Revista Contra-Relógio

Fernanda Paradizo é jornalista e fotógrafa. Já viajou pelo mundo para cobrir provas internacionais e é corredora desde 1993, com 9 maratonas no currículo.

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Bate-papo com Adriano Bastos

3/janeiro/2012

O heptacampeão da Maratona da Disney fala aqui da sua temporada de 2011, da frustração de seu resultado na última edição da prova que o consagrou e de todo o planejamento que fez para retomar o título na Terra do Mickey.

Como foram os preparativos para a Disney? Você se sente 100% para a prova? O que você fez até aqui para chegar na Disney em condição de recuperar o título?

BASTOS: Os treinos preparatórios para a edição de 2012 foram muito mais focados se comparados com a preparação para as edições dos anos anteriores. Neste ano participei de menos provas, principalmente nos últimos três meses, para assim chegar na Disney mais descansado e mais treinado. Sinto-me muito bem fisicamente e com os treinos rendendo dentro do planejado. Fiz mais treinos longos de 30 km e me sinto muito confiante para a disputa. Sei que estou mais treinado que os anos anteriores.

Passado um ano, como você vê hoje seu resultado de 2011 na Disney. Você buscava o oitavo título da prova e alguma coisa deu errado. Como você analisa isso hoje? Quais as lições aprendidas desse episódio não muito feliz na sua carreira como atleta?

BASTOS: Vejo como algo frustrante, que me abalou muito psicologicamente. Além do físico, que ficou muito enfraquecido por várias semanas devido à virose que peguei lá, demorei vários meses para conseguir encaixar novamente meus treinos e o ritmo de prova. As minhas primeiras provas do ano tive um rendimento muito ruim e em muitas delas nem pódio consegui. Eu estava totalmente sem vontade de treinar e sem forças para superar isto, pois tanto a cabeça como o corpo lutavam contra, querendo me por cada vez mais para baixo. Mas graças ao apoio de minha esposa, patrocinadores, amigos e alunos de minha assessoria consegui superar esta fase ruim e a partir do mês de maio comecei a ter bons resultados novamente. Hoje vejo isto como página virada e mais um aprendizado. Aprendi a selecionar melhor as provas que vou participar no decorrer do ano e com isso me poupar de um desgaste desnecessário que possa comprometer as provas principais.

Você nunca escondeu que sempre foi para a Disney com o que “sobrava” da sua temporada, até porque nunca teve ali adversário à altura, até aparecer outro brasileiro, o Fredison Costa, que já havia dado trabalho para você em 2010 e que em 2011 acabou vencendo a prova. Você fez algo diferente este ano para se preservar, uma vez que no ano passado você não teve tempo suficiente de se recuperar de uma lesão e ainda amanheceu no dia da prova gripado?

BASTOS: Na verdade houve dois fatores que comprometeram minha prova em 2011. O primeiro foi o fato de ter exagerado na participação em provas no ano de 2010 e de ter corrido lesionado a Maratona de Curitiba apenas um mês e meio antes da Disney. Acabei agravando a lesão e passei metade do mês de dezembro sem treinar e fazendo fisioterapia. Com isso fui para a Disney bem menos treinado e condicionado comparado a qualquer outro ano que já tenha corrido lá. Para piorar a situação, acordei gripado e com febre no dia da maratona, algo totalmente imprevisível. Ou seja, simplesmente paguei por tudo que fiz de errado em 2010 e ainda adquiri uma forte virose, que destruiu de vez todo meu planejamento e sonho de conquistar a oitava vitória. Por isso mesmo que neste ano me poupei mais das provas, selecionei melhor as provas que entraria e não participei da Maratona de Curitiba, coisa que eu fazia todo final de ano. A Disney está começando a atrair atletas fortes e desta forma não dá mais para arriscar correr uma maratona pesada como Curitiba um mês antes.

Você já correu várias maratonas. Qual a diferença de correr a Disney e outras maratonas que você já correu no Brasil e ao redor do mundo? Em termos táticos, o que muda para você?

BASTOS: Na verdade a partir do momento em que a largada é dada e começo a correr, é tudo igual, a concentração e o esforço é o mesmo independentemente da maratona. O que muda de verdade é que nas outras grandes maratonas aqui ou no exterior sempre tem um grupo muito grande de atletas fortes correndo ao meu lado e passando por ruas cheias de pessoas assistindo e torcendo, o que motiva e distrai bastante e faz com que a sensação de dor seja anestesiada. Já na Disney, a prova larga de madrugada, boa parte dela percorre rodovias totalmente solitárias, sem ninguém assistindo, correndo na liderança totalmente solitário, sem nenhum outro atleta ao meu lado, com exceção dos últimos dois anos que tive a companhia de mais três atletas ao meu lado. Então é preciso ter o psicológico forte e noção precisa de ritmo para controlar bem a prova nestes momentos de solidão na liderança.

A situação deste ano na Disney muda. Pela primeira vez você está indo para a prova não como o campeão, tirando aquele ano que você não competiu porque estava machucado, em 2004. Sabemos que você tem uma passagem de meia maratona ali por volta da 1h09 ou 1h10 e que nos últimos dois anos vimos dois americanos, entre eles o Michael Wardian, ultramaratonista norte-americano, arriscarem um começo forte, deixando você o Fredison um pouco mais atrás. Estrategicamente, algo muda este ano ou você acredita numa prova mais ou menos semelhante e que será definida na parte final?

BASTOS: Para mim nada muda. Independentemente do ritmo que os adversários apliquem no início da prova, eu sempre tenho uma segunda metade de prova mais forte que a primeira e nestes dois anos, 2010 e 2011, os americanos que saíram forte quebraram feio e acabaram completando a maratona com mais de 2h27, ou seja, sete minutos acima do que costumo fazer. Então prefiro segurar o meu ritmo de sempre, mantendo a mesma passagem de meia entre 1h09 e 1h10 e segurar com folga este mesmo ritmo na segunda metade, o que seguramente me garante a vitória, fechando a prova entre 2h19 e 2h20, que é o meu normal se tudo correr bem e dentro do planejado. Já sabendo da estratégia arriscada e kamikaze dos americanos, acredito que o Fredison faça o mesmo e mantenha o ritmo comigo. Dessa forma a briga pela vitória ficará entre nós na segunda metade. Aí a vitória será de quem estiver mais inteiro.

Crédito foto: Renata S. Bastos

Postado em: Adriano Bastos, Disney, Entrevista por Fernanda Paradizo às 20:19

Uma resposta para “Bate-papo com Adriano Bastos”

  1. Boa sorte ao Adriano e ao Fredison. Pena que não terá BrodCast para assistir ao vivo. Apenas as parciais pelo site da organização.

    Ótima entrevista Fernanda.

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