Revista Contra-Relógio

André Tarchiani Savazoni é jornalista, pai e corredor. Está sempre na corrida. Seja nos treinos, nas provas ou atrás dos filhos, Vitória e, principalmente, Pedro. E adora viajar para correr ou correr para viajar.

Três anos de vida. Três anos bem corridos

12/novembro/2011

Domingo, 13 de novembro de 2011, meu pequeno Pedrinho (que ainda não sabe ler, caso contrário já brigaria com o pai, “sou gandeâ€) completa três anos de vida. De aprendizado, de crescimento, de ensinamento, de molecagem. Vivendo como toda criança deveria vir ao mundo: amada, protegida, abençoada, com condições de se desenvolver e aprender, sem ter que se preocupar com nada mais do que brincar e se divertir. Foram três anos bem corridos, literalmente. Junto com os 3 anos do Pedro, arrendondo para 3 anos a minha convivência diária com a corrida.

Já escrevi aqui no blog, mas, para relembrar, comecei a dar os primeiros passos “sérios†na corrida durante a gravidez do Pedro. Não, eu não estava grávido, era a Mari, mas digamos que o casal vive junto esse momento mágico. Decisão tomada principalmente depois que ficamos sabendo que seria um menino – temos nossa princesa morena de olhos verdes, a Vitória, hoje com 7 anos. No momento, pensei: “Tenho 34 anos, quero vê-lo crescer, ficar o maior tempo que puder ao lado do Pedro. Isso com muita saúde, com condições de correr, brincar, jogar bola… com o máximo de qualidade de vida possível.†Como isso? Estando saudável. E, com uma analogia mais do que usada por quem corre (todos já ouviram isso um dia pelo menos), como o personagem de Tom Hanks em “Forest Gumpâ€, comecei a correr.

Nesses três anos, Pedro mudou nossas vidas. Internamente, ele foi o motor de uma transformação pessoal. Sempre pratiquei esporte – natação, futebol, futsal, tênis, musculação. A corrida, de alguma forma, fazia parte do aquecimento, do pós-treino. Mas não era a protagonista. Tornou-se há três anos. E, como Pedro cresceu, nos encanta a cada dia com a beleza que é ver um filho desenvolver-se, a corrida me transformou em uma pessoa melhor. Fisicamente, perdi muitos e muitos quilos, “sequeiâ€, hoje peso quase o mesmo dos 18 anos, mas com inúmeros fios de cabelos brancos!. Fiquei mais tranquilo, calmo, apesar do sangue italiano que vira e mexe ferve. Isso não vai mudar. Como atleta, amador é claro, mas atleta, meu desempenho também mudou, consegui mostrar a muitas pessoas do convívio diário que a corrida só traz benefícios. Aprendi muito também. Corri quatro maratonas. Nem pensava nisso há três anos! Nem meias, só em 2011 foram seis.

De todos os pontos positivos, acredito que dar o exemplo para a Vitória e ao Pedro, principalmente, é o maior de todos. Eles estão crescendo em um ambiente em que o esporte faz parte do dia a dia, como almoçar, estudar, brincar, tomar banho, dormir. Tem a mesma importância. E o esporte ensina, agrega, aumenta os vínculos, traz amigos. Quem pratica esporte, nunca está sozinho. Eles já sabem disso. Pedrinho adora correr. Vitória também, pede para ir em provas e, o tempo todo, corre sorrindo. Não forço nada. Eles já sabem como é gostoso.

Um dia, eu e Mari não estaremos mais aqui. Vitória e Pedro sim. Terão um ao outro, é claro. Felizmente, são irmãos apaixonados, desde o primeiro olhar, desde o dia em que peguei a Vitória na escola, a levei para casa, dei banho e contei: seu irmão nasceu, vamos conhecê-lo. E ela, no olhar puro de uma criança, ao pegá-lo no colo pela primeira vez, com os olhos molhados, disse: “Ele é de verdadeâ€. Sim filha, muito de verdade. Ou melhor, essa relação é ainda anterior. Sem saber que era o dia do parto, 13 de novembro de 2008, a Vitória dormiu nos avós, meus pais, já que iríamos bem cedo à maternidade. Pedro nasceu por volta de 7 horas. Nesse horário, Vitória acordou, chamou minha mãe e disse: “Meu irmão nasceuâ€. E voltou a dormir.

Vou continuar treinando, correndo, melhorando a cada dia, tanto no esporte quanto na vida. Pedro vai crescer ainda mais, ficar realmente “gandeâ€. Um dia, daqui a bons anos, quem sabe não estarei aqui, neste blog, escrevendo sobre a experiência que é correr uma prova ao lado do filho, de completarmos uma maratona juntos, cruzando a linha de chegada de mãos dadas. E o Pedro (por que não a Vitória também?) terá algumas marcas familiares para buscar! Afinal de contas, comecei a correr para ter saúde e ficar ao lado da Vitória e do Pedro o maior tempo que puder. Três anos de vida. Três anos bem corridos. Feliz aniversário, filhote. E obrigado por tudo o que me ensinou (e continua me ensinando) desde quando estava dentro da barriga da mamãe.

Postado em: Corridas, Crônica por André Savazoni às 17:01
10 comentários »

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