Revista Contra-Relógio

André Tarchiani Savazoni é jornalista, pai e corredor. Está sempre na corrida. Seja nos treinos, nas provas ou atrás dos filhos, Vitória e, principalmente, Pedro. E adora viajar para correr ou correr para viajar.

// Na Corrida/

Trânsito, um agente direto de estresse

30/setembro/2014

Para encerrar a série sobre violência no trânsito e corredores, conversamos com a psicóloga Stael Prata, de Brasília, para tentar entender também os motivos que leva, muitos vezes, até os próprios corredores (e os ciclistas) a mudarem totalmente o comportamento ao assumirem a condução de um veículo.

O trânsito é considerado um agente estressor para a maioria das pessoas, principalmente nas grandes cidades, como São Paulo. “Temos a via, o veículo e o homem, a peça mais importante desse tripé, pois está sob os efeitos das influências externas e internas que alteram o seu comportamento”, explica Stael. “Cada um tem seu espaço (atleta e motorista) e muitas vezes um invade o local do outro, o que ocasiona tensões e alguns conflitos no trânsito, principalmente se o motorista já se encontra irritado.”

Porém, há, inclusive, mudança de comportamento dos próprios atletas ao sentarem no comando do volante. “Enquanto o homem pedala ou corre, ele é apenas ciclista ou corredor e não motorista. Nesse contexto, percebemos que esse atleta está fisiologicamente voltado para si, ou seja, corpo e mente estão trabalhando juntos e com um único foco. Isso gera alterações bioquímicas, como a liberação de endorfinas. Essas são substâncias naturais, produzidas pelo cérebro em decorrência de certos estímulos, dentre estes, o exercício físico”, afirma Stael. Quando esse homem assume a direção de um veículo, porém, ele passa a não ter mais apenas um único foco. A atenção se volta para a segurança, o caminho, as pessoas, os outros veículos, compromissos, pensamentos e conflitos (problemas), ou seja, criou-se o ambiente necessário para introduzir ou deixar aparecer um estresse iminente. “O estresse gera agressividade nos motoristas.”

De acordo com Stael, entretanto, essa não é uma regra geral.Em muitos casos, a empatia faz parte da vida dos atletas. Quando eles tornam-se motoristas, conseguem compreender o sentimento ou reação de quem está correndo ou pedalando. Como observo em Brasília, por ser uma cidade com tradição em prática esportiva, principalmente em triatlo”, afirma a psicóloga.

O que podemos fazer então, para evitar que esse estresse nos afete tanto? “Devemos aprender a gerenciá-lo adequadamente, ou seja, tentar fazer com que ele não evolua para algo negativo”, diz Stael, citando algumas ferramentas importantes nesse trabalho: reconhecer os sintomas, como cada um reage a determinadas situações; analisar as causas: o que realmente causou o aborrecimento; estabelecer estratégias, como reconhecer o limite de cada um, eliminar os estressores desnecessários e fortalecer-se para não sofrer efeitos negativos, com os pilares de atividade física, alimentação adequada, exercícios de relaxamento e, principalmente, atitude adequada.

“Não adianta alimentar-se bem, fazer relaxamento, atividade física e não se conhecer, não reconhecer os próprios limites. Na verdade, precisamos colocar em prática os quatro pilares. Não adianta só colocar um em prática. Se o modo como olharmos a vida nos cria estresse, é possível desaprender os maus hábitos e aprender novos valores, novos modos de pensar e encarar a vida que sejam mais positivos e que, portanto, não permitam o surgimento do estresse excessivo”, receita a psicóloga de Brasília.

Se não leu alguma das reportagens anteriores, clique no nome da cidade e veja a situação para os corredores em Cuiabá, Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.

Postado em: Na Corrida, Série sobre o trânsito/corredores, Trânsito e corredores por André Savazoni às 10:00

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