Revista Contra-Relógio

André Tarchiani Savazoni é jornalista, pai e corredor. Está sempre na corrida. Seja nos treinos, nas provas ou atrás dos filhos, Vitória e, principalmente, Pedro. E adora viajar para correr ou correr para viajar.

Edivaldo “Acerola” do Prado e 2h36 na Maratona de Montevidéu

25/abril/2017

Edivaldo Bueno do Prado é conterrâneo aqui de Jundiaí. Corre como poucos. E muito. Há décadas, desde o período em que serviu ao quartel. Chegou até a cursar três anos de Educação Física na Esef, onde estudo, mas acabou desistindo, mesmo com a insistência dos amigos. Mas é um apaixonado pela corrida, em todos os sentidos. Com resultados mais do que incríveis.

Está sempre incentivando e participando de provas. Sem falar no coração enorme que tem. Exemplifica como poucos a essência e a beleza do esporte. Mas, um detalhe, não adianta procurar ou chamar o Edivaldo. O verdadeiro nome dele é Acerola. Sinceramente, no lugar dele, eu iria no cartório e faria como a Xuxa, colocaria o Acerola no registro. Até tiraria o “Edivaldo”, deixando Acerola Bueno do Prado!

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Mas vamos falar de corrida, o que interessa. Acerola fez já 2h29 em Santiago e 2h44 em Nova York, ambas em 2013, por exemplo. Agora, no último domingo, terminou em terceiro lugar no geral, com direito a troféu e premiação, na Maratona de Montevidéu, no Uruguai, com 2:36:00, ou seja, média de 3:42 por km.

Acerola é um exemplo que a simplicidade é fundamental na corrida. Não é deixar de lado o treinamento, muito pelo contrário, mas mostrar que você não precisa se preocupar com tantas coisas. Ele corre sempre e há anos. Tem treinador? Não. Preocupa-se com extras? Não. O maior longo que fez? Os 24 km da prova paralela à Maratona de São Paulo. Resumindo: o que ele faz? Corre. O resto, quanto vem, é apenas um complemento, não a razão principal.

Em julho de 2013, ou seja, há quase quatro anos, fiz uma entrevista com o Acerola para a Revista Contra-Relógio, ano em que iria correr a Maratona de Nova York (nos resultados citados acima). Mesmo após 45 meses, ele segue “voando” e conquistando resultados como o de Montevidéu. Abaixo, segue o texto na íntegra, para conhecer um pouco melhor a história dele.

VOANDO BAIXO, SEM TREINADOR OU PLANILHAS

Edivaldo Bueno do Prado, o Acerola, adora correr e competir todos os finais de semana. Na maratona ele tem 2h29 e na meia 1h12, sem qualquer orientação.

Há algumas “verdades absolutas” que todo corredor ouve inúmeras vezes: para obter resultados, você precisa ter treinador, seguir à risca as planilhas, competir pouco, ter provas-alvo, dar um descanso entre elas, fazer longões de 30 km ou mais para a maratona… Em tese, existe muita fundamentação para todos esses itens. E para diversos outros também.
Porém, da mesma forma, há inúmeros exemplos que derrubam toda essa “certeza”. E são muitas as exceções. Uma delas tem 44 anos, 54 kg e 1,67 m. Edivaldo Bueno do Prado, de Jundiaí-SP, corre desde os 18 anos, quando foi prestar o serviço militar obrigatório no Exército e, entre outros resultados, neste ano completou a Maratona de Santiago, no Chile, em 2:29:35, na 17ª posição geral e primeiro na faixa etária 40-44 anos.
Um atleta de elite tem acompanhamento diário de treinador, nutricionista, fisiologista, médico… Dedica-se exclusivamente ao esporte. Treina em dois ou até mesmo três períodos diários, dá um belo cochilo após o almoço, concentra-se totalmente no esporte. Já os amadores competitivos têm que dividir esse tempo com o trabalho, a família, ou seja, as obrigações do dia a dia. São pouco famosos, mas com pernas rápidas. Edivaldo, ou melhor, Acerola, está neste grupo.
O apelido veio quando cursava a faculdade de Educação Física (que parou no terceiro ano) e fazia recreação infantil em hotéis. Precisava de um nome “artístico” para a criançada. Virou então o “Tio Acerola”. “Achei que não ia pegar o apelido, mas quando você acha um bom, sempre acaba funcionando”, diz o corredor.
O curso universitário foi trancado quando começou a trabalhar na Telefônica, empresa na qual está até hoje. Tinha de pagar as contas, o salário era bom, o horário de trabalho idem… É técnico em telecomunicações. Trabalha dando suporte a grandes empresas na área de fibras óticas.
Treinador? Nunca teve. Começou no esporte quando estava no quartel, em 1987. Hoje, 26 anos depois, já perdeu as contas das medalhas e dos troféus. Não tem uma distância preferida. Vai dos 5 km até os 42 km. Há pouco tempo, a maratona passava bem longe de seu interesse, mas aí correu a primeira em 2011, em São Paulo, repetindo no ano passado, novamente na capital paulista e, agora, em Santiago. Aprendeu a gostar da “prova das provas”. Antes, confessa, tinha medo de encará-la.

