Iniciar impressão Voltar para página

Revista Contra-Relógio

EDIÇÃO 179 - AGOSTO 2008

PEITORAL VAI ALÉM DA ESTÉTICA E AJUDA NA CORRIDA

POR LUIZ CARLOS DE MORAES (lcmoraes@compuland.com.br)

Já vimos em outras matérias que boa postura envolve uma quantidade mínima de esforço e sobrecarga conduzindo a eficiência máxima no uso do corpo. A posição de pé, por exemplo, envolve um complexo sistema de alavancas com diversos grupos musculares se contrapondo aos seus opostos para manter o corpo em equilíbrio. Os músculos do dorso se contrapõem ao abdome, o jarrete (atrás da coxa) ao quadríceps, os gastrocnêmios (batata da perna) aos tibiais e assim por diante.
As curvaturas da coluna servem para dissipar as forças verticais, e o cansaço gerado pela posição em pé ou nas corridas de longa distância leva as pessoas a baixarem os ombros para frente acentuando as curvas torácica e lombar, relaxando o abdome de tal forma que olhando o sujeito de lado fica parecido com um ponto de interrogação. Horas sentado também levam a uma postura ruim e conseqüente dores nas costas, ombros e pescoço.
Já imaginaram o que seria do nosso corpo sem os músculos? São eles que dão estabilidade, permitindo todos os movimentos que fazemos, além de manter o coração batendo sem parar e fazer funcionar os órgãos internos. Por isso eles têm uma classificação:

Músculos voluntários e involuntários
Os responsáveis pelos movimentos são os estriados esqueléticos e obedecem ao nosso comando, e por isso tem ação voluntária. Se fosse involuntário ninguém seria sedentário... O estriado cardíaco é involuntário e como o próprio nome diz é encontrado apenas no coração; a corrida de longa distância é uma das atividades físicas que mais beneficiam esse músculo. Forma o conhecido miocárdio, que a gente só lembra dele quando começa a dar problema.
Os músculos lisos, também involuntários, são responsáveis pelo perfeito funcionamento dos vasos sanguíneos, intestinos e estômago. Todos nós corredores em algum momento de nossas vidas já vimos a ação involuntária do intestino quando dá aquele friozinho na barriga em alguma corrida muito importante ou quando comemos alguma coisa que não deveria.
Os estriados esqueléticos têm funções específicas: quando, por exemplo, levamos uma xícara de café à boca o bíceps se contrai e o seu oposto, o tríceps, coordena moderando e/ou freando o movimento, enquanto outros também ajudam contraindo junto, no caso os músculos do antebraço. Já vimos também em outras matérias como os braços são importantes na corrida,principalmente nessa questão do equilíbrio. Quando não estamos cansados no início de uma prova a gente nem lembra deles. Quando cansamos não sabemos o que fazer com eles porque tudo incomoda, não é mesmo?
Os chamados estabilizadores, como o próprio nome sugere, estabilizam guiando e/ou facilitando a ação de outros grupos musculares, fornecendo base mais firme. No exemplo, o trapézio, músculo que vai do pescoço ao ombro, faz essa função, embora a gente nem perceba o trabalho dele.

O papel dos peitorais
Os peitorais são os músculos-exemplo da beleza masculina e símbolo do machismo. Por esse motivo e por fazer parte de um dos grandes e importantes grupos musculares, quem começa a fazer ginástica ou musculação tem que exercitá-los. Sua grande importância, no entanto, vai além da estética. É um grupo muscular responsável pela postura do tronco e seu condicionamento pode evitar dores nas costas geradas pela posição curvada (cifótica) que o corredor assume numa corrida ao não treinar direito para ela.
Na mulher, além da postura, o peitoral dá sustentação aos seios que são formados por camada gordurosa e não recebe influência dos exercícios. Seios mais elegantes têm uma boa base que são os músculos peitorais por baixo deles. Para a corredora isso é mais importante ainda principalmente por conta do mito especulando que a corrida deixa os seios da mulher caídos. Mentira! O que deixa os seios caídos é a falta de exercício adequado à corredora e a postura ruim.
No dia-a-dia sem percebermos fazemos movimentos em que esse grupo muscular está agindo. Sentado numa cadeira de escritório ao apoiarmos as mãos na mesa, empurrando a cadeira para trás, estamos usando o peitoral. Ao abrirmos uma porta, empurrando-a para dentro do ambiente, a ação se repete e assim são todos os movimentos que fazemos de empurrar alguma coisa à nossa frente.
O peitoral também é importante na sustentação dos movimentos rotatórios ou balanço próprio dos braços na corrida ou por algum motivo temos que sustentar e/ou elevar o corpo com as mãos. Ao descer escadas segurando no corrimão para dar segurança para não cair, olha o peitoral aí de novo.

Tônus e flexibilidade
Portanto, é muito mais importante que a estética e muito mais do que imaginávamos. Repito. Para o corredor facilita a movimentação dos braços, permitindo equilíbrio na corrida de longa distância e evitando as terríveis dores no meio das costas depois da corrida. Para isso ninguém precisa virar um Schwarzenegger. Basta ter peitoral tonificado e flexível.
A falta de flexibilidade nesse grupo muscular resulta na posição cifótica das costas, popular corcunda. Quem não conhece pelo menos uma pessoa assim? O exemplo mais clássico é quando estamos sentados ao volante de um carro e desejamos pegar algum objeto no banco de trás. Sem flexibilidade vai ficar muito difícil. Tente pegar a sua carteira que está na sua calça no bolso esquerdo de trás com a mão direita. Tem gente que não consegue e vai fazer isso com a mão esquerda mesmo.
Os exercícios mais conhecidos destinados aos peitorais são: supino reto e suas variações angulares, o voador e o crucifixo (ver desenhos). A série, a carga, o descanso e o método a ser utilizado de acordo com o objetivo de cada corredor devem ser prescritos por profissional de Educação Física habilitado. No mais, é curtir o corpo belo, saudável, sem exageros e correr sem dores.