quem sabe fecho esse ciclo de Majors com uma grande performance", diz Gaia.
A presença de brasileiras é bem significativa em Boston. Uma delas é Ana Lucia Rozza, de 46 anos, que mora atualmente em Joinville e corre há 13 anos. "Quando estou lá no meio daquele mar de gente na maratona é como se o filme da minha vida passasse diante de mimH lembro de cada um que me ajudou, da minha família, da renúncia a tantas coisas para poder treinar, dos meus amigos, das pessoas que às vezes dizem que eu as inspiro. Corro por todos eles. Corro por mim. Estou ansiosa para correr a ‘Maratona das Maratonas'. Por mais preparada que digam que eu esteja, quem corre sabe que tudo pode acontecer no grande dia. Mas o que eu espero mesmo é me divertir muito, viver grandes emoções e chegar ‘inteira' no final de Boston", afirma Ana Lucia.
Já Kamilla Pontes, de São Paulo, é uma "experiente" em Boston. Está na terceira participação na maratona norte-americana e terá a companhia do marido, Thiago Pontes, nos 42 km. "Estou superanimada e na expectativa de fazer uma boa prova. Desde a primeira vez em que corri lá, me apaixonei pela cidade, que respira maratona. Virou a prova do meu coração. Me emociono somente de pensar. A multidão nas ruas, a feira da prova, a coleção de roupas, o alto nível dos participantes. Tudo é muito impressionante. Sem falar da organização. A ida para a largada é algo que não tem palavras para descrever. Eles conseguem transportar os milhares de corredores sem problema algum em ônibus escolares. A Vila dos Atletas onde aguardamos a largada também é mais do que especial. Assim, nessa expectativa, estou indo para a minha terceira Boston Marathon, novamente ao lado de meu marido, que também irá correr. Vibramos juntos a cada treino concluído e sonhamos a cada dia com o momento do embarque. Estamos no pico de treinos. Em breve, começamos a desacelerar e deixar o corpo 100% para o tão esperado dia."
O experiente Nilson Paulo Lima, de Uberlândia, assinante da CR e que está sendo homenageado com uma maratona em sua cidade, dia 3 de julho, tem 115 maratonas e 16 ultras no currículo. "Este ano será a minha quinta vez em Boston. Participar dela é viver um final de semana inesquecível, em uma prova que me faz sentir orgulho de ser maratonista. Além de ser a única do mundo que exige tempos-limites para se inscrever é a mais ‘casca grossa' entre as seis principais maratonas do mundo (Boston, Berlim, Londres, Chicago, Tóquio e Nova York), onde a nata da elite está sempre presente e tive a honra de concluir este ciclo o ano passado. Participar de Boston é como carimbar o certificado oficial de maratonista. A sensação é de que, para quem faz Boston, é dispensável qualquer apresentação curricular como corredor, é como ter no corpo um DNA diferenciado de corredor", afirma Nilson, que terá uma emoção a mais nesta edição de número 120. "Estarei fazendo novamente a dobradinha Boston e Big Sur (no domingo seguinte), Na companhia da minha esposa, Silvana Vieira, que estará pela primeira vez nesta maravilhosa aventura."
A também assinante Andreia Sekine Miranda é outra ansiosa estreante em Boston. "Descobri por acaso que tinha o índice e fiquei muito feliz, pois sempre treinei com muita dedicação seguindo a planilha e os conselhos do meu treinador, Marcelo Carvalho, da Planet Assessoria Esportiva. São meses de preparação e pesquisa sobre esta prova. Sei que vou dar suor, sangue e lágrimas se necessário, no entanto, a parte mais difícil não é ter o índice e sim arcar com todos os custos de uma Major. Quando comecei a ler a respeito dessa lendária maratona, fiquei tão fascinada que decidi que ela seria perfeita para eu celebrar meu 40º aniversário. O melhor presente que eu poderia ganhar. Mas é um presente que exige uma árdua rotina semanalH de 4 a 5 treinos de corrida, mais 2 a 3 treinos de musculação. Isso tudo além de cuidar das crianças, da casa, do cachorro e, de vez em quando, jogar tênis com as amigas", diz Andreia.

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FAVORITOS - Na elite, além da presença de Solonei Rocha da Silva, pelo lado brasileiro, os principais nomes são dos quenianos Geoffrey Mutai (2H03H02), Sammy Kitwara (2H04H28) e Wilson Chebet (2H05H27); dos etíopes Tsegaye Kekonnen (2H04H32), Lemi Berhanu Hayle (2H04H33), Lelisa Desisa (2H04H45), Yemane Tsegaye (2H04H48) e Getu Feleke (2H04H50).
No feminino, há 12 mulheres com tempos inferiores a 2h25, destacando-se as etíopes, que lideram a listagemH Tiki Gelana (2H18H58), Buzunesh Deba (2H19H59), Tirfi Tsegaye (2H19H41), Mamitu Daska (2H21H59), Atsede Baysa (2H22H03) e Tadelech Bekele (2H22H51). O Quênia conta com Flomena Cheyech Daniel (2H22H44), Valentine Kipketer (2H23H02), Caroline Rotich (2H23H22) e Joyce Chepkirui (2H24H11), entre outras.
A lista completa dos corredores de elite pode ser conferida em www.bostonmarathonmediaguide.com/elite-athletes/ e mais informações de Boston, além de poder acompanhar online e por aplicativo a corrida, no site www.baa.com.


De olho em 2017
Para quem pretende estar na linha de largada de Boston em 2017, como o editor da Contra-Relógio, Tomaz Lourenço, o prazo para a obtenção do índice começou em 19 de setembro do ano passado e vai até o começo do mês de setembro próximo (a data exata ainda não foi divulgada pelos organizadores). O índice pode ser feito em qualquer maratona oficial. Aqui no Brasil, há boas opções agora em sequência, uma por mês, entre abril e julhoH São Paulo (24 de abril), Rio de Janeiro (29 de maio), Porto Alegre (12 de junho) e São Paulo City Marathon (31 de julho). A edição de 2017 está marcada para o dia 17 de abril!


ÍNDICES DE BOSTON-2017
IDADE HOMEM MULHER
18-34 3H05 3H35
35-39 3H10 3H40
40-44 3H15 3H45
45-49 3H25 3H55
50-54 3H30 4H00
55-59 3H40 4H10
60-64 3H55 4H25
65-69 4H10 4H40
70-74 4H25 4H55
75-79 4H40 5H10
80 + 4H55 5H25
Obs.: Idade no dia da prova. Ou seja, se uma pessoa estará, por exemplo, com 70 anos dia 17/04/17, como o editor da CR, ele deve buscar o índice dessa categoria neste ano e não da faixa 65/69 anos. Mas lembrando que para ter certeza da qualificação para a inscrição é necessário conseguir 3 minutos menos que o índice.

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