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Revista Contra-Relógio

EDIÇÃO 185 - FEVEREIRO 2009

Maratona de Honolulu. Muito legal, mas ...

POR VILDA DEL LAMA (redacao@contrarelogio.com.br)

A Equipe Quero-Quero tem integrantes em várias cidades brasileiras e no exterior, e desde 2006 adotou a estratégia de fazer uma maratona “interessante” num lugar que desse para combinar corrida com passeios mais interessantes ainda. Foi assim em 2006, quando fomos para o Alaska, em 2007, para Medoc, na região vinícola da França, e em 2008 optamos por correr a maratona de Honolulu – Hawaí. Nosso grupo foi composto por 9 pessoas: Rodrigo e Camila, residentes em Atlanta, Marcos e Katia de Poços de Caldas, Daniela de Belo Horizonte, Jaci de Florianópolis, Ednaldo, Jussara e eu residentes em Brasília.

O Hawaí é um arquipélago no Oceano Pacífico e chegar até lá é uma das atividades árduas do passeio. Saindo do Brasil, vôos para Dallas ou mesmo Los Angeles e de lá para Honolulu. Entre escalas e conexões, foram 27 horas de viagem. Os custos ficam mais elevados quando comparados com uma viagem para a Europa, por exemplo. Trechos aéreos por volta de US$ 2.200 e diárias para todos os bolsos. A rede hoteleira em Honolulu é vasta, existindo desde hotéis das grandes redes internacionais até flats, com ou sem serviço de camareira, que comportam mais pessoas por unidades, o que barateia os custos.
Para quem viaja a Honolulu para correr a maratona é interessante ficar em hotéis que estão situados na praia de Waikiki, a mais central e importante, porque dali dá para fazer quase tudo a pé. Rodeada por supermercados, restaurantes, paradas de ônibus e pertíssimo do local da chegada da maratona. Dá para voltar caminhando ao hotel. O transporte coletivo é bom e com regularidade de horários, feito em pequenos bondes charmosos iguais àqueles que circulavam por São Paulo no inicio do século 20. Preço fixo US$ 2. O transporte para o local da retirada do kit foi gratuito e esteve disponível por três dias. Tudo bem bonito, informado e sinalizado. A feira de produtos esportivos é boa, mas com a presença marcante da patrocinadora Nike.

Luau pouco paradisíaco
A maratona acontece em dezembro (dia 14, no ano passado). A inscrição é feita pelo site www.honolulumarathon.org e custou-nos US$ 140; mais US$ 40 por um luau oferecido pela organização que nós não curtimos porque tínhamos a expectativa de uma festa paradisíaca, com lua mesmo, coqueiros, praia, danças típicas com lindos polinésios, tochas na praia e colares de flores - afinal, estávamos no Hawaí. Doce ilusão! Foi só um jantar, em pratinhos de isopor, apoiados nas pernas e num anfiteatro aberto com cantores locais fazendo seu show lá no palco. E chovia muito. Então imaginem a cena... Aliás, em dezembro chove muito na região, mas em 2008 a quantidade de chuva foi maior que o esperado, o que não impediu de os turistas e corredores fazerem seus planos e passeios. Era capa de chuva e guarda-chuvas para toda parte.
No dia da prova, acordamos 2h30 para dar tempo de nos arrumar, comer nosso desjejum, tirar fotos e ir a pé para o Kapiolani Park (300 metros do nosso hotel),de onde partiriam os ônibus que nos levariam para a largada. O último ônibus partiria às 4h00. Havia uma multidão de corredores esperando, mas uma organização impecável não deu chance para tumulto, o que daria inveja a qualquer brasileiro mais consciente de como se comportar em ambientes públicos e com muitas pessoas. Cada um teve sua vez, sem empurra-empurra.
Chegamos ao local da saída e procuramos a baia de 5 horas, pois era esse o tempo que cada um dos cinco integrantes do grupo pretendia fazer.
A largada da maratona aconteceu às 5h00, ainda muito escuro e com um festival de fogos de artifícios bonito e emocionante. A largada da caminhada de 10 km se deu às 5h25. Ao todo, mais de 32 mil inscritos, mas um número bem menor presente.

