Revista Contra-Relógio

Fernanda Paradizo é jornalista e fotógrafa. Já viajou pelo mundo para cobrir provas internacionais e é corredora desde 1993, com 9 maratonas no currículo.

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Maratona de NY sem guarda-volumes. E agora?

23/agosto/2012

Os organizadores da Maratona de Nova York anunciaram hoje que a prova não contará mais com o serviço de guarda-volumes. Muita gente ficou assustada com a mudança. Mas quem acompanha a prova ao longo destes anos sabe muito bem que alguma coisa deveria ser feita, uma vez que, com o aumento de número de participantes, a dispersão de fim de prova, que, diga-se de passagem, nunca foi uma maravilha, precisava urgentemente de mudança. Aquela interminável caminhada pós-chegada finalmente será resolvida.

Os mais afobados podem ficar um pouco apavorados com a mudança. Mas, nos meus 10 anos presenciais na prova (desde 1997, sendo 5 correndo e mais 5 trabalhando), todas as alterações que vi acontecer nestes anos todos foram para melhor. E acredito que esta não será diferente. E, o que é animador, são mudanças pensando no conforto e segurança do participante.

E o que significa isso? Mesmo com a largada em Staten Island, a cerca de 32 km distante do Central Park, onde é a chegada da prova, todos terão que levar para a prova apenas seus itens de corrida e os extras, como casacos, calças, luvas, gorros, capas e outras coisas mais terão que ser descartados na largada ou carregados ao longo dos 42 km do percurso.

Sem guarda-volumes, quer dizer que cada um vai ter que se virar como pode para se proteger do frio ao final da prova? Bom, o NYRR já pensou nisso. Além de prometer uma Family Reunion muito mais perto da linha de chegada e de fácil acesso (cá entre nós, quem já correu a prova sabe o quanto era preciso andar para chegar até o local), todos os concluintes da maratona ganharão um poncho banaca, de finisher, à prova d’água e com capuz, para se proteger do frio. Essa alteração tem o objetivo de acelerar a saída dos corredores em até 30 minutos.

Quem talvez não fique muito feliz são aqueles que adoram levar seus celulares e câmeras digitais para a largada, até para ter uma lembrança desse dia inesquecível. Mas a própria organização dessa e de qualquer outra prova sempre desencoraja que objetos frágeis e de valor sejam deixados no guarda-volumes. Quem quiser twittar ou fazer fotos antes da largada e após a chegada vai ter que dar um jeito de carregar esse peso extra pelos cinco distritos por passa o percurso.

Os organizadores estão estudando ainda a possibilidade de oferecer um serviço extra, pré-pago, em parceria com o UPS, para coletar as sacolas dos corredores na área de largada e entregar na casa de quem pagou pelo serviço entre 2 e 7 dias. Mas isso ainda não foi definido

Mas e aquele contato telefônico com as pessoas queridas antes da prova ou logo após para dizer “cheguei”? O NYRR também pensou nisso e já anunciou que vai providenciar na largada e chegada, na área da Family Reunion, postos chamados “Call Home” para quem quiser entrar em contato com familiares e amigos. O que ainda não foi informado portanto é se estas ligações serão cobradas ou não.

A Kamel Turismo, uma das agências oficiais reponsáveis por levar os brasileiros para a prova, já anunciou que dará todo o suporte necessário pós-prova para o grupo na área da Family Reunion, tradicionalmente reunido na letra “B” de Brasil.

Agora é esperar por novas informações, que devem ser anunciadas em breve pelo NYRR.

