Revista Contra-Relógio

Fernanda Paradizo é jornalista e fotógrafa. Já viajou pelo mundo para cobrir provas internacionais e é corredora desde 1993, com 9 maratonas no currículo.

De repórter a maratonista

28/outubro/2010

Depois de pensar e repensar o que poderia escrever aqui num primeiro post no novo site da  Contra-Relógio, resolvi retomar aqui meu post inicial no Webrun, até como uma forma de agradecimento pelos anos de parceria com esse portal de corrida, onde mantive meu blog pessoal até bem pouco tempo. Acredito que o texto abaixo diz muito sobre quem sou, de onde vim e o que me tornei nestes anos todos dedicados à corrida.

“Comecei a correr em 1993 para me manter bem condicionada, mas minha verdadeira paixão pela corrida surgiu em 1997. Eu trabalhava na revista Boa Forma, da Abril, e, por ter a corrida como algo quase regular na minha rotina (3 vezes por semana, 8 km por dia), fui incumbida de fazer uma matéria especial sobre como encarar um treino de seis meses para uma maratona.

Meu entrevistado na época era o técnico Wanderlei de Oliveira. Meu primeiro contato com ele foi por telefone. Em vez de eu tomar as rédeas da conversa e estabelecer naquele momento que era eu quem faria as perguntas, acabei deixando ele comandar a situação. “Você corre? Há quanto tempo?  Quanto por dia ou semana? Que tênis você usa?” Respondi calmamente às perguntas e, quando achei que passaríamos então a tratar do meu assunto, lá veio ele com outra conversa: “Esteja amanhã, às 6h da manhã, na pista de atletismo do Constâncio Vaz Guimarães. Traga tênis e roupa de corrida”. Tentei intervir, falando que eu só queria fazer uma entrevista e nada mais. “Quer escrever sobre corrida? Então, corra!”, disse ele, enfático

Mesmo um pouco contrariada, fui até lá e fiz tudo o que ele queria. Comecei a treinar com o grupo imaginando que ficaria por ali só até o momento de conseguir todo o material que precisava. Terminei a matéria e, antes que o texto fosse publicado, lá veio ele de novo com outra “conversa”: “Que tal agora correr a Maratona de Nova York e relatar seu treino e participação para a revista?” Estávamos a cerca de seis meses da prova. Topei o desafio. Treinei duro durante seis meses e corri minha primeira maratona para 3h49. Ainda guardo na memória vários detalhes sobre essa emocionante experiência, que relatei em quatro páginas da edição de dezembro de 1997 da revista Boa Forma. Depois disso, outros desafios vieram. E aquela conversa inicial na linha do “Venha correr para saber o que escrever” acabou tendo grande impacto sobre mim e até direcionando minha carreira profissional logo depois que encarei meus primeiros 42 km. Fiquei tão apaixonada por essa modalidade que resolvi deixar de lado o mundo do fitness e mergulhar fundo na corrida, mesmo não sabendo direito onde isso ia dar. Fui levada pelo próprio Wanderlei, que, além de meu técnico, virou também um grande amigo e parceiro de muitos trabalhos que vieram pela frente, para trabalhar no Pão de Açúcar, onde fiquei por 10 anos atuando na área esportiva da empresa, que foi pioneira em muitos aspectos que envolveram a modalidade. Posso dizer que fui privilegiada porque tive a oportunidade de acompanhar de camarote boa parte do “boom” da corrida de rua no Brasil, o aparecimento e crescimento das assessorias esportivas e o início dessa febre de correr maratona.

O tempo passou… e eu não parei mais de correr. Hoje, acumulo nove participações em maratonas (sendo cinco em Nova York, três em Paris, onde tenho meu recorde pessoal, de 3h37, e uma na Pensilvânia) e mais quinze em meias maratonas espalhadas pelo mundo. Carrego também na bagagem diversas coberturas de maratonas e meias internacionais, como Nova York, Paris, Disney, Miami, Lisboa, Santiago, Buenos Aires, além de provas de ciclismo e triathlon, como Mundial de Ironman 70.3, Ironman do Brasil, e ainda uma Race Across America, prova de ciclismo que corta os EUA de costa a costa.

Quando olho para trás, não consigo imaginar outro caminho para a minha vida se não tivesse sido eu a pessoa escolhida para tocar aquela primeira matéria sobre maratona. Havia vários repórteres na redação com mais experiência para fazer esse trabalho, mas tenho certeza de que ninguém ali se envolveria tanto pelo assunto quanto eu. Inexperiência de uma repórter iniciante? Talvez… mas não me importo com isso. Prefiro achar que aquilo tudo estava escrito para mim. Aquele era o meu destino. Eu estava no lugar certo na hora certa… e o foi o “acaso” que tratou de colocar as coisas nos devidos lugares.”

Postado em: Depoimento por Fernanda Paradizo às 12:33
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