Revista Contra-Relógio

Fernanda Paradizo é jornalista e fotógrafa. Já viajou pelo mundo para cobrir provas internacionais e é corredora desde 1993, com 9 maratonas no currículo.

Um ano até Roterdã

8/abril/2011

“Amanhã volto a treinar com o grupo. Sei que sexta-feira não é um dia comum para recomeçar, mas este dia específico tem para mim um significado especial…” Este foi o começo de um email que enviei ontem ao técnico  Wanderlei de Oliveira. Não precisei me esticar muito no assunto para que ele entendesse do que se tratava. Mais do que ninguém, ele sabia do que eu estava falando.

Não sou muito o tipo de corredora que corre por correr, que entra numa prova por entrar. Não recrimino quem faça isso, mas gosto de me programar, de treinar focada, sentir a evolução e entrar na prova já sabendo o que dá para ser feito, sempre buscando meu melhor. É assim que sinto prazer em correr. Quanto ao meu email, recebi mais do que rapidamente uma resposta por telefone com um comentário do tipo “qualquer dia da semana é dia para recomeçar”. Nada a dizer então… compromisso mais do que assumido.

Levantei cedo, como sempre, mas dessa vez com o propósito firme de voltar à fiel rotina de treino em grupo dos últimos 14 anos, que “abandonei” desde o meio do ano passado, quando tive uma lesão na costela e fiquei alguns meses “off” para me recuperar. Não que nos últimos dois meses eu estivesse “parada” total de corrida. Afinal, acabei de fazer duas meias maratonas em Nova York (a tradicional em março e uma outra feminina) num intervalo de apenas duas semanas e num tempo até que considerável para minhas atuais condições. Mas, devido ao pouco tempo de treino para a prova (apenas 50 dias), havia decidido seguir pela primeira vez um estilo “solo” de treinamento, sem me preocupar em ganhar velocidade, fazer algum tipo de periodização ou qualquer outra coisa, tudo por minha conta e risco. Por força das circunstâncias, decidi pela primeira vez correr por correr e ver o que ia dar no final. Mesmo assim, com base em alguns treinos de tiro e pensando em não quebrar, pedi a opinião do Wanderlei sobre qual tempo deveria correr a Meia de NY, aquela tradicional. Conhecedor do meu estilo de correr, não preciso dizer que ele acertou na mosca: 1h48. Corri depois a meia feminina de uma forma mais conservadora e finalizei em 1h54. Tudo certo e dentro do “previsto”. Mas não é assim que gosto de correr.

Voltando de Nova York, onde passei 17 dias, já estava decidida a dar novamente um rumo à minha corrida. Estranho dizer isso, mas já sabia há pelo menos 10 anos o que faria, a contar de hoje, daqui há exato um ano, pelo menos se o calendário de corridas da Europa não resolver me boicotar, como aconteceu em 2007. Ok… está meio confuso ainda, mas já explico.

Vamos aos fatos… ou melhor, ao passado. Corri minha terceira Maratona de Paris no dia do meu aniversário, 8 de abril de 2001. Foi difícil estar ali naquele ano, por uma série de motivos, financeiros, profissionais etc. etc. etc. Mas havia treinado duro para a prova e, mesmo diante dos vários osbtáculos, levei adiante o sonho. Corri aquela prova com um “nó” na garganta e, com uma medalha com a data do meu aniversário em mãos, jurei para mim mesma que voltaria a Paris ou qualquer outra prova na Europa, como Roterdã, em todos os anos em que o evento caísse nessa data especial. Era uma forma de celebrar não apenas a vida ou o prazer pela corrida, mas também pela determinação e força de vontade de jamais deixar um sonho para trás. “Que venha então 8 de abril de 2007?”, pensei logo que finalizei aqueles difíceis 42 km. Mas os anos passaram e não foi em 2007 que pude concretizar esse meu objetivo de tão longo prazo. Para minha frustração, a Páscoa no segundo domingo de abril de 2007 atrapalhou meus planos. As provas que tradicionalmente aconteceriam naquele específico final de semana foram todas transferidas para o seguinte ou posterior… sendo assim, tive que amargar por mais alguns anos até que pudesse pensar novamente em realizar o planejado.

De volta então ao presente  e um futuro não muito distante… os anos se passaram e  chegou então o momento de sonhar mais uma vez. Daqui há exato um ano espero correr a Maratona de Roterdã no dia do meu aniversário. Será minha 10ª maratona e com certeza um momento superespecial. Tenho um ano para treinar e tentar buscar ali não só índice para Boston (que deixei escapar em 2008 depois de uma frustrada participação numa maratona na Pensilvânia) mas quem sabe meu recorde pessoal (3h37, em 1998), que estranhamente não sei até hoje por que jamais tentei correr atrás, embora sempre acreditasse que fosse possível.

Com o treino de hoje, realizado no Parque das Bicicletas, no Ibirapuera, em São Paulo, já dei minha largada inicial… um 3000 m de wind sprint para lavar a alma. Dei o start no meu relógio e a partir de agora começa a contagem regressiva. Agora é torcer para que o calendário de corridas me seja favorável, como foi em 2001. Que venham então os 42 km!

Postado em: Depoimento por Fernanda Paradizo às 22:42
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2/novembro/2010

Nova York 13 anos depois

(Direto de Miami) - Hoje completo exatos 13 anos que corri minha primeira maratona, em Nova York.
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28/outubro/2010

De repórter a maratonista

Depois de pensar e repensar o que poderia escrever aqui num primeiro post no novo site da  Contra-Relógio, resolvi retomar aqui meu post inicial no Webrun, até como uma forma de agradecimento pelos anos de parceria com esse portal de corrida, onde mantive meu blog pessoal até bem pouco tempo.
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