Foto: Fernanda Paradizo

Postado em: Nova York, Novidade por Fernanda Paradizo às 20:08

4 Respostas para “Maratona de NY sem guarda-volumes. E agora?”

  1. Engraçado, em NY tiram o guarda volume numa prova com clima muito frio e ainda acham que é para o bem do corredor. Agora imagina se a Yescom tira o guarda volume da São Silvestre, ia ter nêgo entrando na justiça como fizeram no caso das medalhas antecipadas…

  2. Bom, por mais que tenham atenuantes, defino a decisão como uma merda. Mas, enfim, como NY não é prioridade na minha vida (e vem se afastando cada vez mais disso, por causa de loteria, preços e preguiça de tirar o visto americano), fica só a opinião mesmo…

  3. Fico muito incomodado com o que acontece com provas importantes – Principalmente as que denomino como “vitrine”. Já não bastava o mal exemplo da Yescom oferecendo a medalha antes da largada da São Silvestre e no ano seguinte acabando com a tradição da prova com chegada tirada da Avenida Paulista e agora vem essa da mais popular maratona do mundo – a ideia idiota de não oferecer o transporte das mochilas – e o pior lá ficasse até quatro horas esperando a hora da partida. Todo corredor concordará que deveria ser sim obrigação dos que organizam as provas ponto a ponto. Tal atitude incomoda muito os participantes. Ah… Que se danem o marketing enganoso gritado “para o conforto do corredor” – Mentira…. é o escambau … o conforto seria poder chegar no ponto de largada, se suplementar, aquecer tirar o agasalho, guardar os pertences e partir para o local da largada após entregar os pertences no final da maratona. O pior acontecerá, pois todo participante ficará dependendo de alguém na área da chegada e dependendo das condições físicas que completar irá ficar sim derrubado numa maca pensando preocupado em como sairá de lá. Isso é péssimo para o nova iorquino e muito pior para a maioria dos estrangeiros, que ficarão vendidos ao destino. QUE PENA! Agora o mal exemplo veio de NY. E logo, logo será moda nas provas de rua do mundo. Tudo indica que teremos que pagar… para isso. Triste notícia!

  4. (Off-topic)

    Sou “alfabetizado” até a meia-maratona (21/out/2012) e gostaria de conhcer um pouco mais esse contexto que todo ou a maioria dos corredores põe como item obrigatório, um dia, participar de uma Maratona. Gostaria de focar na Maratona de NY.

    Você, Fernanda Paradizo, que já cobriu e participou desta Maratona norte-americana por n-vezes, deve ter encontrado e conversado com muitos brasileiros que vão correr pela primeira vez ou não.

    Posso estar não totalmente esclarecido mas soa como quase uma unanimidade quando questionado qual seria a maratona de preferência a debutar ter a resposta: Maratona de NY. Pode não conhecer o processo de inscrição, o percurso, a estrutura oferecida na semana de prova e como chegar e onde ficará hospedado em NY. Parece-me que há uma resposta na “ponta da língua”. E aqueles que já correram maratonas pelo mundo a fora, se veem na obrigação de colocá-la no currículo. E até mesmo aqueles que já participaram zilhões de vezes, não deixam de manter a esperança de voltar no ano seguinte.

    Eles elegeram esta Maratona como símbolo de todas as Maratonas no Mundo?

    Por que não dizer, por exemplo, querer estrear uma Maratona na cidade de Tokyo, ou em Beirute ou qualquer outra, até mesmo de seu País e de sua Cidade para ressaltar que é mais cômodo?

    Agora entro na questão cultural/comportamental. Estados Unidos é e sempre foi o destino número 1 para viagem de férias no exterior. Cidade? Nova York é claro. Mas você nunca ouviu alguém dizer que passará as férias em Estocolmo (Suécia), Cidade do Cabo (África do Sul), Jacarta (Indonésia) e por aí vai. Dá-me a impressão que tudo relacionado aos Estados Unidos é dez! Garanto que se apresentarmos um mapa dos Estados Unidos, nem de perto saberão localizar NY. (risos)

    Fernanda, se você já questionou sobre isso, o que eles responderam o do porquê ser e ter que ser a Maratona de NY? Realmente há um misto de fascínio e de obsessão no imaginário de todo maratonista ou potencial maratonista estrear lá?

    Boa participação ou cobertura em 04/nov/2012 lá em NY.

    Desculpe-me pelo extenso comentário.

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