Percurso sem graça
A chuva que estava ameaçando, caiu fartamente e nos acompanhou por quase duas horas. O percurso não é tão bonito quanto esperávamos, pois quase todo na parte "urbana" da ilha. Os trechos mais bonitos são em Waikiki Beach, que passamos quando ainda era noite e mal deu para ver a beleza da praia, e a subida do vulcão Diamond Head, mas com a chuva inclemente não foi possível desfrutar um alvorecer bonito, com vista de uma mar azul e dourado pelo sol.
O restante foi frustrante para nossas expectativas porque corremos somente em autovias e bairros residenciais. Mas a altimetria é boa, com percurso quase todo plano.
O apoio de água, repositor eletrolítico, biscoitinhos salgados, frutas, vaselina e esponjas para refrescar foi ótimo e com abundância. Até limonada natural e geladinha uma moradora oferecia na porta de sua garagem. Portanto, nenhuma reclamação a fazer sobre apoio, animação e sinalização durante a prova.

Os muitos japoneses
Havia muitas bandas de música no percurso e a população participa o tempo todo, desde às 5 da manhã, incentivando, batendo palmas e portando cartazes de animação para os corredores, sem contar as assessorias dos grupos japoneses, que predominam na prova (é uma viagem de poucas horas para eles). São incansáveis! De milha em milha um pequeno grupo com faixas, apetrechos barulhentos, comidas típicas e muitas animação para sustentar o ânimo dos integrantes do seu grupo.
De todos os cartazes que li, o que mais me marcou foi o de uma garotinha, já perto do final, sentada sozinha na calçada com um cartaz escrito a mão que dizia: You can do it! Go ahead! Respondi a ela várias vezes um Yes, I can e foi impossível não me emocionar ao lembrar de tudo que passamos ao treinar para uma prova longa, além dos problemas pessoais que cada um enfrenta durante esses treinamentos. Com o grupo que ali estávamos não foi diferente. Foi a primeira vez na minha vida que cruzei uma linha de chegada chorando. Estava muito emocionada, independente do tempo que eu demorara para chegar (5:33:16).
Para quem completa é entregue uma camiseta e uma medalha simples. Nas horas e dias seguintes ao término da maratona os transeuntes nas ruas se "tingem" de um azul (cor da camiseta em 2008), sinalizando, com orgulho e satisfação, que são um daqueles 21 mil que passaram pela linha de chegada. O campeão foi o queniano Patrick Ivuti, com 2:14:41, e no feminino vitória da japonesa Kaori Yoshida, em 2:32:36.

Vale lembrar que a Maratona de Honolulu é uma prova festiva, um passeio longo que larga às 5 da manhã e se tem até às 3 da tarde para terminar - 10 horas de prova - e são muitos os que chegam nesse limite. A faixa etária varia desde crianças até 92 anos de idade.

Muitos passeios

Para associar passeios interessantes com a viagem para correr a maratona, o Hawaí oferece muitas opções. Em Honolulu é interessante visitar Pearl Harbor, com todos os museus e memoriais relacionados a ele; shows de cultura polinésia; luau típico e passeios aquáticos com embarcações polinésias; alugar carro e conhecer as praias do norte de Oahu, onde está Pipeline Beach, mundialmente famosa por ser reduto dos surfistas de todas as idades, aproveitando para, no caminho até lá, fazer parada obrigatória para comer camarão fresquinho de criadouros da região. Delicioso! Melhor que aquele servido em qualquer restaurante no centro de Honolulu.
Nas praias do sul, destaque para Hanauma Bay, que é um local de preservação que só se pode entrar para mergulho livre. Existe também passeio para as outras ilhas do arquipélago, mas que só é feito de avião comercial ou por helicóptero, o que encarece muito.
Agora é só relaxar e pensar para onde iremos em 2009: África do Sul? Nova Zelândia? Jamaica? Austrália? China? Realmente ainda não sabemos. Apenas de uma coisa temos certeza: Em algum desses lugares a Quero-Quero estará com a sua garra, alegria, espírito esportivo e de equipe certificando-se de nossa característica mais marcante - A Quero-Quero sempre chega!