80 KM POR SEMANA. Treina seis vezes por semana, em uma média de 80 km. “Um dia eu tiro para descansar (geralmente, após uma competição, que faz praticamente todos os domingos, a maioria de 10 km). Não sigo planilha. Não consigo me adaptar”, afirma. Nunca pensou em ser profissional nem teve treinador. No quartel, destacou-se na corrida em competições de pentatlo militar e nas provas rústicas. Tomou gosto pelo esporte.
Quando voltou a ser civil, foi conhecendo esportistas tradicionais de Jundiaí, indo para as provas, recebendo dicas, orientações… Funciona assim até hoje. Muitas vezes, chega na pista de atletismo do Bolão e encontra um amigo. Logo vem a pergunta: “O que tem para hoje”. Não importa se a resposta é 8 x 1.000 m ou 20 x 400 m. Vai junto. Depois, dependendo do ritmo, ainda dá uma ampliada! Nos longões, idem. Acompanha uma parte, dá um tiro, volta, acelera novamente…
“Tenho paixão pela corrida, mas ainda não consigo seguir planilhas de treinos. Me baseio somente no bate-papo com os amigos. Em média, faço tiros duas vezes por semana e rodagem ou rampa nos outros, dependendo do convite que receber. Só rodei um pouco mais quando me prepararei para a Maratona de Santiago. Então, na média, são dois treinos de tiro, um de musculação, um de rodagem, um de rampa e um longo, com competição no domingo”, resume Acerola, pedindo para deixar fora da reportagem que não bebe água nos longos! “Não tenho bons conselhos para maratonas”, brinca. “Não sei se é muito correto, mas treino sempre sem foco e faço bastante competição nos finais de semana.”
Em 2011 e 2012, Acerola disputou a Meia de Santiago e, em ambas, ficou em primeiro lugar na faixa etária. Mas confessa que não esperava fazer o tempo deste ano nos 42 km. “Nem em sonho. Queria baixar os 2h37 que tinha na de São Paulo do ano passado. Com 2h36, já estaria feliz demais. Mas fui me sentindo bem na prova, acompanhando um chileno da elite. Isso me ajudou bastante. Acabei na frente dele e, depois, descobri que era da minha faixa etária”, conta.
A próxima prova de 42 km já tem data: 3 de novembro, em Nova York. Ganhou a viagem por ter feito o melhor tempo da série de meias-maratonas Golden Four Asics de 2012, na categoria “cliente Santander”. Completou os 21 km de Brasília em 1:12:41, batendo seu recorde pessoal. Mas até lá, como faltam bons meses, terá competido todos os domingos, em distâncias variadas. Se o correto é não mexer em time que está ganhando, Acerola prefere mesmo não arriscar.

Postado em: Crônica por André Savazoni às 16:08
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